Desenhar
O desafio da vida é ser (no) infinito, desenhar sem borracha e "poetisar" todos os silêncios.
© Ana Cachide Praça
Que a arte e a cultura sejam as ferramentas para desenhar um futuro mais humano com fé, alegria e esperança.
Lua, Luar
Ah, se eu pudesse tocar-te
desenhar-te com o dedo
Pálida, branca como gelo.
Solitário, hei de amar-te.
Ah, se eu pudesse descrever,
este encontro entre nós,
o desejo de estarmos sós,
no lampejo, dou-me a escrever:
"- O fino véu translucido,
banha-me de corpo inteiro,
que jaz prazenteiro,
do meu eu, esmorecido.
Todo eu já combalido,
de minh'alma esvanecido,
pois, de ti entorpecido,
meu eu tenho carecido.
Hoje doudo por inteiro,
no silêncio matreiro,
Fugaz e sorrateiro,
ser d'alma poeteiro."
Ah, se pudesse o nevoeiro,
não me deixar arrefecido,
minh'alma teria oferecido,
como amante... fiel escudeiro.
Tão pálida sua luz sombria,
farta-me de tal maneira,
e ao meu coração esgueira,
quente dentre a noite fria.
A face da terra acaricia,
luzente como um ser divino,
toca nest'alma de menino,
que no gélido sereno, ardia.
Como amantes de histórias antigas,
Deusas, homens e meninos,
finda o espírito, tais desatinos,
nesta e noutras épocas vindouras.
Dominante o nevoeiro,
descansa no campo enegrecido,
Pálida, repousa sobre o outeiro,
e finda o campo enegrecido.
"Se deseja pintar, então pinte; se quer desenhar, apenas desenhe; se prefere escrever, então escreva; ainda que ninguém vá se importar, apenas comece."
Nós não somos bons em nada
Por isso eu guardo minhas dores
Pois eu não sou bom para desenhar minhas dores
Pois eu não sou bom para falar minhas dores
Pois eu não sou bom para escrever minhas dores
Pois eu não sou bom para controlar minhas dores
O jeito é fingir ser feliz para não levantar suspeitas
E viver a vida do jeito que conseguimos.
O Pintor de poesias
Assemelha-se o poeta,
A um jeitoso pintor,
Que após desenhar a reta,
Faz um quadro de valor.
Enquanto o dotado artista
Pinta as cores de uma flor,
O hábil e audaz lirista
Acha a alegria na dor.
Imagens a tinta escreve
E a palavra pinta rima;
Mesmo um feito muito breve
Torna-se única obra-prima.
Risca, pincela, sombreia
Às letras mortas, aviva.
Zela, contenta, anima
Ao bom descanso convida.
Pensa, avalia, medita,
Às cores mortas, alegra.
Rima, argumenta, versa
À bela arte invita.
É o pintor de poesias
E o poeta de afrescos.
O feitor das alegrias
E dos autos principescos.
Vinde à agradável arte
Do espírito eloquente.
E pintai seu estandarte
Adornado belamente.
IA desenhar, e não preciso mais,
IA dublar, IA filmar, IA musicar,
no fim só me resta pensar.
já que crIAr é menos importante
do que significar.
desenhar na sombra com os dedos & recordar que certas escuridões podem também trazer fantasia. houve um tempo que as noites sem luz eram algazarras ao invés de medo. tudo em constante ressignificação o tempo todo: o segredo é sempre a paz consigo. é preciso olhar e acolher nossos lados sombrios, aquelas verdades que existem para ninguém ver.
Ela acordou e vestiu um sorriso. Saiu da cama se sentindo dona do mundo, como se pudesse desenhar uma realidade paralela – e só dela. E podia. Naquele dia, naquele naquela hora, naquela manhã ela podia. Com aquele sorriso, ela podia tudo. Ela se vestiu apressada, colocou um batom escuro, encarou-se no espelho e sorriu de novo. Abraçou a rotina com tanto carinho, tanta paixão que até a rotina sorriu. A moça passou a trilhar o próprio caminho e trocava, constantemente, os trilhos pelas trilhas, desenhando seu próprio destino, com calma desmedida e paciência infinita.
Desenhar do amor
Suave é o teu amor de tão perceptível
que se torna cativante cheio de ternura.
É Tão grande o teu amor que é infalível
e a palavra a esse amor se resume por doçura!
Suspeito é o meu coração, pois palpita
quando te ver e logo conecta a alma
e pensando bem, você é uma arte realista
feita pelas mãos de Deus o maior artista.
Alessandra, o teu rosto e o desenhar do seu olhar,
das belezas notadas em ti, é arte sem imperfeição.
Nas lembranças está tua formosura a me recordar,
entre as belezas desse mundo a tua é inspiração.
As curvas do caminho mostram ângulos e peculiaridades que a linha reta não consegue desenhar.
Valnia Véras
"Rafa"
Ele é de Los Pecados
Ele manja desenhar
Assiste La Plata
Odeia cordões de prata
Seu pingente é a capsula de uma bala
Da bala que tirou dele o ouro
Num pé tênis Hocks
No outro All stars
Estrelas tatuadas
Cigarros a fumar
Garoto que passa na TV
E satisfaz você
Ouve MPB
É um herói que tem um cavalo que fala espanhol
Pero te sientes tan solo
Fala em libras
Fala com as mãos
Ensina para filhos que nunca vai ter
Ou ver nascer
Se sente o tempo todo
Numa eterna ilusão
Ele acha que é estranho
Mas eu acho que não
Ele come chocolate
No lugar de amar
Ele se lamenta
Sob a luz do luar
Se sente insatisfeito
"Como eu queria poder voar!"
O que há, garoto alternativo da praça?
Vá experimentar coisas novas
Eu queria saber como te ajudar
Sua dor, de ti tirar
Por enquanto, sente
Para que possamos conversar
"A carta"
Se eu soubesse desenhar
(Porra)
Eu desenharia várias coisas (óbvio)
Mas seu rosto estava para sempre marcado naquela folha
E eu a queimei
E não sei se me arrependo
Isso me dói
Isso me dá medo
Me arrepio sempre que lembro
EU SÓ QUERIA VOCÊ AQUI COMIGO
De momentos ruins eu não lembro
Um pobre adoecido
Autopiedade
Eu não tenho
Você
Eles
E isso me dói
Como dói
Minha mãe costumava desenhar pequenos animais nos meus cadernos para ilustrar as tarefas escolares. O melhor de tudo é que eles estavam sempre soltos naquele espaço, conviviam em harmonia com números, vogais e consoantes.
Hoje, vivem em minha memória!
Eu sou apenas eu.....
Gosto de ler, escrever, desenhar, pensar,
conversar, falar...
Gosto de me perder na historia dos meus livros,
nos problemas dos personagens, na vida... e melhor
se preocupar com eles do que comigo.
Estranhamente gosto de recitar, cantar, dançar,
mesmo que eu não seja boa.
O importante e não pensar no futuro ou
na minha vida, ou seja, e melhor não chorar.
