Cronicas de Luiz Fernando Verissimo Pneu Furado
Moço Apaixonado
Beijei-a
Com toda ternura que tenho
E que não é pouca, é tamanha...
Beijo singelo, beijo mental
Beijo fundamental
Primeiro beijo
Segundo beijo
Terceiro beijo
Quarto quinto e sexto beijo.
Beijar é tão bom...
Beijá-la-ei ainda mais
Mesmo que seja em minha mente
Mesmo que seja assim
Sonhos secretos
de um moço apaixonado.
Sucesso
Sucesso é sorrir e gargalhar
E olhar o horizonte e suspirar.
É beber água na fonte
Sem se preocupar.
Sucesso é poder estudar
Ampliar as fronteiras do conhecer
Ter a noção do quanto
Infinito são a sabedoria e o saber.
Sucesso é ter aonde ir
Mesmo sentindo uma vontade
Imensa e incomensurável
De continuar, de ficar.
Sucesso é ter dinheiro sim
Mas não ser prisioneiro dos bens materiais
É ter relações reais com as pessoas
E não ter relações objetais.
Sucesso é andar descalço por aí
Comer frutas no pé sem receios
É poder partir ou se isolar
Quando se está de saco cheio.
Sucesso é poder
Beijar a boca da amada
Poder fazer amor
Sem ter horas marcadas.
Sucesso é desejar
Principalmente o que se tem
É continuar desejando
O que conquistou.
Sucesso é resistir às traições
Aos insultos e as inverdades
Sobreviver aos absurdos
E ter imunidade às maldades.
Sucesso é tanta coisa
E outras coisas para cada um
É ter fé em Deus
E poder simplesmente respirar.
Sucesso é poder viajar
Seja para o exterior
Ou poder voltar para casa
Ou embarcar na literatura e suas asas.
Sucesso é ter uma ideologia
É acreditar na democracia
Ou desacreditar do sistema
E hastear a bandeira da Anarquia.
Sucesso é abraçar gostoso
Abraçar demoradamente
É rever alguém
E ficar verdadeiramente feliz.
Sucesso é deixar
Um legado ou ensinamento
Para o mundo ou para uma pessoa
Ou ainda, para várias pessoas.
Sucesso é amar
É ajudar ao próximo
E não fazer questão de retribuição
É esperar pouco ou quase nada.
Sucesso é atingir o alvo
É viver de fato um sonho
É ser um ser grato e ter a certeza
De ter feito o possível.
Sucesso é indefinível
Sucesso é algo incrível
Sucesso é ter feito valido à pena
Sucesso é poder descansar em paz.
Desconfiar
Desconfiar sempre
Desconfiar do amor
Desconfiar da amizade
Desconfiar da fé
Desconfiar do que quiser e precisar.
Desconfiar da dor
Desconfiar do noticiário
Desconfiar da escola
Desconfiar da esmola
Desconfiar de tudo pelo mundo afora.
Desconfiar das afirmações
Desconfiar das interpretações
Desconfiar dos paradoxos
Desconfiar das interrogações
Desconfiar da gramática e da reforma ortográfica.
Desconfiar dos refrigerantes
Desconfiar da gasolina
Desconfiar dos enlatados
Desconfiar da cocaína
Desconfiar de tudo que de certa forma contamina.
Desconfiar da propina
Desconfiar do candidato
Desconfiar do eleitor
Desconfiar do eleito
Desconfiar de todo bem aparentemente feito.
Desconfiar da confiança
Desconfiar das alianças
Desconfiar da literatura
Desconfiar da internet
Desconfiar de tudo que confiança exige.
Desconfiar do desconfiar
Desconfiar do saber
Desconfiar da sabedoria
Desconfiar do agir
Desconfiar para se frustrar menos e para confiar mais.
Rocha
Rocha d’onde desabrocha
Água límpida e cristalina
Que produz sons que encantam
Ensinam e educam.
Som que ecoa pelo universo
Como uma doce e suave melodia
Que desperta a sede e a sacia
Alimenta e revigora.
Hora rocha, outra encanto
Hora Som, hora acalanto
Hora uma cousa, hora outra
Tudo em ti é essencial.
Efeitos colaterais
Sonhei em esculpir
Seus traços em carrara
Para eternizar toda a
Minha imensa admiração.
Imaginei-me Bethoven
Por uns instantes
Para compor com suas nuances
A maior das sinfonias.
E tudo isso meio tardio
Eu confesso e reconheço
Pois já nem nos falamos mais
Nem nos olhamos mais.
Estou em luto
E quem faleceu fora eu
Não me vejo mais em teus olhos
E todo encanto se encerrou.
O que me restaram fora a esperança
E a pena para escrever estes tristes versos
Totalmente sem métrica e sem nexo
Efeitos colaterais da falta que sinto de você.
Totalmente... Estranhamente...
