Deixarei que Morra em Mim

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Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havermos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

E quando descobri que minha felicidade só depende de mim, me livrei de tanta coisa desnecessária.

Penso em ti e dentro de mim estou completa. (...) Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.

No fundo de mim, estou eu.
No fundo de mim, estou sem fundo!

O quereres e o estares sempre afim
Do que é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitamente pessoal.

E eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim.

Deixai vir a mim as criancinhas, pois delas é o reino de Deus.

Entre, vem correndo para mim
Meu princípio já chegou ao fim
E o que me resta agora
É o seu amor

Eu não sei, mas acho que a gente olha e pensa: “Quero pra mim”. Mas dá um frio na barriga, um tremor, um medo de depender de alguém, de sofrer, de escolher errado, de lutar por algo que não vale a pena. Porque o coração nem sempre é mocinho. Foi por isso que corri, tentei fugir, mas quando tem que ser, não adianta, será.

Hoje uma conversa me fez parar e olhar para mim. Uma guerreira sonhadora que estava adormecida dentro de mim, resolver dar uns gritos. Sabe aquele tenso momento que o seu eu começa a conversar com você? E você pensa assim: "Pronto, endoidei!", sabe?
Então, essa garota disse algumas coisas bacanas que eu querida dividir com vocês, vai que ela esteja tentando falar com você também, mas você não consegue ouvir...
Ela disse assim:
"Ei menina, se olha no espelho, para um pouquinho e lembra do último cara que você beijou, aquele gato, loiro, dos olhos de mar, que te olhava nos olhos e não se cansava de te beijar. Lembra das coisas picantes que ele falou no seu ouvido enquanto você gemia de prazer? E daí que ele não era o seu grande amor? Foda-se esse amor, sinceramente amor não combina com dor, esquece esse cara que não reconhece o seu valor. Tá bem, não da pra esquecer? Então não esquece, mas volte a viver. Você é linda, lembra dos suspiros no elevador? E aquele seu professor, fala serio, ele é muito mais lindo e sarado que esse seu amor, e boba, ele é louco por você! Você é especial, não deixe nada nem ninguém te fazer esquecer disso. Tem gente que não vive sem o seu sorriso, fica perto de quem te faz bem, te quer bem, te quer de verdade, quer só sacanagem, mas deseja você, é só separar, não deixar se envolver se sentir que vai sofrer.
Esquece as magoas, não se deixe abater. Não é você quem diz que o que não mata fortalece, e o que não é benção é livramento? Então, passa um batom, coloca aquela sua roupa linda, vá ver os amigos, eles adoram você. E quando as lembranças tristes, das feridas, dos amores perdidos, das alianças quebradas, daquilo que não te fizeram sofrer, lembre-se: Triste deve ser a vida de quem perdeu você!"

Tento ser muito legal com todo mundo, se você gosta ou não de mim, o problema já é seu.

Quando Deus aparece pra você?
Pra mim, ele aparece sempre através da música. Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que preciso estar reconciliada comigo mesma. De forma inesperada, a música me transcende.
Deus me aparece nos livros, em parágrafos que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.
Deus me aparece – muito! – quando estou em frente ao mar.
Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer. Quando um amigo me liga de algum lugar distante e demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima. Deus aparece no sorriso e no abraço espontâneo de alguém querido. E nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.
E quando eu o chamo de cara e ele não se aborrece, aí tenho certeza de que ele está mesmo comigo.

Martha Medeiros

Nota: Versão adaptada de trechos da crônica "Quando Deus aparece", do livro "Feliz por Nada", de Martha Medeiros

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Por favor, não faça de mim uma piada. Termine a entrevista falando no que acredito. Não me importo em fazer piadas, mas não quero parecer uma. Quero ser uma artista, uma atriz com integridade

Não sei o que posso parecer para o mundo, para mim mesmo, porém, parece ter sido somente como um menino que brinca à beira do mar, tendo me distraído me encontrar vez por outra um seixo mais liso ou mais bonito que o comum, enquanto o imenso oceano da verdade se estende à minha frente, inteiramente desconhecido.

Depois de ter cortado todos os braços que se estendiam para mim; depois de ter entaipado todas as janelas e todas as portas; depois de ter inundado os fossos com água envenenada; depois de ter edificado minha casa num rochedo inacessível aos afagos e ao medo; depois de ter lançado punhados de silêncio e monossílabos de desprezo a meus amores; depois de ter esquecido meu nome e o nome da minha terra natal; depois de me ter condenado a perpétua espera e a solidão perpétua, ouvi contra as pedras de meu calabouço de silogismos a investida húmida, terna, insistente, da Primavera.

Procura-me

Quando eu partir,
se deres falta de mim,
procura-me, nas flores do jardim.
Escolhi assim
para enfeitar de perfumes e cores
as paixões.

Procura-me, na madrugada,
quem sabe posso estar até calada,
falando de amores, nas canções?
Procura-me,
nas estrelas e constelações,
é bem certo que eu esteja,
em qualquer universo,
cintilando emoções.

Procura-me, nos encontros,
nas ternuras da vida,
estarei vibrando, em cada abraço,
serei até sentida:
nos olhos, nos beijos, na despedida,
fugindo das solidões.

você faz tudo para que os outros percebam
que você gosta de mim
e agora que estamos sós
você não tem dó e me deixa assim

por que você não me agarra
e dá um fim no que me atormenta

por que você não se senta
e me explica o que é isso enfim?

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 1999.

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, 'stou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!

Fernando Pessoa

Nota: 23-10-1931

Eu posso não ser totalmente perfeito, mas algumas partes de mim são realmente excelentes.

Amei a mim, amei a ti, parti-me no meio
te amei no profundo, no raso e com atraso
não era tua hora, não era minha vez".