Cronicas de Luiz Fernando Verissimo Pneu Furado
Conjugando-nos
Que a nossa amizade
Nunca seja pretérito
E que toda a saudade
Se dissipe com abraços.
Que a nossa verdade
Nunca seja única e absoluta
Que refletir e repensar as ações e as falas
Sejam os nossos verbos prediletos.
Que o verbo amar
Seja conjugado com reciprocidade
E que quando não estivermos mais aqui
Que a nossa poesia permaneça.
Edson Luiz ELO
Outubro de 2016
O verdadeiro encanto não está no corpo sarado, na rotina regrada ou na estética impecável — está na mente por trás disso tudo. Porque disciplina seduz, foco fascina, e a força de vontade, essa sim, é um afrodisíaco raro.
Não é só sobre levantar peso ou contar macros... é sobre levantar todos os dias com propósito, encarar os próprios limites e, mesmo exausta, continuar. Isso é sexy. Isso é poder.
E quando alguém treina o corpo com tanta entrega, é porque a mente já venceu batalhas que ninguém viu. O tesão começa aí — na admiração silenciosa, no respeito que nasce do esforço, na mente que brilha muito antes do suor.
Corpo atrai. Alma segura. Mas é a mente — essa mente forte, indomável, determinada — que vicia.
Beleza e Conteúdo
Entre livros, teu sorriso se levanta,
Como quem sabe o peso e a luz do mundo.
Lês a dor, mas teu olhar é fecundo,
Flor que nasce onde a história mais sangra.
Tens Anne Frank no peito que encanta,
E lobos livres no espírito profundo.
Não foges do escuro — vais ao fundo
E voltas mais inteira, mais franca.
Teu corpo é verso, mas tua alma é livro,
Página viva escrita com verdade,
Onde fé e coragem fazem abrigo.
E quem te vê, entende com clareza:
Não é só forma, não é só vaidade —
É inteligência vestida de beleza!
São Paulo, 25 de janeiro de 2026
Edson Luiz ELO
Mais uma vez, faço questão de registrar o quanto é impressionante testemunhar alguém que sabe viver — e mais do que isso, que merece viver. Que merece, a cada dia, encontrar a sua melhor versão.
E você encontra.
E sabe o que é ainda mais incrível? Quando chega lá, você não se acomoda: corre atrás, se supera e nos mostra que o céu não é o limite. Você vai além.
Que potência você é.
Meu Hábito Bom
Amei — e foi sem pressa, foi inteiro,
Como quem lê um livro e não quer fim;
Teu verbo aceso, o olhar sempre primeiro,
Fez da razão um belo refém de ti.
Não chamo vício o que me faz crescer,
Pois há encontros que elevam, não consomem;
Habituar-me a ti é aprender
Que há fome boa quando a alma tem nome.
Teu papo é arte, tua mente é estrada,
Ávida luz que instiga e que provoca;
Leitora do mundo, artista da palavra.
Se amar-te é hábito, que seja assim:
Costume raro, escolha bem pensada,
Prazer que educa — e nunca chega ao fim.
São Paulo, 1° de Fevereiro de 2026
Sorte, Azar e Inteligência: Uma Interpretação Relacional dos Eventos
Sorte e azar são conceitos profundamente enraizados na experiência humana. No senso comum, costumam ser tratados como propriedades inerentes aos acontecimentos: ganhar um prêmio seria “sorte”; sofrer uma perda inesperada seria “azar”. Contudo, sob análise mais rigorosa, esses termos não descrevem características objetivas dos eventos, mas sim avaliações feitas por um observador situado em determinado contexto. Um evento não é, em si mesmo, favorável ou desfavorável; ele se torna assim na medida em que se relaciona com expectativas, interesses e condições específicas de quem o vivencia.
Se definirmos sorte como um evento que favorece expectativas e azar como um evento que as contraria, então ambos são necessariamente relativos. O mesmo acontecimento pode ser considerado sorte para um indivíduo e azar para outro. Mais ainda: pode mudar de valência para o mesmo observador em momentos distintos da sua trajetória. Um fracasso imediato pode revelar-se condição necessária para um sucesso futuro; uma conquista pode gerar consequências inesperadamente negativas. A avaliação depende da posição temporal, psicológica e circunstancial do observador.
