Descrição do Amor
Amor rarefeito…
Você é genial. Você me tocou com esse amor rarefeito.
Na minha opinião, eu deveria pedir socorro, porque cada vez que te vejo quase morro um pouco de desejo.
Mas, quando a noite chega, eu só quero pegar conchinhas com você e dormir sob o canto das estrelas. E, no dia seguinte, da janela, ver o seu sorriso dizendo que me ama.
Meu mundo agora está no branco.
Nunca gostei de amor mediano, pois nunca foram inteiros nem intensos.
Bem, você é demais.
Não se esqueça de que somos um amor mais que perfeito.
Você tem razão: voar para o mundo e pedir mais de você.
Mas para que fazer isso se você não está lá?
Amor ceifado não vale, até porque as cinzas não se levantam, não sentem, não abraçam.
Esse amor rarefeito…
Na minha opinião, vou pedir socorro.
Você tem razão: vou voar pelo mundo e pedir mais de você.
O jardim que silenciou
Dizem que, quando se está amando — quando o amor está no ar e há muito amor para dar e compartilhar — nascem flores no coração. Olho para trás e sinto saudades do meu jardim.
Fico imaginando como seria a felicidade de viver em um mundo florido, deliciando-se com fragrâncias que adentram a alma.
Fico imaginando e questionando por que, hoje, as flores já não nascem como antes — em qualquer espaço, em qualquer lugar, em qualquer jardim, rio ou mar, em qualquer estrada desta nossa vida. Elas estão morrendo.
Fico imaginando por que há tantos espaços concretizados, onde as flores não crescem; mesmo querendo se propagar, elas são silenciadas.
Fico imaginando quantas flores machucadas, presas em correntes invisíveis, existem nos lugares mais improváveis. Porque, hoje em dia, infelizmente, embora algumas ainda cresçam, sempre haverá, infiltradas no jardim, ervas daninhas.
Fragmentos de um Amor
O amor tem vários cenários, como em um filme de cinema: alguns terminam com “felizes para sempre”; outros perguntam “onde você está neste momento?”; há ainda aqueles que decretam “sua vida termina aqui”. E existem muitos, muitos outros cenários, nos quais somos todos atores do filme chamado Vida.
O amor nos faz gente, mais humanos. Faz-nos felizes, capazes de sorrir no silêncio e encontrar graça em tudo. Esse é o lado bom — o cenário de que mais gosto.
O amor me faz sorrir com os olhos marejados, a voz embargada e o corpo trêmulo.
Mas há o outro lado: quando tudo dá errado, tudo perde a cor. Hoje estamos aqui, alegres, rindo e gargalhando; amanhã, somos apenas um borrão.
Amor não se dissolve
Sempre pedi ao universo um amor puro e verdadeiro, justo e transparente.
Mas eu me negaria a receber um amor líquido — que Deus me proteja —, pois esse tipo de amor inconsequente seca minha garganta, cega meus olhos, gela meu corpo e sela minha boca.
Esse amor sem compromisso, leviano, não flui em mim.
Prefiro os toques que permanecem, os beijos que acalentam e os abraços que aquecem — algo duradouro, de verdade.
E viva a força do amor.
Tempestades de Amor e Verões de Justiça
Sei bem que, neste vasto mundo que o Criador nos deu para habitar e cuidar, há muitos corações famintos por vingança. Mas o que mais me encanta é saber que há muitos, muitos mais famintos por amor.
Então, em qualquer tempo da nossa existência, que tenhamos verões de justiça.
Que tenhamos tempestades de amor.
Que tenhamos ventos fortes de fé.
Que a chuva do céu lave a tristeza de todos, que ilhas de esperança se formem e que possamos nos agarrar às árvores da paz.
Que eu possa, também, conectar minha energia de alegria com todos os meus e com os seus.
E que hoje, nesta Sexta-feira da Paixão, possamos suportar as dores do dia a dia e, aos domingos, celebrar o amor sem dor.
A Face Oculta do “Amor”
Um grande homem… ou talvez apenas um grande ser?
Ou um grande líder? Tipão ou tirano?
Talvez — e com certeza — um grande lixo.
Quando alguém diz que ama uma criança, mas por trás de suas palavras existem pensamentos libidinosos e cruéis, então não é um ser humano falando — é o próprio demônio agindo.
Ecos de um Amor que Não Volta
Cada amor tem uma história.
E, se as ondas de lembranças invadissem o coração, talvez levassem embora o eco do vazio de uma vida inteira.
É certo que, às vezes, a linha do tempo fica desordenada, fragmentada. Nesses momentos, chega a ser curioso, porque há ocasiões em que nem o próprio dia parece compreender que a escuridão de um lindo manto brilhante chega todas as noites.
Então, penso: se a gente ama e o amor vai embora, devo aceitar a frase “você ama, então o amor volta”?
Não, não volta. Até porque, se voltasse, seria visto de outra forma — não seria o mesmo. Carregaria algo diferente junto com aquele sentimento. E, ainda assim, se realmente voltasse, talvez não houvesse tantas desilusões e sofrimento.
Fico em dúvida: será que minha visão está diferente? Houve mudança?
É… pode ser que sim.
À Beira do Amor
O amor surge até na escuridão. Até as sombras que ali habitam se inquietam, desejando se aproximar dessa luz chamada amor.
No entanto, as interrogações se instalam em mim, e quanto mais me aprofundo na tentativa de entender o amor, mais me vejo à beira da praia.
"Eu ofereço amor porque é o que eu tenho; você oferece ódio porque é o que te preenche agora. No fim das contas, cada um oferece o que transborda por dentro."
"O meu amor por você é uma escolha de integridade; o seu ódio por mim é uma escolha de perspectiva. Eu sigo com o meu coração limpo."
O amor não é uma alucinação romântica; é o único ato político capaz de sabotar o niilismo e a indiferença.
O amor não dói por ser intenso, dói porque revela o quanto somos dependentes do reconhecimento do outro.
Se a moral fosse filha do medo, ela desapareceria na ausência de vigilância; mas o amor a mantém mesmo no silêncio.
A criação não foi um ato de amor, foi um espasmo de tédio de uma entidade que não suportava o próprio vazio.
