Dança
A vida é igual uma dança
Outrora mais lenta outrora mais agitada
Ritmos dos mais diversos
Do mais fino ao mais modesto
Acelerado nos tempos da juventude
Após as batidas não são mais as mesmas
Mas a sensibilidade do tom nos deixa mais afinado
Vem dança comigo na chuva brinca comigo, corre comigo, deita comigo e olha a chuva caindo em nossos rostos ri comigo, vê isso é tudo que precisamos pra atingir o céu.
Nas minhas horas vagas tento dançar tango no teto, tento tirar das coisas monótonas um coelho da cartola. Tento fazer poesia, bem desajustada, bem fora da casinha. Tento dar o ar da graça. Me inspiro, me reinvento, me completo. E aí que reconheço que as pequenas coisas têm um valor implacável..
Levo minha sina para dançar conforme o vento
Tento escapar de seus passos salientes enquanto
minhas feridas se abrem e me lembram de outros tempos
onde minha vida não era em vão
Apaixone-se por uma alma pensante, por um corpo dançante, por um sorriso radiante, por braços aconchegantes e por olhos amantes de tudo isso
O FLAMENCO DA POVEIRA
Como ela dançava e cantava o flamenco
Nas praças da minha infância,
À compita com Juvenço
Moço tropa de bota alta
Tipo peralta,
Mas homem sem substância.
Rodopiava louca
E batia em sincronia
O tacão
Dos sapatos da ilusão
E cantava com voz rouca,
Já com energia pouca,
Nos tempos de servidão.
Emília, a ti Poveira,
Mulher de raça
Sem trapaça
E dos copos
Só, sem tremoços,
Que a esmola não dava trocos
Para mais que o copito
Absorvido
Engolido
De súpeto
Feito ímpeto
Na garganta ressequida,
Ferida,
Naquela tarde de esfolar o pito.
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 30-07-2022)
DANÇAS DO VENTRE E OUTRAS EXCITAÇÕES
Era na noite avançada
Dos nossos tempos idos.
Aplicavas os teus fluídos
Nos requebros do teu ventre,
Em danças que a gente sente
Acordar libidos adormecidos.
Em lascívias
Óbvias
Do teu tronco,
Em sinais de púbis molhados
Nos negros caracóis
Fantasiados
Nos brancos lençóis,
Que depois da dança tua
De ventre
E de frente,
Fazíamos amor
Cansado
Mas sempre apetecido
Quando regurgitavam
Orgasmos,
Em espasmos
De loucura e dor.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-04-2023)
Sinto meu coração dançando de expectativa, como um cometa que ruma em direção ao seu calor, irresistivelmente puxado por sua gravidade.
Em meu interior, um turbilhão de sensações se agita, como as ondas que beijam a praia em uma noite de lua cheia. Anseio por sentir a sua presença, como a terra anseia pelo toque gentil da chuva após uma seca interminável.
Meu coração, uma guitarra elétrica loucamente ressonante, clama pelo seu toque, como uma torrente de lava que busca o seu caminho pelas encostas íntimas do desejo. Cada pensamento meu é uma chama ardente, e você é o único capaz de apagar esse fogo em mim.
Somos como o fogo e a pólvora, uma mistura explosiva de paixão que ilumina o céu da noite com a nossa entrega apaixonada. Cada beijo é uma faísca que incendeia nossas almas, e cada toque é um terremoto que abala nossos sentidos.
Venha a mim como uma tempestade vulcânica, desencadeando a fúria de nossos desejos incontidos. Seremos como lava incandescente, moldando um terreno inexplorado de paixão selvagem.
Sonhou
rolar com ela
na cama
no chão
Dançar com ela
no quarto
na sala
na casa inteira
Acordou
O sonho havia morrido...
outro 2 de Novembro.
Vamos começar poetizando versos
Aceitando um convite pra dançar
Vamos caminhar sem pressa,
sem nos cobrar demais.
Talvez quem sabe...
Às vezes o começar de novo,
seja apenas ser porta
(Talvez quem sabe?)
Às vezes o começar de novo,
seja apenas ser poeta
(Talvez quem sabe?)
Neste profundo abismo do sentir,
Onde a luz e a sombra podem se unir.
Amar é...
dançar entre risos e lágrimas.
É vida pulsando também em tramas trágicas.
Dançar conforme a música é muito mais que seguir um ritmo musical e sim uma forma de não criar expectativas que poderão tornar-se em decepções e frustrações!
3º ano CCF GEO - 2009
Se uma manhã durase uma vida
se a dança nunca acabasse com os seus passos
o tempo que não permite a manhã e a dança
são as saudades de um tempo
um tempo que nunca volta mais
as lembranças que restaram
lembranças em um carbono antigo
não reproduz a mesma imagem
as faces de cada amigo
o tempo reverteu nossa ilusão
criou a realidade do passageiro
e fica preso no passado
cada sonho verdadeiro
estudando um espetáculo
vergando os aplausos
durando um ano inteiro
