De Repente Nao mais que Derepente

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As pessoas dizem que não vamos dar certo porque somos muito diferentes, mais não se completa um quebra-cabeça com peças iguais.

Você acha que é inútil porque ele não te ama. Você acha que, porque ele não te quer mais, ele está certo - que o julgamento e a opinião dele sobre você estão corretos. Se ele te joga fora, então você é lixo. Você acha que ele pertence a você porque você quer pertencer a ele. "Pertencer" é uma palavra ruim. Especialmente quando você a usa com alguém que ama. O amor não deve ser assim.
Você já viu a forma como as nuvens amam uma montanha? Elas circulam ao redor dela; às vezes você não consegue sequer ver a montanha por causa das nuvens. Mas você sabe o que mais? Você vai lá em cima e o que você vê? A cabeça da montanha. As nuvens não cobrem sua cabeça. Sua cabeça espia através delas, porque as nuvens deixam; elas não a envolvem. Deixam que ela mantenha a cabeça erguida, livre, sem nada que a esconda ou prenda. Você não pode possuir um ser humano. Você não pode perder o que não possui.
Suponha que você realmente o possuía. Você poderia realmente amar alguém que não seria absolutamente ninguém sem você? Você realmente quer alguém assim? Alguém que cai por terra quando você sair pela porta? Você não, não é? E nem ele. Você está entregando toda a sua vida a ele. Toda a sua vida, menina. E se isso significa tão pouco para você que você pode simplesmente entregá-la, entregá-la a ele, então por que é que significaria mais para ele? Ele não pode te valorizar mais do que você valoriza a si mesma.

Já começo a sentir o gostinho de desprezo vindo de você e eu só lamento por não ter mais tempo para fazer o mesmo. Eu sei, você tem suas palavras e atitudes hipócritas, mas eu não me importo querido, não mais. Eu vou dar o máximo de mim e praticar o desapego por você. É, por você. Por mim eu não lembrarei o seu nome por tão cedo. E não vai embora não, fica. Fica e carregue com você seu desprezo e o remorso de ver minha felicidade contemplando a sua hipocrisia.

Mesmo que a vida não seja fácil, estou torcendo por você. Mais do que hoje, espero que você esteja mais feliz amanhã. Desejo-lhe 10 vezes felicidade.⁠

Uma das coisas mais inteligentes que um homem e uma mulher podem saber é saber que não sabem.

Mario Sergio Cortella
Qual é a tua obra? Petrópolis: Vozes, 2009.

Eu posso não ser muito, esperto, mais eu sei o que é o AMOR!

Eu não quero ser a garota que ri mais alto
Ou a garota que nunca quer ficar só
Não quero ficar ligando às quatro horas da manhã
Pois sou a única que nunca está em casa

-Sober-

Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.

Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.

É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. Ser brotinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar sonso-vagaroso, abraçada a uma porção de elepês coloridos. É dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e natural. É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.

Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento exato de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois cruzeiros com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.

É telefonar muito, estendida no chão. É querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. É fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento, pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.

Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite e sem roupa, completamente. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.

É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. É ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do Porto e ter dado um vexame modelo grande. É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.

Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado ballet e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gatinho magro que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue-jeans. Ter horror de gente morta, ladrão dentro de casa, fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. Eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. É fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. É policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar songamonga de quem nada vê, nada ouve, nada fala.

Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.

Não somos mais, não somos menos. Somos Palmeiras, basta!

⁠“Não existe criatura na Terra mais aterrorizante do que um homem realmente justo”. — Varys

Eu simplesmente não entendo. Pelo menos uma vez na vida de um menino, ele sonha em se tornar o mais forte do mundo.

Nunca deixei de te amar , silplesmente me permiti não sofrer mais !

Creio que a não violência é infinitamente superior à violência, e que o perdão é bem mais viril que o castigo...

Ódio por ele? Não...se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado (...)
Nunca mais amá-lo é já bastante! (...)
Ódio por ele? Não... não vale a pena...

A inveja representa muito mais do que cobiçar aquilo que não nos pertence. Ela é um autorretrato tosco daqueles que são incapazes de se satisfazerem consigo mesmos. Num mundo onde tudo se resume a uma competição sem freio e desleal, o gostoso é se sentir leve por tudo que não se tem e que, na verdade, não faz falta nenhuma.

Bailarina

Não quero
mais o seu amor!
Não quero
mais ficar nas
pontas dos pés,
para alcançar
o seu coração.
Quero ser apenas, eu!
A bailarina que
você esqueceu.
Mas que ainda
hoje continua
a dançar...
Porque essa
é realmente
a minha paixão.

Eu grito pra não sufocar, escrevo pra não explodir, por mais que eu fale, ninguém compreende, isso é tão meu, é estranho pra mim, só pra mim.

Dá muito mais trabalho provar que não gosto de você, do que provar que gosto. No primeiro finjo muito, no segundo eu só fingia um pouquinho.

Só desista dos seus sonhos quando não for mais possível respirar.

Saudade que mais maltrata
é aquela que a gente sente
por uma pessoa ingrata
que não se lembra da gente.