Nessa perspectiva, sorte e azar não são propriedades ontológicas do mundo, mas categorias interpretativas. O mundo apresenta eventos — muitos deles de natureza aleatória ou imprevisível — e o observador atribui valor a esses eventos conforme seus objetivos e estado atual. Assim, a aleatoriedade pertence ao domínio dos acontecimentos; sorte e azar pertencem ao domínio da interpretação.
Se deslocarmos essa discussão para a biologia, encontramos um paralelo interessante. Organismos vivos, ao longo da evolução, não controlam a ocorrência de eventos aleatórios, mas podem desenvolver mecanismos que aumentem sua probabilidade de sobrevivência e reprodução diante deles. Em termos funcionais, perpetua-se aquele organismo que consegue maximizar os efeitos favoráveis das circunstâncias e minimizar os desfavoráveis. Essa maximização e minimização não são necessariamente conscientes; podem estar inscritas em adaptações fisiológicas, comportamentais ou cognitivas moldadas pela seleção natural.
Nesse sentido, a inteligência — especialmente em formas de vida dotadas de cognição complexa — pode ser entendida como uma amplificação desse princípio. Uma vida dita inteligente não elimina o acaso, mas aprende a lidar com ele. Ao reconhecer padrões, antecipar riscos, acumular memória e projetar cenários, ela transforma a relação com o imprevisível. Quando um evento considerado “sorte” ocorre, a inteligência procura potencializá-lo: consolida ganhos, explora oportunidades, cria novas possibilidades. Quando ocorre um evento percebido como “azar”, busca mitigar seus efeitos: adapta-se, reorganiza estratégias, aprende com o erro.
A inteligência, portanto, não consiste em controlar o aleatório, mas em administrar suas consequências. Trata-se de um sistema de processamento de informação que reduz vulnerabilidades e amplia oportunidades dentro de um ambiente incerto. Quanto mais eficaz for essa gestão, maior a probabilidade de continuidade e expansão da vida que a exerce.
Em última análise, a distinção entre sorte e azar revela menos sobre o mundo e mais sobre a estrutura do observador. Eventos acontecem; sistemas vivos os interpretam e respondem. A vida que persiste é aquela que transforma contingência em vantagem relativa. Assim, inteligência pode ser compreendida como a capacidade de converter o acaso em aprendizado e o aprendizado em estratégia — uma dinâmica contínua de maximização do favorável e minimização do desfavorável em um universo essencialmente indiferente.
Intervalo
Há encontros que não chegam — apenas se revelam.
Passei anos acreditando que certas ausências eram definitivas. A vida, metódica como sempre, organizou seus corredores, distribuiu suas responsabilidades, assentou cada coisa no lugar socialmente aceitável. Tudo parecia… coerente.
Ainda assim, havia uma pequena dissonância — quase imperceptível — como um relógio que atrasa poucos segundos por dia. Nada que chamasse atenção. Nada que justificasse investigação.
Até que, sem aviso, o tempo produziu uma coincidência.
Não foi surpresa.
Também não foi exatamente reconhecimento.
Foi algo mais silencioso — como quando a memória chega antes da consciência.
Curioso como certas presenças não envelhecem dentro de nós. Apenas se tornam… menos nomeáveis.
Hoje tudo está construído. Estruturas firmes, compromissos respeitáveis, trajetórias que fazem sentido à luz do mundo. Não há desordem externa. Não há espaço para imprudências juvenis.
E, no entanto, existe essa zona neutra onde algumas coisas permanecem em suspensão — não vivas o suficiente para perturbar, nem mortas o bastante para desaparecer.
Aprendi que maturidade não é ausência de intensidade.
É, muitas vezes, a administração silenciosa dela.
Não há aqui pedidos.
Nem projetos tardios.
Apenas a constatação serena de que o tempo, por mais rigoroso que seja, não possui jurisdição absoluta sobre tudo.
Algumas histórias não continuam.
Mas também não terminam no sentido comum da palavra.
Elas apenas… se deslocam para um lugar onde só é possível compreender por reconhecimento — nunca por explicação.
Quem nunca atravessou esse tipo de intervalo
provavelmente achará tudo isso excessivamente abstrato.
Quem já atravessou…
não precisa que se diga mais nada.
Atenção
A fofoca não nasce do acaso.
Ela surge onde o caráter falha e onde o silêncio deveria prevalecer.
Falar de alguém ausente não é apenas um ato social —
é uma exposição involuntária de si mesmo.
Quem pratica isso revela, sem intenção, a fragilidade da própria honra.
