Desaparecer
Tive medo de desaparecer de novo, como já aconteceu antes com outras pessoas.
Só que dessa vez doeu mais — porque era ela.
Eu não sabia lidar com o silêncio, e o medo de ser esquecido me fez insistir demais.
Às vezes acho que fui eu quem empurrou ela pra longe tentando trazê-la pra perto.
A criança que sentia demais
Ela aprendeu cedo
que o chão podia desaparecer.
Não por terremotos,
mas por silêncios que mudavam de humor,
por paredes que escutavam demais,
por relógios sempre prontos para correr
até um lugar branco, de luz dura.
Cresceu com antenas no peito.
Sentia antes de entender.
Pressentia antes de querer.
Enquanto outras brincavam de futuro,
ela brincava de equilíbrio:
não ocupar espaço demais,
não desejar alto,
não guardar segredos em gavetas frágeis.
Aprendeu a existir em modo de espera.
Como quem segura o fôlego
para não acordar o perigo.
Havia beleza, ainda assim.
Sempre há.
Ela colecionava migalhas de mundo:
um pedaço de céu visto da janela,
o cheiro de algo bom que não durava,
um riso emprestado no meio da tarde.
Com o tempo,
cresceu por fora
antes de crescer por dentro.
Levou para a vida
a inocência dos que nunca foram protegidos:
acreditou demais,
deu nomes às coisas antes de testá-las,
ofereceu o coração
como quem oferece água
num deserto que finge ser oásis.
Roubaram-lhe ideias
como quem colhe frutos de uma árvore
sem perguntar quem a plantou.
Confundiram sua entrega com fraqueza,
sua escuta com permissão.
E ela, ainda assim,
continuou aberta.
Porque quem aprende a sobreviver cedo
demora a aprender a fechar portas.
Mas há um ponto,
sempre há,
em que a criança cansada
olha para o adulto que se tornou
e diz, em silêncio:
agora é comigo.
Não há ruptura visível.
Não há vingança.
Há algo mais raro:
a construção lenta de um centro.
Ela começa a devolver pesos
que nunca foram seus.
A deixar no chão
o que carregou por amor mal compreendido.
Descobre que pode escolher
onde pousar o corpo,
a quem confiar a própria história,
o que merece permanecer intacto.
E então,
sem anúncio,
sem aplauso,
algo muda de lugar.
A vigilância vira atenção a si.
O medo aprende a descansar.
A criança não desaparece.
Ela finalmente encontra abrigo
no adulto que sobreviveu
sem perder a capacidade de sentir.
E isso,
isso é um tipo silencioso de vitória.
Meus queridos amigos, eu não penso em aparecer, não... às vezes eu penso é em desaparecer, sim... pena que não tenho ainda... tanto dinheiro para isso...
Os amigos podem falhar, errar, esquecer ou desaparecer. Os amigos que falham, erram, esquecem ou desaparecem, nunca desiludem.
Porque os amigos podem tudo, exceto morrer!
😔 Parece que o mundo todo apertou e você só quer desaparecer
um pouco pra não
sentir tudo de uma vez.
Eu pude ver, o sol desaparecer, do seu rosto, dos seus olhos, da sua vida.
Desapareceu.
Mas ela vai voltar.
“Vivemos em uma era de clamores. Gritamos para sermos vistos, porque temos medo de desaparecer no esquecimento.”
— Douglas Santos, em O Deus Silencioso
A embriaguez é uma forma mais leve de desaparecer de si, emprestando por algumas horas uma máscara a fim de aliviar as pressões interiores ou para esquecer o peso das preocupações.
Quando eu atravessei o meu deserto, vi muita gente que dizia estar perto simplesmente desaparecer.
Os de longe, poucos, ainda perguntavam o que tinha acontecido, mas era apenas pra alimentar a discórdia e fofoca , afinal, corações rancorosos.
Ali eu entendi, quem me sustentou não foi plateia, foi Deus. Ele foi minha fonte quando tudo parecia seco. A Palavra que diz “ser forte e corajoso” não ficou só na Bíblia, virou prática diária dentro de mim.
