Cuidando do meu Jardim
Hoje eu abro o meu guarda-roupa,
Visto a melhor roupa e guardo a minha alma;
Num cabide penduro minha sensibilidade,
Cadê os meus poemas que perambulavam
Nas meias-solas do meu sapato,
Era bom sonhar com o beijo eterno,
Eu que não tinha jeans muito menos terno;
Mas era tão bom sonhar com as ancas
Generosas nas praças suburbanas;
Aquele meu romantismo em busca do inconcebível
Do que parecia inalcançável
Era o que me punha de pé toda manhã,
Cadê aquele jovem sonhador que cheirava a contouré
E mascava chichetes de hortelã;
Hoje os dias são tão violentos, a vida é tão rápida;
Alguns amores não resistem à alguns encontros
Alguns adolescentes se perdem nos desencontros
Mas aquele jovem, que ouvia baladas com a alma cheia de sonhos
Pippers nos bolsos de uma topeka
E um montreal fubento machucando o calcanar...
Descrevia bem os bons desejos de viver e de amar
Vai no meu olhar
olhar a minha alma...
e a paisagem tão serena é uma miragem
que a ansiedade banha no açude;
fiz o que pude e o que não pude,
mas o amor segue nessa estrada infinita
a se perder nos montes,
é uma vadiagem que o coração permeia,
o meu amor é tão vadio,
é tão vazio de vazios,
numa alma tão pequena a abrigar o mundo,
e apenas num segundo
o meu amor cabe no que não vejo,
mas me intui este desejo de te amar
Não posso te falar de amor,
não posso te falar de amor
o meu amor é tão calado,
é tão mudo, tão silente, tão oculto
o meu amor é a periferia perigosa,
pisa em ovos,
olha de soslaio,
fala sozinho com essa multidão de becos,
travessas e vielas
essa multidão que não ouve,
não fala e nem escuta falar de amor
Não tenho medo mais da solidão,
já enganei meu coração
que posso ser feliz sem teu amor
se as noites são vazias eu penso assim,
e penso, assim eu vivo esta ilusão.
ACREDITAR
No meu sonhar só vejo teu olhar
só beijo teu umbigo
eu sigo meu desejo
e mais do que sonhar
eu quero acreditar
que acreditar nessa paixão
que longe do que eu penso; eu penso longe
eu quero acreditar que existe vida...
e mesmo com o olhar perdido,
o meu olhar que cai com o sol...
que cai com a tua ausência,
com os absurdos do dia a dia...
tem uma luz que conduz a crer
que o amor é que ilumina
Meu olhar buscou a lua
A vacilar no firmamento
Sem saber como flutua
Minhalma neste tormento
caminho triste e confuso
indiferente às estrelas
não sei o que quero ou procuro
não sei se desejo vê-las
Filha da Terra
Deixe-me te sentir sob a minha pele.
Encostar em você.
Deixe que meu cabelo envolva o seu corpo.
Faça da sua voz natural a mais alta que existe.
Você é a mais forte que já vi,
a mais pura,
a mais linda.
Deixe-me te entender,
te fazer bem.
Deixe-me te recompensar por me doar o ar que respiro
antes que ele me sufoque.
Eu sinto muito.
Já é hora de lhe deixar.
Mas sei que você terá muitos outros filhos
que, com sorte — e um pouco mais de amor —
cuidarão de você.
Minhas reflexões sobre você me tornaram alguém mais maduro.
E eu sinto muito por ter lhe perdido.
Ouça-me.
Perdoa-me.
Eu te amo.
São tantas palavras que cuspo da minha mente na esperança de aliviar meu pensamento, mas na mesma velocidade que limpo, tudo já se suja.
Palavras me salvam, me contagiam, e o conjunto delas se forma num sentimento que arranquei de mim.
Sim, arranquei. Porque dói.
Tudo dói, e nessa distância da minha sobriedade já perdi o caminho de volta. Existe uma faísca de esperança de ser tão boa quanto já fui um dia, mas algo me diz pra olhar para frente e não para trás.
Porém, o futuro é escuro. Preciso chegar até ele, acender uma luz para descobrir o que ele esconde.
Mas isso não parece conveniente para mim. Temo me tornar alguém pior, ou ficar pior, e ao invés de subir, só descer — andando para frente.
Mas e se eu não andar?
Nunca fui de me arriscar, porque na mesma possibilidade de dar certo, pode dar errado.
Eu sou forte, mas não sei se o peso que a minha mente irá me colocar caso eu saia da linha será algo que posso aguentar. Existe a possibilidade de ser um novo PR que irei bater, ou talvez o peso me esmague de uma vez, e acabe com o sofrimento de vez.
Possibilidades, riscos, e se...
Os fantasmas do meu passado me perseguem, ou eu que os proclamo?
Pois neles havia profundidade e menos dor.
E minha alma é profunda, é colorida, é um espiral de emoções, de visões e situações que se repetem — flashbacks, memórias de uma alma profunda.
Uma alma que tem sede de alguém que queira mergulhar nela, escorregar no espiral e desvendar os mistérios.
Alguém que queira, e ame.
Se dedique, me ame, me desvende.
Não sou só o que você vê.
Mas parece que o que te dá motivos para continuar é o que vê, não o que escuta, não o que desvendou — se é que houve tempo para desvendar algo.
Eu não sou só físico.
