Curiosidade
O silêncio é a tua maior Vitória! Sem detalhes, para que a curiosidade justamente não se satisfaça;
Os olhos alheios imaginam e falam demais sem as palavras ditas;
Os opostos até podem acender uma faísca inicial, gerar aquela curiosidade gostosa que parece novidade eterna. Mas a mesma oposição que encanta no começo costuma se tornar o atrito que desgasta. A chama vira ruído. A novidade vira cansaço.
Há quem olhe de longe
não por saudade,
mas por inquietação.
Curiosidade não é cuidado.
É a pergunta que se faz
sem coragem de escutar a resposta.
Quem observa em silêncio
costuma carregar dúvidas
que não sustenta em voz alta.
Espia para confirmar
se a escolha feita
ainda se justifica.
Mas olhar não é presença.
E visitar não é permanecer.
Há histórias que não aceitam plateia
de quem escolheu não ficar.
Algumas portas seguem visíveis
não por convite,
mas por transparência.
Outras jamais se reabrem,
mesmo quando vistas.
E se alguém entende ao ler,
entende porque sabe.
Curiosidade reconhece
aquilo que não foi resolvido.
Curiosidade bíblica
Você sabia que, no episódio registrado por Mateus 8, Marcos 4 e Lucas 8, nenhum desses três autores estava presente quando Jesus acalmou a tempestade no mar e seguiu viagem para Gadara?
Curiosamente, dos quatro evangelistas, o único que possivelmente estava presente era João, filho de Zebedeu. E há um detalhe surpreendente: embora tenha testemunhado esse acontecimento, João é o único dos cinco presentes (Jesus, João, Pedro, Tiago e André) que não registra esse episódio em seu Evangelho.
Possivelmente, cada evangelista obteve essas informações da seguinte forma:
Mateus: ouviu o relato de João, Tiago, André ou Pedro, pois sua conversão aconteceu depois desse episódio.
Marcos: escreveu com base no testemunho de Pedro.
Lucas: reuniu informações a partir dos relatos dos apóstolos e de outras testemunhas oculares.
Vale lembrar que Marcos e Lucas não eram apóstolos, e Mateus ainda não havia sido chamado por Jesus quando esse acontecimento ocorreu.
Por Ubirajara Almeida
Como não se mata a curiosidade científica, e sim a incentiva.
- faz perguntas
- não obtém a resposta certa
- decide descobrir por si mesmo
- comete um erro
- não desiste
- Aprende a ter paciência
Entre a burrice e a coragem existe uma linha bem tênue. Assim como entre a curiosidade e a imprudência.
A ciência não nasce de qualquer curiosidade, mas da investigação rigorosa que pode ser testada e validada.
Um belo dia, desses em que a gente abre o Instagram mais por tédio do que por curiosidade, como quem abre a geladeira esperando que um brigadeiro mágico tenha brotado do nada, lá estava ele. Sugerido. Entregue pelo algoritmo como se fosse uma encomenda atrasada do passado. A pessoa que eu mais amei nessa vida, ali, em pixels bem organizados e uma bio que provavelmente nem dizia metade do que um dia eu achei que ele era.
E foi estranho. Não aquele estranho de arrepio ou saudade que aperta o peito, não. Foi um estranho quase burocrático, como reencontrar um conhecido antigo no mercado e perceber que você não tem absolutamente nada para dizer além de um “oi” educado que nem chega a sair. Eu olhei e pensei, com uma calma que teria me assustado anos atrás: eu não o conheço mais. Talvez nunca tenha conhecido.
Porque a verdade, essa senhora inconveniente que chega sem bater, é que a gente ama muito mais a versão que constrói do que a pessoa em si. Eu amei um garoto de 16 anos que despertou em mim um universo inteiro, como se tivesse apertado um botão secreto dentro do meu peito que ninguém antes tinha encontrado. E eu fiquei ali, por muito tempo, vivendo daquele eco, daquela sensação inaugural, como se o primeiro amor fosse um selo de autenticidade na minha história.
Eu queria que ele tivesse crescido ao meu lado. Queria que o tempo tivesse sido gentil o suficiente para nos transformar juntos, como duas xícaras esquecidas no mesmo canto da mesa. Mas a vida não é esse romance organizado que a gente planeja na cabeça. A vida é meio bagunçada, meio irônica, meio debochada. Ela separa com uma naturalidade impressionante aquilo que a gente jura que nasceu para ficar.