Mais preocupante, porém, é quem escuta e permanece confortável.
O ouvido que aceita o erro se torna cúmplice dele.
Na ausência de rejeição, há consentimento.
Não há complexidade nisso.
Quem fala de outros diante de você, inevitavelmente falará de você diante de outros.
É um padrão humano simples, repetido sem exceções.
O caráter verdadeiro não se manifesta em palavras elevadas,
mas em escolhas silenciosas.
Na recusa firme ao que é indigno.
Na disciplina de não participar do que enfraquece a confiança entre as pessoas.
Por isso, mantenha postura.
Recuse a fofoca — não por aparência, mas por princípio.
No fim, não é sobre o outro.
É sobre quem você decide ser quando ninguém está sendo observado.
Atenção.
A maledicência não é um fenômeno trivial — é uma manifestação inequívoca de desordem moral.
Não se trata de palavras lançadas ao acaso, mas de uma escolha consciente que expõe a estrutura ética de quem a pratica.
Ao falar do ausente, o indivíduo não descreve o outro — ele se revela.
Cada frase carrega mais informação sobre quem emite do que sobre quem é alvo.
Ainda mais significativo é o papel de quem escuta.
A aceitação silenciosa não é neutralidade, mas validação.
Onde não há recusa, há consentimento.
O padrão é invariável.
Aquele que hoje utiliza terceiros como objeto de discurso, amanhã utilizará você.
Não por exceção, mas por coerência comportamental.
Caráter não reside naquilo que se declara, mas naquilo que se recusa a fazer.
É uma estrutura de decisões, não de discursos.
Manifesta-se, sobretudo, na capacidade de rejeitar o que é conveniente, porém indigno.
A maledicência, nesse sentido, não corrói apenas reputações —
corrói o próprio tecido de confiança que sustenta qualquer relação humana minimamente estável.
Portanto, a posição correta não é ambígua.
Recusar é preservar-se.
Aceitar é degradar-se.
No fim, o elemento central não é o conteúdo da fala,
mas a integridade de quem escolhe falar — ou calar.
UM CONTO ITALIANO🇮🇹
As colinas da Toscana ondulavam sob a luz prateada da lua, como um mar silencioso de vinhedos. O ar tinha cheiro de alecrim e uvas maduras quando Giulia, filha de viticultores, atravessou o campo carregando um pequeno caderno de couro preso ao peito.
O caderno não era dela. Era do avô, morto há poucos meses — o homem que guardava segredos tão antigos quanto as oliveiras que cercavam a casa da família.
Giulia só o encontrara naquela tarde, escondido dentro de uma gaveta trancada.
Quando chegou ao topo da colina, avistou Marco, o restaurador de igrejas que trabalhava na vila vizinha. Ele estava sentado no muro de pedra, observando o brilho da lua sobre os vinhedos.
— Non riesci a dormire? — perguntou ele.
Giulia respirou fundo e mostrou o caderno.
— Encontrei isto… e acho que há algo aqui que meu avô queria que eu descobrisse.
Marco se aproximou, curioso. Giulia abriu o caderno e revelou um desenho: um mapa simples, feito a carvão, marcando um ponto entre duas fileiras de cipestres. Ao lado, havia apenas uma frase:
“A verdade floresce apenas à luz da lua.”
Intrigados, caminharam até o local indicado. Quando chegaram, perceberam que o chão estava mais solto ali, como se alguém tivesse cavado recentemente.
Marco ajoelhou-se e removeu a terra, descobrindo uma caixa de madeira antiga. Giulia abriu com as mãos trêmulas.
Dentro havia cartas — dezenas delas — escritas pela avó de Giulia para um homem cujo nome ela nunca ouvira antes: Alessandro.
Em cada carta, uma história de amor proibido.
Em cada frase, a dor de ter escolhido um casamento arranjado em vez do homem que realmente amava.
Giulia engoliu seco.
— Minha avó… ela nunca falou disso.
Marco colocou a mão no ombro dela.
— Talvez ela tenha querido que você soubesse agora. Para entender que a vida é curta demais para esconder sentimentos.
Giulia levantou o rosto na direção da lua. As colinas pareciam sussurrar histórias antigas.
Ela olhou para Marco, percebendo naquele instante algo que tentava ignorar há meses:
os sentimentos que cresciam entre eles, silenciosos como as noites toscanas.
Marco sorriu, suave.
