Crueldade
"Muitos confundem autoridade com crueldade, acreditando que ignorar a dor alheia os torna superiores, quando, na verdade, apenas os torna vazios de humanidade."
A crueldade que se diz humana
A maldade humana me faz pensar e repensar que existem certos seres — que se dizem humanos — mas que parecem ter sido criados por erro, e não por amor.
Dói-me pensar assim.
Que Deus me perdoe por esses pensamentos e que abençoe todos aqueles que respeitam e cuidam dos seres indefesos.
Quanto aos vermes da crueldade e aos demônios existentes, está mais do que na hora de leis mais severas. Vocês não acham?
Não há como esconder: grande parte dos problemas do planeta está relacionada aos próprios seres que se dizem humanos.
A Crueldade da Poesia
A poesia é uma fera que lambe o sangue que ela mesma faz jorrar.
Finge consolar, mas apenas prolonga o suplício.
Diz que salva — e salva mesmo —
mas do modo como um naufrágio salva o mar: afogando.
Ela exige do poeta o que o mundo não ousa pedir:
a própria carne transfigurada em verbo,
a memória queimada até virar luz,
a alegria ferida até soar como canto.
O poeta, escravo e cúmplice,
aprende a sofrer em métrica,
a chorar com ritmo,
a morrer devagar, para que o verso viva.
E quando a palavra enfim o liberta,
já é tarde:
a poesia partiu, deixando-o vazio,
com a alma exaurida e os ossos repletos de beleza.
Porque toda poesia é uma crueldade sagrada
e o poeta, o único animal que agradece
por sangrar com estilo.
A Crueldade da Poesia
A poesia me abriu o peito
e pediu meu sangue.
Quando a entreguei,
ela leu em silêncio, sorriu
e foi embora.
Fiquei ali,
com o coração pingando,
verbo amputado, sem sentido,
entendendo — tarde demais —
que a poesia não consola,
nem o poeta, nem a musa.
Poeta não é herói:
ela o consome,
o destrói.
A grande crueldade do silêncio é essa: Ele não mostra nada de quem partiu, mas deixa quem ficou com todas as perguntas e nenhuma resposta.
“Há uma crueldade social em chamar de força aquilo que, muitas vezes, é abandono institucional.”
Do livro Mães Atípicas: As Filhas do Silêncio, de Nina Lee Magalhães de Sá.
A Rede sombria
"Ao romper a bolha, descobrimos que o mundo lá fora guarda uma crueldade que supera os nossos próprios abismos. Na modernidade das telas sem rosto, palavras são lançadas como flechas cegas, capazes de edificar ou destruir destinos num clique.
Neste oceano obscuro de desconhecidos, onde todos habitam e ninguém se encontra, o perigo veste o disfarce da brincadeira e o vilão se perfuma de bom moço. Caminhamos em solo frágil, aprendendo que, nesta rede de espelhos turvos, a confiança é o luxo de quem ainda não se feriu."
ass Roseli Ribeiro
“A mesma condição humana que nos permite praticar a crueldade gratuita também nos concede a mais nobre das virtudes: o altruísmo. Se podemos ferir sem necessidade, podemos igualmente estender a mão sem interesse, aliviando a dor alheia pelo simples desejo de fazer o bem.”
Uso crueldade no sentido de vida, no sentido gnóstico de turbilhão de vida que devora as trevas, no sentido da dor fora de cuja necessidade inelutável a vida não consegue se manter.
REFLEXÃO
Já pensou na crueldade a que somos submetidos?
Não podemos optar sobre rir ou chorar, sobre vencer ou perder... somos induzidos ao erro quando somos levados a crer que não desistir é o mesmo que ganhar...
E se você pudesse escolher entre ir ou ficar?
E se visse mais do que os olhos podem mostrar?
E se pudesse escolher um lugar pra alma morar?
E se pudéssemos trocar de corpo cada vez que o sol completa uma volta ao redor da terra e a gente finge que zerando o calendário tudo vai mudar?
E se pudéssemos o que não encaixa dentro de nós?
E se disséssemos sim mais alto com os olhos do que os nãos que os lábios falam?
E se conseguíssemos à risca aquela frase que repetimos ironicamente: "não sou obrigada a nada"!
Ignorando o fato se sermos obrigados a tudo, as vezes, por banalidades que nos são tão úteis...
E se o coração calasse a boca?
E se você pudesse estar onde teu pensamento vive?
Ray Sousa
A justiça de Deus não é crueldade, nem Sua santidade é severidade. Em Cristo vemos claramente essa união: verdade e graça caminhando em perfeita comunhão. miriamleal
As recordações não me atingem de maneira abrupta, elas possuem a crueldade das coisas lentas. Infiltram-se em silêncio, ocupam espaços esquecidos da consciência e começam a consumir a alma de forma gradual, quase imperceptível. São como brasas ocultas sob cinzas aparentemente frias: durante muito tempo parecem adormecidas, até que, de repente, voltam a arder com uma intensidade devastadora. E talvez seja justamente essa lentidão que torne tudo mais doloroso, porque não há explosão capaz de encerrar o sofrimento, apenas um incêndio contínuo e silencioso que corrói por dentro sem jamais se extinguir completamente.
- Tiago Scheimann
O Espírito Santo convence para restaurar. A graça corrige para transformar. Mas a crueldade travestida de santidade apenas revela um coração distante daquele que disse: Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração. (Mateus 11:29) miriamleal