As poucas mãos que ficaram não eram muitas, mas eram verdadeiras. E com elas fiz conexões, levantei a cabeça e continuei caminhando. No meio da luta, tive que matar o menino ingênuo que ainda tentava sobreviver na minha alma. Não foi perder a essência, foi amadurecer.
Antes, o meu coração era aberto demais. Hoje ele é firme.
Não aprendi a destratar ninguém, mas aprendi a selecionar.
Não mudei minha verdade, só parei de jogar sozinho enquanto os outros jogavam diferente.
Sobrevivi.
E, no fim, foi um único braço que me sustentou de verdade.
Obrigado, Deus, por nunca soltar minha mão.
Graças ao perdão que me limpa.
Graças à energia que me mantém de pé.
pela minha paz, eu aprendi a desaparecer lentamente
dos lugares que me apertam,
das pessoas que me diminuem,
das situações que me roubam a luz.
mas antes de tudo, eu fico.
eu faço questão de ficar.
eu dou sinais.
eu converso.
eu explico o que dói.
eu mostro onde machuca.
eu tento ajustar o que ainda pode ser salvo.
não parto na primeira falha.
não desisto no primeiro silêncio.
não abandono no primeiro conflito.
eu permaneço enquanto há respeito.
enquanto há tentativa.
enquanto há reciprocidade.
eu já insisti demais.
já expliquei demais.
já tentei salvar o que não queria ser salvo.
e quando percebo que só eu estou sustentando,
quando meus sinais viram incômodo,
quando minha dor é tratada como exagero
eu começo a me recolher.
não faço alarde.
não anuncio partidas.
não bato portas.
eu apenas recolho o que é meu:
meu tempo,
minha energia,
meu afeto.
há quem chame de frieza.
há quem chame de orgulho.
mas só eu sei o quanto custou permanecer quando tudo em mim já pedia silêncio.
porque permanecer onde preciso me diminuir
é uma forma lenta de me abandonar.
e eu já me abandonei o suficiente em nome de amores,
de expectativas,
de pertencimentos que nunca foram casa.
pela minha paz, eu desapareço devagar
não por fraqueza,
não por indiferença,
mas porque aprendi que quem se ama
não permanece onde dói.
e se um dia eu for,
saiba:
antes, eu tentei ficar.
Às vezes quero desaparecer por algumas horas,
não pra morrer, não pra ir embora,
só pra não precisar ser nada.
Queria um lugar onde eu pudesse chorar sem culpa,
gritar sem explicação,
ficar em pedaços sem ter que me recompor rápido demais.
Só vou acreditar em milagres no dia em que a bancada evangélica desaparecer e o país se tornar laico de verdade.
E , hoje como outros dias , amanheci sentindo que ia desaparecer . E como nos outros dias aceitei isso muito bem .
Porque qualquer que seja a minha revolta, ela sempre vai desaparecer antes mesmo de eu ter movido meus pés do chão. Eu sou aquele tipo de moça que observa tudo e a todos de um jeito bem prático; O sorriso. Sem contar a minha simpatia com as pessoas. Eu ligeiramente sou simpática, sou nostálgica apenas quando vou me deitar, mas caiu no sono tão depressa que nem tenho tempo de me preocupar com a dor. Eu apenas me deito e fico me aconchegando...E lembro do dia em que toquei suas mãos. Mas antes mesmo de me render ao choro eu simplesmente durmo. Durmo e acordo abestada querendo saber; Por que até nos sonhos? A dor dói até em sonho, suas mãos eu sinto até nos sonhos, seus cabelos, suas lonjuras, suas botas imbatíveis e até a sua cumplicidade com o disco de sei lá o que tu gosta de ouvir, mas sei que não se parece nada comigo. Acordo sorrindo -depois de acordar abestada- acordo sorrindo. Vou viver a minha simplicidade, vou encarar a sua ausência, vou viver como qualquer outro...