— La luna custodisce segreti… ma rivela anche ciò che conta davvero.
E ali, sob o luar da Toscana, enquanto as cartas antigas balançavam ao vento, um novo segredo começou a nascer — não para ser escondido, mas para ser vivido.
As três chaves de ouro
Chaves costumam abrir abrir somente uma porta, porém há algumas chaves que podem abrir centenas de portas. Essas chaves têm os nomes de: "SABEDORIA", "HUMILDADE" e "PERSISTÊNCIA".
A sabedoria não é saber tudo, pelo contrário... É saber que quanto mais se sabe, mais ainda temos a aprender. É saber que o conhecimento é como a água, pois flui por ambos os lados e passa por onde existe um caminho. É reconhecer que podemos ser "mestres" em algo, mesmo assim um "iniciante" acabar nos ensinando algo. É ter a mente experta, o olhar tranquilo, mas com a visão aguçada, assim podemos deixar a soberba da posição ou status que ocupamos não nos atrapalharem na hora que precisemos identificar um novo aprendizado. Em resumo, sabedoria não é ter informação, mas saber captar, utilizar e repassar informações de maneira eficiente. Você pode saber pouco sobre algo, mas fazer incríveis coisas com o pouco que sabe.
Humildade não é somente sobre condições socioeconômicas, mas justamente sobre a nobreza do espírito de um ser. Podemos ser e agir de determinada maneira, termos mossos paradigmas ou veredictos, porém devemos também sermos capazes de ver e entender que os outros também os têm, e que essas filosofias de vida podem ser diferentes do que temos como certo ou errado. Ter essa humildade nos torna maleáveis, adaptáveis e "evoluíveis".
A persistência ou perseverança, por sua vez, são totalmente diferentes do que podemos chamar de "insistência". Pois enquanto o insistente não desiste em aplicar a mesma fórmula e mesmas forças nas buscas de um determinado resultado, o persistente tenta de uma forma, analisa seus resultados, estuda mais a respeito, observa quem tem resultados melhores, se ajusta em suas fórmulas e adequa suas forças para tentar novamente. O que eles realmente têm em comum é apenas a vontade de alcançar o resultado, mas suas condutas são totalmente diferentes. O insistente é rígido, pouco maleável e muitas vezes arrogante, mas o persistente é calmo, preciso, maleável e muitas vezes humilde e ensinável.
Essas são as três chaves de ouro para abrirmos infinitas portas em nossos mundos. Não somos perfeitos e nunca seremos, mas seremos sempre nossas melhores versões se escolhermos ter o aperfeiçoamento pessoal como filosofia de vida.
Amor, amor ,amor... Quem terá inventado o amor?
Seria falta do que fazer?
Era pra ser algo simples, mas tava de mal humor e resolveu ferrar com as vítimas do cupido.
Se você não ama é um solitário pressionado pela sociedade, mas se ama é um bem sucedido pressionado pela mente.
E olha... Sua mente não mente, já essa gente.
Deveria ser simples, mas até entendo a complicação. Somos complicados por natureza, mas isso nós somos sozinhos, imagina em dupla.
Talvez a chave pra algo assim funcionar seja a aceitação, pois é sobre aceitar que temos diferenças e que devemos respeitar isso um no outro. Saber impor e manter nossos ideais, mas também de ser flexível uma vez ou outra com a outra parte, afinal, se ambos fizerem o mesmo, ambos estarão se doando e se entendendo.
Humpf... A verdade é que me parece complicado demais isso tudo. Escrevo de mente vazia e coração aberto, divagando sobre isso na esperança de ter alguma epifania que guie minhas decisões agora.
Só quero nosso bem, juntos ou separados, quero o melhor pra nós.
Quanto a esse que criou o amor, espero que ame e veja o que disseminou pelo mundo.
A desumanidade
A desumanidade raramente se apresenta de forma explícita. Ela não chega anunciando a si mesma como crueldade ou indiferença. Pelo contrário, muitas vezes se disfarça de normalidade — de rotina, de interesse legítimo, de prioridade inevitável. É nesse terreno silencioso que ela se instala: quando vidas humanas passam a ser tratadas como números, quando tragédias se tornam apenas mais um evento no fluxo contínuo de informações, quando o sofrimento do outro perde densidade por não nos afetar diretamente.