Eu sou alma.
Enxergue minha alma.
Me escute.
Me ouça.
Não é difícil enxergar minha alma.
Olhe nos meus olhos — eles são a porta.
Eles mostram as dores que nasceram no silêncio, as dúvidas que surgiram de olhares, a curiosidade pelo mundo, as diferentes vibes.
Eles são as portas de quem eu sou.
E é por quem eu sou que você tinha que ter se apaixonado.
Por tudo que compõe o que sou.
Por todas as partes.
Não somente por uma.
Dinheiro, Ah!, nunca tive,
nem tenho,
Mas não subestimo meu engenho.
Não fui, nem fiquei, eu ainda venho;
Nunca me entrego, eu me empenho;
Não brigo e nem guardo mágoas,
eu me contenho;
Eu não finjo crer, na realidade me atenho;
Jamais me convenço, eu me convenho;
Não rejeito alimento algum, apenas me abstenho.
Na vida, bastar-me-ia a paz de tu'alma em Minh'alma, se tão somente humilde eu fosse.
Mas meu egoísmo natural e intrínseco insiste em seu voraz descontentamento, insuflando-me ao pecado.
Impotentes, nostr'almas em constante torpor de cega paixão, rendem-se impotentes,
quais inocentes púberes em reincidente pecado.
Bastar-me-ia tua lucidez, não fosse o fato de não poder assim ser.
Sou falto de razão, afoito ao erro.
Tu, oposto de mim, és senão a razão, pelo menos a sensatez.
Sou pedra de tropeço, não caias por mim, pois paixão é fogo abrasador;
é vento enlouquecido que tudo destrói, afoito ao desejo e indiferente ao erro.
Assim sou eu, planta do deserto, insensível ao calor e ao frio.
Tu és flor delicada, embora forte como raiz profunda.
Na dor ou ventura, és forte e serena como o cândido luar do paraíso.
Bem sabeis: amor é como brisa que acalma, mas a paixão cega e corrompe os sentidos.
N'amor sou fiel e guerreiro, mas o discernimento não guia meus passos.
Sou pedra de tropeço. Não caias por mim, pois vivo em trevas.
Segue teu caminho de luz, mas sem mim, pois desconheço a razão.
"Se vos engana meu sorriso,
decerto se surpreenderás com minhas lágrimas disfarces,
pois é n'alegria que se esconde minha fúnebre melancolia. "
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Nil Silva GBA , um dia após ficar órfão de pai (09-10-2020)
Minha verdade (meu olhar)
Autor: Nyll Mergello
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Minha verdade está
Além de palavras convincentes
De mera filosofia
Ou alienações psíquicas*
É preciso mais que isso
Para me encontrar
Quer me enxergar além?
Então
Sonde o abismo do meu olhar
Perscrute meu coração
E talvez encontre o que procura
Lá dentro, em algum lugar
Minha mente é blindada
Sou como um tiger
À prova de fogo e dor
Frio como um android
Indiferente a Foucault,
Nietzsche e Freud
Quer me enxergar além?
Então
Sonde o abismo do meu olhar
Perscrute meu coração
E talvez encontre o que procura
Lá dentro, em algum lugar
Os meus sentimentos eu não escondo, são tão evidentes no meu olhar. O amor é perfeito, habita o peito ( é como uma canção de ninar).
Meu silêncio é um grito de socorro
Minhas lágrimas são solidão
Meus sonhos são feitos de espinhos
Minha realidade é só escuridão.
Me tornei folha ao vento,
sem rumo e sem destino.
Que desatino - de homem a menino
No endereço de todos os perdidos:
Avenida dos Desesperados,
número zero à esquerda.
Tacaratu, meu verso primeiro
Nasci onde a aurora não apenas nasce — floresce,
como se o céu inteiro se inclinasse pra beijar a terra.
Ali, o luar não ilumina — acaricia,
com a ternura de um sonho que insiste em ficar.
Meu lugar…
ah, meu lugar é espelho da alma minha:
tranquilo feito riacho que desliza em segredo pela planície,
sereno como prece que o coração murmura sem voz.
Falar de Tacaratu é perder-se em devaneios sem fim,
é tecer saudades em fios de vento,
é chorar com os olhos fechados
por memórias que doem — e acalentam.
Tacaratu, terra de gloriosas nostalgias,
de encantos agrestes e eternos.
Altiva, como as serras do Piranhas que te guardam,
parte nobre do velho e sonhador maciço da Borborema.
És mais do que berço:
és raiz e voo,
és chão e reza,
és a metade de mim que nunca se ausenta.
Tu és minha.
E eu, irremediavelmente teu.
Somos feitos um do outro,
em silêncio, sol e saudade.
Eu te amei ontem, te amo hoje, amanhã te amarei com certeza, pois, o meu amor é igual o sol, te aquece, ilumina e nenasce a cada manhã.
Quando penso em você
Lembro-me da fatura do meu cartão de crédito.
Um enorme susto para quem já foi rico.
Zoeira Galvão😅
É na madrugada que converso com Deus, as lágrimas rolam, meu coração acelera, o Espírito Santo me toca, meu corpo estremece.
É de joelhos dobrados que a intimida aumenta a cada dia.
Todos os desejos do meu coração é lançado em oração. Conversar com Deus é tão bom. Quem diria eu, um pecador, poder conversar e receber resposta da boca de Deus!
