Desejo Morte
Só há duas coisas das quais tenho certeza: a inevitável chegada da morte e o aconchego generoso de Deus.
"O que é a morte, senão a lembrança que você é feito de carbono, avisando-lhe que você é composto por células e que um dia elas param de se regenerar, tendo em vista tal fato, o medo de enfrentar a complexa e obscura realidade do desconhecido, cega boa parte da humanidade fazendo-os se apegarem a fantasias e falsas promessas, se iludindo por toda a vida com algo que não vai acontecer".
"A ÁREA MÉDICA TEM 2 OBJETIVOS: NOS LIVRAR DA DOR E POSTERGAR A NOSSA MORTE, ÀS VEZES AMBAS SEM SUCESSO" Ademar de Borba
Faço eu mesmo o meu caminho. Não culpo ninguém pela minha falta de sorte. Afinal, a morte não é o fim de tudo.
A Morte é um mistério
Deixa Dor na despedida
O Corpo é do cemitério
E o Espírito, a Luz da Vida.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
04/01/2026
a morte do nostálgico (despedida)
Não houve despedida.
Ninguém chorou. Ninguém fez um discurso bonito. Ninguém colocou flores.
Só existiu um quarto silencioso, uma arma apontada para alguém que já estava morto fazia tempo.
O disparo não foi contra um homem.
Foi contra um hábito.
Contra a necessidade de transformar toda dor em identidade. Contra o vício de revisitar feridas até esquecer como era viver sem elas. Contra o conforto perverso de acreditar que sofrer significava sentir mais do que os outros.
O corpo caiu.
Levava no bolso cartas que nunca chegaram, fotografias de pessoas que já não moravam em lugar nenhum, promessas feitas para fantasmas, apostas perdidas tentando preencher um vazio que não aceitava existir sozinho.
Morreu ali o eterno saudoso.
O homem que sempre olhava para trás como se a felicidade tivesse esquecido um casaco no passado.
Junto dele, desceu à cova o rapaz que precisava parecer quebrado para justificar o próprio silêncio. O que fazia da própria tristeza uma casa, da ansiedade uma bússola e da culpa uma religião.
Também enterraram o covarde.
Aquele que esperava o mundo mudar primeiro para só depois ter coragem de viver.
Cobriram tudo com terra.
As pessoas que um dia fizeram falta ficaram lá dentro também. Não porque deixaram de importar, mas porque já não pertencem ao mesmo mundo de quem saiu andando daquele cemitério.
Existem lembranças que merecem descanso.
E insistir em ressuscitá-las é uma forma de morrer aos poucos.
Quando voltaram para casa, algumas portas permaneceram fechadas.
Uma conta deixou de existir.
Um perfil ficou abandonado.
Algumas palavras nunca mais seriam escritas.
Não por raiva.
Por sobrevivência.
Há lugares que continuam de pé apenas porque insistimos em visitá-los.
Hoje, eles perderam o último visitante.
A melancolia sempre soube escrever. Sabia escolher músicas, filmes, metáforas e transformar qualquer cicatriz em poesia.
Mas nunca soube construir futuro.
E chega um momento em que a beleza da própria ruína vira apenas outra prisão bem decorada.
Então acabou.
Não existe mais protagonista para aquela história.
O homem que precisava sofrer para existir recebeu o único destino possível.
Uma bala.
Uma pá de terra.
Silêncio.
Quem saiu daquele quarto não era feliz.
Nem invencível.
Nem curado.
Só estava cansado de oferecer a própria vida para coisas que nunca ofereceram a delas em troca.
Pela primeira vez, decidiu gastar energia com aquilo que pode alcançar.
O resto…
Que permaneça onde sempre pertenceu.
No passado.
Hoje não nasce alguém novo.
Hoje apenas morreu alguém que já estava ocupando espaço demais.
E dessa vez, ninguém vai cavar para trazê-lo de volta.
Quando mais preciso viver, encontro em mim uma sombra moldada pela ausência do medo da morte. Hoje carrego comigo um símbolo, um lembrete silencioso de que já não temo o mundo. Carrego uma moeda para o barqueiro, como quem lhe diz que estou preparado, embora, no fundo, ainda não esteja pronto para partir.
A morte é a presença do estar e a ausência do ser (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Pelas ruas do ser, a morte e a vida são duas amigas que passeiam de mãos dadas. (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Coração -praia serena, onde as marés da vida deságuam as mágoas (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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Depois da primavera, o vento brinca de faxineiro (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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O sol aquece, no coração, as estações da vida (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
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O pensamento é a biblioteca da inteligência (Hélio Soares Pereira. In: Onde o Horizonte Vem Esconder-se...)
A morte deLGBTQIA+
A morte tem uma maneira silenciosa de nos lembrar do que realmente importa. Diante dela, perdem o sentido os rótulos, as disputas e os preconceitos. O que permanece é a lembrança de uma vida, de uma história e de uma pessoa que amou, sonhou, enfrentou desafios e deixou marcas em quem a conheceu.
Quando falece uma pessoa LGBTQIA+, é um momento para refletirmos sobre nossa própria humanidade. Antes de qualquer diferença, existe um ser humano que merece respeito, tanto em vida quanto na despedida.
A empatia não exige que todos pensem da mesma forma. Ela exige apenas que reconheçamos a dignidade do outro. O respeito nunca diminui quem o oferece; ao contrário, revela grandeza de caráter.
Que toda despedida nos ensine a trocar o julgamento pela compaixão, o preconceito pelo respeito e a indiferença pela humanidade. No fim, é assim que honramos o valor da vida.
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