Grande parte dessa desumanização nasce de interesses próprios e egoístas que operam em diferentes escalas. No nível individual, manifesta-se como autopreservação excessiva, como a tendência de priorizar o próprio conforto emocional em detrimento da empatia. No nível coletivo, aparece em sistemas políticos, econômicos e midiáticos que, mesmo sem intenção explícita, acabam reduzindo a complexidade humana a abstrações gerenciáveis. Assim, o que deveria ser intolerável torna-se apenas mais um dado assimilado.
Há também um mecanismo psicológico profundo: a fragmentação da responsabilidade. Quando muitos estão envolvidos — direta ou indiretamente —, a sensação de culpa se dilui. O resultado é um cenário em que ações com consequências devastadoras podem ocorrer sem que ninguém, individualmente, se sinta plenamente responsável. Essa dissociação permite que pessoas que também possuem famílias, afetos e histórias ajam ou consintam com realidades que negam exatamente esses mesmos valores nos outros.
O problema não é apenas moral, mas estrutural. Ainda operamos como partes isoladas, competindo por recursos, reconhecimento e poder, como se a sobrevivência fosse um jogo de soma zero. Nesse modelo, o outro facilmente se transforma em obstáculo, estatística ou abstração. A empatia, que deveria ser um princípio organizador, torna-se circunstancial.
Superar isso exige mais do que boa intenção. Exige uma mudança de paradigma: reconhecer que a separação entre “nós” e “eles” é, em grande medida, uma construção. Biologicamente, socialmente e até ecologicamente, já somos interdependentes. A ideia de humanidade como um único organismo não é apenas uma metáfora idealista — é uma descrição mais fiel da realidade do que a lógica fragmentada que ainda predomina.
Viver como um único organismo implica internalizar que o sofrimento em qualquer parte desse sistema é, de alguma forma, um dano ao todo. Significa substituir a indiferença pela responsabilidade compartilhada, e o interesse egoísta por uma consciência ampliada de pertencimento.
Ainda estamos longe disso. Mas o simples fato de reconhecer a desumanização — de se incomodar com ela — já é um sinal de que esse caminho existe. A transformação começa exatamente nesse ponto: quando nos recusamos a aceitar como normal aquilo que diminui o valor da vida humana.
08/04/2026 - Reflexão sobre o evento ocorrido no dia 28 de fevereiro de 2026, em que um bombardeio atingiu a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã.
Alma hipócrita...
Odeio o silêncio que fica quando você vai,
Mas não se engane: não é saudade, é só o ego que cai.
Eu nem gosto de você, nunca houve esse querer,
Eu só nutro um ódio profundo pela sensação de perder.
Adoro o brilho do que é proibido, do que está distante,
O inacessível é meu combustível, meu vício constante.
Repito histórias, ensaio tragédias em grandes encenações,
Um ator medíocre preso em velhas e vãs repetições.
Sou a hipocrisia em carne, osso e falsa memória,
Apago os cortes, as traições, mudo o fim da história.
Esqueço o aço nas costas, o abraço que foi punhal,
E finjo que o veneno que bebi era algo natural.
Mas ei, veja como sou nobre ao assumir meu papel:
Talvez a culpa fosse minha, talvez eu tenha sido cruel.
"Ela sofria", eu digo, criando um álibi qualquer,
Justificando o golpe de quem nunca soube me querer.
Vou seguindo assim, nesse teatro de sombras e farsa,
Acreditando na mentira que o meu próprio peito traça.
É o meu escudo, meu modo covarde de não ver ninguém partir,
Pois se eu me convencer do engano, não preciso mais sentir.
Que a morte me encontre no meio desse labirinto vil,
Antes que eu me apegue a outra alma, antes de outro abril.
Pois é mais fácil esperar o fim, no frio dessa agonia,
Do que admitir que sou o mestre da minha própria hipocrisia.
Uma última xícara de café....
Não fique acordada por muito tempo, a noite é um poço sem fim,
Não vá para a cama, onde a sombra te espera com um beijo ruim.
Eu vou preparar uma xícara de café para a sua cabeça cansada,
Mas não é do grão da terra, é do pó da minha alma gelada.
Isso vai te levantar, mas não para o dia que vem,
Vai te tirar da cama, para o nada onde eu também
É, eu não quero pegar no sono, a névoa me quer levar,
Eu não quero falecer, mas sinto o cheiro do lar.
Eu andei pensando no nosso futuro, nos dias que nunca virão,
Em como eu seria seu noivo, seu marido, seu primeiro chão.
