Desaprender
Queria desaprender a amar
Pra quem sabe assim
Desconhecer o sofrer.
Ocorre, porém,
Que o poeta diz:
Que se não sofre
Não ama
E se não ama
Não sabe o que é viver.
E desse modo
Temos a vida,
Toda amor, mas sofrida, exaurida
Entorpecida,
Lagrimando, queimando,
Amando...
Com o tempo eu reaprendi a criar expectativas que antes eu tinha feito esforço para desaprender. Tomei consciência de que, sem elas, nada acontece. Se você não as cria, perde a esperança de que algo bom pode acontecer, de que pode dar certo.
É preciso abrir mão do seu antigo eu, desaprender a ser o que sempre foi, diminuir o nível de julgamento de si e de tantos que estão próximos, emitir menos sentenças de juízo. Somos todos bravos soldados na batalha da vida.
Poucas são as chances de sermos felizes, quando ruminamos diariamente histórias passadas, mantendo a mesmice de pensamentos, sem preocupar com a higiene da sua grande e única caixa preciosa de ideias.
Desaprender a tudo o que julgamos certo em nós, é dolorido. É quebrar o cristal de perfeição que acreditamos ser, e entender que a pedra mais preciosa desaprendeu a ser apenas pedra, para se tornar jóia rara.
"Aprender a desaprender de muitas coisas que fazemos em nosso cotidiano, também é um grande passo para granjear algo na vida."
Às vezes
Precisamos desaprender para aprender
Esquecer para lembrar
Fechar os olhos para enxergar
O que realmente importa.
Desaprender as antigas lições e, assim, curar as atitudes que bloqueiam a percepção que temos da presença do amor na nossa vida não é tão difícil como pode parecer.
Começamos a fazê-lo perguntando a nós mesmos, nos momentos em que sentimos angústia e pressão: meus pensamentos, sentimentos, palavras e ações estão neste momento em harmonia uns com os outros? Ou estou sentindo uma coisa, pensando outra, dizendo outra e fazendo outra? É exatamente essa desarmonia interior que nos causa dor, medo e angústia, e dissemina a confusão nos nossos filhos à medida que eles nos observam e aprendem com as nossas ações.
Quando existe harmonia entre o que sentimos, pensamos, dizemos e fazemos, não sentimos nenhum conflito interior. Nossos relacionamentos com nós mesmos e com os outros, em especial com nossos filhos, tornam-se abertos, amorosos e tranquilos. O amor que expressamos se expande, estendendo-se para o mundo.
É importante notar aqui que sempre temos uma escolha quanto a querermos optar pela paz de espírito em vez de optar pelo conflito, ou optar por amor em vez de optar pelo medo. Quando mudamos nossas atitudes para um sincero desejo de viver nossa vida mais honestamente em tudo o que pensamos, dizemos ou fazemos, sentimos harmonia e congruência dentro da nossa mente e nos libertamos da pressão ou da angústia que estamos sentindo.
Todos gostaríamos de ser cegos para os males deste mundo, embora ninguém possa desaprender a verdade.
Desaprender a gostar, mesmo que em um primeiro momento seja auto-violação dos sentimentos, pode ser em última instância a maior prova de amor que você pode se dar.
