De Repente Nao mais que Derepente

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Não falar para o seu século é falar com surdos.

Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.

Um homem que acaba de arranjar um emprego já não faz uso do espírito e da razão para regrar a sua conduta e as suas atitudes perante os outros: toma de empréstimo a regra do seu posto e da sua situação; donde o esquecimento, a altivez, a arrogância, a dureza e a ingratidão.

Caso não ponha fim à guerra, esta não será uma vitória.

Não ser amada é uma desventura; mas deixar de sê-lo é uma afronta.

Poucas vezes quem ganha o que não merece, agradece o que ganha.

Das mulheres, como das outras coisas, usa; não te fies, porém, nelas.

Não é dado ao saber humano conhecer toda a extensão da sua ignorância.

A sabedoria é geralmente reputada como pobre, porque não se podem ver os seus tesouros.

As leis mantêm-se em vigor não por serem justas, mas por serem leis.

Considero a família e não o indivíduo como o verdadeiro elemento social (arriscando-me a ser julgado como espírito retrógrado).

A razão, sem a memória, não teria materiais com que exercer a sua atividade.

Pouco dizemos quando o interesse ou a vaidade não nos faz falar.

O homem não é apenas um ser que sabe, mas é também um ser que sabe que sabe.

Teilhard de Chardin
A Aparição do Homem

Há muita gente boa e feliz, porque não tem suficiente liberdade para se fazer má e desgraçada.

As pessoas vaidosas não podem ser astutas; elas são incapazes de se calar.

Não emprestes, não disputes, não maldigas, e não terás de te arrepender.

Se não estás disposto a matar aquele a quem pretendes odiar, não digas que o odeias; estás a prostituir tal palavra.

Para não corar diante da sua vítima, o homem, que começou por feri-la, mata-a.

Contemplação

Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre ideias e espíritos pairando...

Que é o Mundo ante mim? fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existências...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...

E dentre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido

Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só pressentindo...