Crueldade

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A verdadeira crueldade está em pisar em quem já carrega uma dor invisível, transformando uma condição de saúde em motivo de humilhação.

Zombar de quem enfrenta batalhas invisíveis na alma é uma crueldade que só o arrependimento sincero pode curar — busca ao Salvador e transforma a tua postura antes que seja tarde.

Pára de alimentar o preconceito e a crueldade; usar a saúde mental alheia para pisar e humilhar só mostra o quanto a tua própria alma precisa de libertação e cura.

Se queres mesmo encontrar a Deus, começa limpando o teu coração do desprezo e da crueldade com que tratas quem é diferente ou incompreendido por ti.

É de uma crueldade sem tamanho humilhar quem já carrega lutas tão pesadas na mente; a sociedade ataca o que é puro porque perdeu a capacidade de compreender a inocência.

Quem usa o diagnóstico alheio para alimentar a própria crueldade carrega uma enfermidade invisível e muito mais profunda: a ausência total de empatia no peito.

O diagnóstico não define o valor de ninguém, mas a sua crueldade define quem você é; pare de condenar as pessoas e procure amar a cada irmão.

"A crueldade humana não se contenta em fingir invisibilidade; ela humilha, joga piadas venenosas no ar e comemora quando o trabalhador precisa engolir o próprio choro e os doces amassados no final do dia."

Fazer o bem ao próximo não é um favor, é um dever básico de humanidade. Quem semeia a crueldade colhe a própria solidão.

A dor diz respeito ao outro, não a ela: O desprezo e a crueldade nunca são sobre as imperfeições da vítima, mas sobre o vazio, a insegurança e a podridão interior de quem ataca. A dureza do agressor é apenas um reflexo da incapacidade dele de lidar com a própria pequenez.

A Crueldade da Poesia


A poesia é uma fera que lambe o sangue que ela mesma faz jorrar.
Finge consolar, mas apenas prolonga o suplício.
Diz que salva — e salva mesmo —
mas do modo como um naufrágio salva o mar: afogando.
Ela exige do poeta o que o mundo não ousa pedir:
a própria carne transfigurada em verbo,
a memória queimada até virar luz,
a alegria ferida até soar como canto.
O poeta, escravo e cúmplice,
aprende a sofrer em métrica,
a chorar com ritmo,
a morrer devagar, para que o verso viva.
E quando a palavra enfim o liberta,
já é tarde:
a poesia partiu, deixando-o vazio,
com a alma exaurida e os ossos repletos de beleza.
Porque toda poesia é uma crueldade sagrada
e o poeta, o único animal que agradece
por sangrar com estilo.

A Crueldade da Poesia


A poesia me abriu o peito
e pediu meu sangue.
Quando a entreguei,
ela leu em silêncio, sorriu
e foi embora.


Fiquei ali,
com o coração pingando,
verbo amputado, sem sentido,
entendendo — tarde demais —
que a poesia não consola,
nem o poeta, nem a musa.
Poeta não é herói:
ela o consome,
o destrói.

Por que crueldade com os animais?
Um ser frágil que mata sua própria espécie, um ser ignorante que trata vidas com indiferença. ..simples assim. ..Não pode ser chamado de ser humano.

Por não entender a crueldade, um animal não sabe quando é abandonado.
E vai sempre esperar pela sua volta.

Nem toda crueldade é insanidade. Na maioria das vezes, é maldade mesmo.

Pisa nos outros para se sentir grande, sem perceber que cada degrau conquistado com crueldade é apenas mais um passo rumo à própria desolação.

A verdadeira aristocracia é a do caráter: a firmeza branda que rejeita a crueldade, acolhe o fraco e cumpre a palavra dada com o próprio sangue.

Não tema a crueldade deste mundo, meu anjo. Eu farei dos meus braços o teu escudo e do meu abraço o teu abrigo, porque você é o meu tesouro mais precioso. Meu bem, nos dias em que a solidão parecer um abismo, lembre-se: eu estarei bem aqui, segurando firme a sua mão e enxugando cada uma das suas lágrimas.

Uso crueldade no sentido de vida, no sentido gnóstico de turbilhão de vida que devora as trevas, no sentido da dor fora de cuja necessidade inelutável a vida não consegue se manter.

Antonin Artaud
Oueuvres complètes. Paris: Gallimard, 1978. Tomo 4.

Talvez seja esta a crueldade do tempo: ele não nos conduz para outro lugar; transforma lentamente o lugar onde sempre estivemos, até que um dia acordamos estrangeiros dentro da própria existência.