Eu não sei por que isso aconteceu, mas talvez o pecado me ache,
Talvez a minha vida curta seja o preço que o diabo me rache.
Eu tentei dar o meu melhor, você sabe que eu não sou perfeito,
Mas as orações foram em vão, o mal já está no meu peito.
Eu tenho rezado por perdão, você tem rezado pela minha saúde,
Mas a minha alma está me deixando, antes que eu mude.
Quando eu deixar este mundo, quando o meu último suspiro for,
Espero que você encontre outra pessoa, alguém que não tenha o meu cheiro de dor.
Porque sim, ainda somos jovens, há tanto que não fizemos,
Casar, começar uma família, os filhos que nós nunca teremos.
Eu queria que pudesse ser eu, mas a minha cama já está fria,
E o tempo está acabando, a minha luz já não irradia.
Espero ir para o céu para te ver mais uma vez,
Mas o meu caminho é escuro, e a minha esperança já fez.
Minha vida foi curta, mas teve tantas bênçãos que eu perdi,
Feliz por você ter sido minha, mas a vida me traiu, eu sei que sim.
Não fique acordada por muito tempo, não vá para a cama, por favor,
A saudade está chegando, e ela tem o sabor do meu amor.
O café na xícara está frio, como a minha pele que já morreu,
E o seu aroma é a única coisa que você tem do que foi eu.
Estou feliz que você esteja aqui comigo, mas me desculpe se eu chorar muito,
De quando eu e meus amigos bebíamos cerveja no ensino médio, o nosso primeiro insulto.
Espere, na verdade, acho que te conheci em uma festa, você estava tão sozinha,
No canto, usando as mãos para cobrir seu corpo, uma flor que já não tinha.
Foi assustador, eu estava nervoso, mas que bom que me aproximei,
E agora que estou partindo, é a saudade que eu te deixei.
Estávamos rindo de nada, agora que sou mais velho, estou muito mais frio,
E o tempo está passando, o meu corpo já está vazio.
É a nossa loja favorita, fico feliz por ter te comprado uma flor,
Mas ela já está murchando, como o meu amor, como a minha dor.
Espero que você encontre um homem que não seja tão velho quanto eu,
Que possa olhar nos seus olhos e dizer que o futuro é seu.
Sinto muito por ter tido que deixar você e este mundo,
Mas você era tudo o que eu sempre quis, o meu amor profundo.
Vou sentir sua falta, e a saudade vai te consumir,
Em cada gole de café, em cada cama que você for dormir.
O Sacrifício do Silêncio
O sorriso que ostento é apenas uma fachada,
Uma máscara polida para o mundo não ver,
Que por trás do gesto, a alma está cansada,
E o coração insiste em, baixinho, sofrer.
Escolhi os outros, e nessa escolha me perdi. Fui o porto seguro, a mão que sustenta a queda,
Abri mão do meu chão para que vissem o céu dali,
E hoje o que me sobra é essa triste moeda.
Dói saber que estou onde a renúncia me deixou,
Nesse canto escuro de quem sempre se deu.
O mundo seguiu, mas em mim nada mudou,
Apenas o peso de um "nós" que nunca foi "eu".
Ainda assim, no peito assolado pela tormenta,
Guardo a pureza de quem nunca soube mentir.
Minha verdade é o fogo que ainda me alimenta, Mesmo que o preço seja este lento sucumbir.
Faria tudo de novo, com o mesmo coração quebrado,
Pois ser verdadeiro é minha única direção.
Sigo em silêncio, por mim mesmo abandonado,
Carregando a tristeza como uma eterna oração.
O Último Relato de uma Alma Ausente
Se estas linhas te alcançam, entenda o meu fim:
Não é que o sopro cessou, ou que o sangue parou de correr,
É que o meu verdadeiro eu sucumbiu dentro de mim,
Cansado de tantas guerras que ninguém pôde ver.
Meus sentimentos partiram há muito tempo atrás, Deixando apenas um corpo oco, uma carapaça vã.
Onde existiu amor, hoje a desilusão é o que jaz,
Em uma mente atormentada que teme o amanhã.
Talvez eu tenha partido em doses de álcool e remédio,
Ou talvez tenha morrido no vácuo de uma escolha qualquer.
Nada faz sentido quando o mundo se torna esse tédio,
E o teu perfume é uma lembrança que o tempo quer varrer.