E separou.
Só que o mais curioso não foi a separação. Foi o depois.
Depois veio alguém que dizia nunca ter conhecido o amor. E eu, que já tinha um coração com histórico de quedas, cheguei cautelosa, quase com um manual invisível nas mãos. Observando. Testando. Duvidando. Porque amar de novo não é exatamente romântico, é quase um ato de coragem meio inconsequente. É tipo provar uma comida que já te fez passar mal, torcendo para que dessa vez o tempero esteja certo.
Ele era um homem feito, mas com aquele jeitinho de menino que ainda não entendeu algumas coisas básicas da vida. E eu fui, sem perceber, ensinando. Mostrando. Traduzindo sentimentos que às vezes nem eu mesma dominava tão bem assim. E no meio disso tudo, eu me tornei o primeiro amor dele. Olha que ironia bonita. Eu, que carregava um primeiro amor como uma espécie de monumento interno, virei o primeiro amor de alguém.
E eu gostei disso. Não vou mentir. Tem um certo charme em ser o começo de alguém, em ocupar esse lugar inaugural que muda tudo.
Mas não foi fácil. Eu tive medo. Medo de me decepcionar, medo de repetir a história, medo de investir de novo em algo que poderia virar mais uma lembrança guardada numa gaveta meio empoeirada da alma. Só que, diferente da primeira vez, eu não fui no impulso. Eu fui construindo. Lapidando. Questionando. Como quem monta um quebra-cabeça sem a imagem da caixa.
E, aos poucos, fez sentido.
Hoje, tantos anos depois, o amor não é aquele incêndio descontrolado do começo da vida. Ele é mais estável, mais consciente, mais… decidido. A gente se ama com uma escolha diária, quase teimosa. Não é perfeito, longe disso, mas é real. E talvez seja isso que mais importa no fim das contas.
E então, naquele dia, diante da sugestão do Instagram, eu percebi uma coisa simples e libertadora: não fazia mais sentido. Não havia mais curiosidade, nem saudade, nem aquela vontade boba de stalkeada estratégica. Só havia um “X” ali, discreto, quase tímido, esperando para ser clicado.
E eu cliquei.
Sem drama. Sem trilha sonora. Sem discurso interno elaborado. Cliquei como quem fecha uma aba desnecessária no navegador da vida.
Porque, se existe essa ideia bonita de que somos amores de outras vidas tentando nos reencontrar, eu realmente espero que, em algum outro tempo, em alguma outra versão de mim, a gente tenha dado certo. Que a gente tenha se encontrado no momento certo, com a maturidade certa, com a vida menos caótica.
Mas não foi nessa.
E tudo bem.
Porque nessa vida aqui, nessa bagunça organizada que eu aprendi a chamar de lar, eu já tenho o amor que eu quero ter até o fim. Não aquele que me ensinou a sentir pela primeira vez, mas aquele que escolheu ficar quando sentir deixou de ser novidade e virou compromisso.
E olha… entre um amor que marca e um amor que permanece, eu fico com o que fica. Sempre.
A atenção gerada pelo desrespeito é apenas curiosidade passageira; o afeto conquistado pela bondade é respeito para a vida toda.
Talvez eu não tenha medo de morrer. Talvez tenha apenas curiosidade para descobrir se, finalmente, alguma coisa terá coragem de ficar.
Fui visitar o passado apenas por curiosidade e voltei com o coração cheio de gratidão. Quantas vezes Deus me livrou sem que eu sequer percebesse?
Curiosidade para os fãs de Mortal Kombat! Apesar do ator Hiroyuki Sanada dar vida ao Scorpion nos filmes, a voz por trás do icônico "Get over here!" é do Ed Boon, um dos criadores da franquia. Eles mantiveram o som original como uma homenagem!
Mac Jhogo
És um lindo mistério que transita pelos meus pensamentos, instiga minha curiosidade assim como uma história de suspense, o teu jeito discreto é tão atraente como um pequeno feixe de luz que contraria uma grande escuridão, mas pra desfrutar do teu desfecho, é necessário ter apreço e bastante atenção, sem ignorar nenhum detalhe, caso contrário, todo o esforço será em vão.