Tentei acreditar em uma salvação para a alma, Fui hipócrita ao buscar luz no meio do meu breu.
Mas o peso mental roubou de vez a minha calma,
E o que você lê agora já nem ao menos sou eu.
Morri da pior forma: em silêncio e na dúvida,
Sendo cinzas de um incêndio que ninguém tentou apagar.
Resta apenas esta sombra, solitária e desprovida,
De uma vida que se foi antes mesmo de o corpo parar.
O Rastro do que se Apagou
E se, por um lapso de saudade, você for me procurar,
Não olhe para o agora, pois o agora é só vazio.
Tente me achar no ontem, onde eu costumava estar,
Antes de o meu sangue se tornar esse gelo frio.
Ou procure em um campo de pedras, sob o peso de um nome,
Em uma lápide muda que guarda o meu silêncio final.
Minha morte não faz diferença, o tempo a consome, Seja ela um fato concreto ou um naufrágio mental.
Se você sentir o remorso ou o corte de uma perda,
Saiba que o eco do seu choro não me alcança mais.
Não adianta o grito, nem a lágrima que se herda,
De quem já atravessou a fronteira de todas as pazes.
Vivi uma vida que foi apenas um sopro de mentiras, Um palco de hipocrisia onde encenei meu próprio papel.
As verdades que tive se perderam em antigas piras,
E o gosto do que foi real hoje é apenas fel.
Foi há tanto tempo que a memória se tornou um deserto,
Onde nem eu mesmo me reconheço ou sei quem fui.
O que era verdadeiro hoje é incerto e deserto,
E a alma, enfim, para o nada, livremente flui.
O Eco do Punhal de Vidro
Há perguntas que nascem com dentes,
Criaturas pálidas trancadas no sótão da mente.
Não as soltamos porque o silêncio é um cobertor,
E a verdade, nua, tem o hálito podre do terror.
Pois saber o "porquê" é, muitas vezes, aceitar
Que o castelo de cartas nunca foi feito para habitar.
Vale a pena o risco?
Questionar o destino é como polir o fio da navalha;
Se o corte mudar a vida, o que resta na batalha?
Uma alma nova, talvez, mas banhada em sangue e frio,
Pois certas respostas transformam o oceano em um rio vazio.
É o luxo da ignorância combatendo o vício de ver,
Enquanto o relógio mastiga o que nos resta de ser.
Temer a morte é o maior dos contrassensos,
Um ensaio fúnebre em nossos dias mais densos.
Se o fim é o ponto final já posto pela mão do tempo,
Por que tremer diante do sopro de um vento atento?
A resposta final já está escrita na pele e no osso:
Ela virá nos buscar, quer o abismo seja raso ou fosso.
Mas escute o sussurro que você insiste em abafar,
Aquela verdade que o peito não ousa confessar.
E se a resposta que você guarda, trancada e sombria,
For a única chave que encerra essa agonia?
Talvez o horror não seja o fim que a morte traz,
Mas viver uma mentira e chamar o cárcere de paz.
"A verdade é um monstro que preferimos manter faminto, sem perceber que, ao final, somos nós o seu único alimento."
O Labirinto das 4:30
O relógio é um carrasco de vidro e metal,
4:30 da manhã, o silêncio é visceral.
Meus olhos ardem, mas o sono não vem,
Sou prisioneiro de um vazio que ninguém contém.
O peito acelera, um motor em descompasso,
A mente é um ruído, cada pensamento um estilhaço.
As lágrimas descem sem pedir licença ou perdão,
Enquanto a alma naufraga nessa imensa solidão.
O que será de mim?
Sem o calor de um amor, sem um norte, sem fim.
Olho para a mesa, o alívio frio ali deitado:
O frasco, o metal, o fim de tudo o que foi errado.
Um duelo entre o "agora" e o "nunca mais",
Nesse labirinto escuro onde não encontro a paz.
Para o mundo, sou piada, um verso mal lido,
Um resto de gente que se sente perdido.
Minha humanidade escorre entre os dedos,
Sou feito de restos, de sombras e medos.
Onde está o brilho que o sorriso trazia?
Hoje só resta o vácuo e a agonia.
No espelho, o reflexo é um estranho, um réu,
Um fantasma do que fui, sob um cinzento céu.
Eu só queria o descanso, um dia de trégua, de luz,
Mas a vida é esse peso, essa maldita cruz.