Estou mais fraco e totalmente sem sal
Estou mais triste e totalmente sem sol.
Estou mais solitário e totalmente sem lua
Estou na minha e totalmente na sua.
Estou sem sono e estranhamente hibernando
Estou desperto e estranhamente sonhando
Estou tão triste e estranhamente chorando
Estou tão chateado e estranhamente amando.
Amor também cura, sabia?
Se eu te cuidasse
Estaria melhor
Amor também cura, sabia?
Colinho
Carinho
Chazinho nem quente nem frio
Companhia
Escuta
Cuidado
Cafuné
Aspirina
Abraço
Massagens nos pés e no ego...
Antitérmico
Analgésico
Anestésico
Contemplação
Aconchego
E um pouco de paz.
Enquanto
Enquanto as horas passam
E os segundos correm
Muitas vidas nascem
E outras tantas morrem.
Enquanto a melodia toca
E as ondas oscilam no mar
Tenho a cada vez menos certezas
E uma enorme vontade de amar.
Enquanto o pôr do sol encanta
E o beija-flor beija a flor
Eu cuido do meu jardim
Seguindo o que o poeta aconselhou.
Edson Luiz – Primavera de 2015
Viajando
Peguei a estrada e parti
Atento eu rodava por aí
Por este mundo afora
Carros passavam por mim
E eu passava por carros
Pessoas paisagens cidades
Diante dos meus olhos
Muita coisa ficava para trás
Lembranças, fatos, momentos
Pessoas, acontecimentos, detalhes...
Porém algo muito me intrigava
Por vezes funcionava como anjo da guarda
Por outras como algo que me contradizia
Algo que me fazia diminuir a velocidade
E procurar me informar sobre o próximo retorno
Que passava por mim, e desviava a minha atenção
Eu chegava vê-la em cada retorno que ficava para trás
E estranhamente cheguei ao meu destino e encontrei
A sua imagem em cada lugar que eu fora
Eu a avistei no mar, eu a avistei na Lua,
Eu a avistei nas ruas, e a avistei em cada canto
Da minha nova casa, no meu novo carro...
DILEMA
Se eu não te amo
Por que perto de ti
Eu encontro tanta paz
E me sinto tão completo?
Se eu não te amo
Por que em meus sonhos
Faz-se presente e em meus planos
De futuro feliz és fundamental?
Se eu não te amo
Por que vejo sua face
Estampadas nas paisagens
Nas noites de lua cheia?
Se eu não te amo
Por que entristeço e desespero
Quando estou lúcido e percebo
Que posso nunca estar de fato com você?
Se eu não te amo
Por que eu não sei mais o que escrevo
Perco-me até ao escrever um poema
Que mais parece um dilema.
Sonho a dois
Que louco é o amor
Cada sentimento tem seus quês.
O amor é feito de quê?
Suponho que seja de ilusões.
Ontem eu tive um sonho
Um sonho intenso e confuso,
Mas por incrível que pareça
Proporcionou-me aconchego e paz.
Mergulhado em meus pensamentos
Quantas loucuras eu fiz...
Cheguei até a ser feliz.
Amanheceu... O sol nasceu...
Eu despertei e algo inusitado aconteceu...
Descobri que o sonho não era somente meu.
Por Inteiro
Sou composto por urgências:
Eu não sei fazer de contas:
Não sei parecer o que não sou;
Não sei ser político ou populista;
Sempre deixo claro minhas escolhas
Não aprendi a ficar em cima do muro,
Sou calor intenso ou frio de matar.
Não me venha com falsidades
Ou com meios amores, ou com meios amigos.
Me venha por inteira ou nem saia do lugar.
Eu gosto do brilho que ilumina o caminho,
Dos gestos silenciosos de quem sabe amar.
De pessoas que exalam paz e confiança
Pessoas que nasceram com a ternura no olhar
E que nos fazem ter a certeza da existência
De Anjo disfarçados de seres humanos
Entre nós, pobres mortais.
Há quem eu evite o contato
E há quem eu abrace apertado.
Não sei abraçar frouxamente e
Nem tampouco representar papéis que
Não me caem bem; não sou ator.
Sou autentico e por tanta autenticidade
Há quem me odeie e há quem me ame.
Não me importa a quantidade de um grupo ou outro;
O relevante para mim é a qualidade de quem me tem amor
Uma vez que considero a reciprocidade algo fundamental.
EMPODERAMENTO
O amor nos empodera
O amante vê em nós
Qualidades que não enxergamos
E vemos no ser amado
Qualidades que ele não via.
O amor nos empodera
Pois nos sentimos pinçados
Em meio à multidão de pessoas;
Nos sentimos escolhidos,
Nos sentimos acolhidos,
Nos sentimos admirados.
O amor nos empodera
O amor nos transforma
O amor nos recupera
O amor muda a atmosfera
O amor é uma enorme fera;
O amor nos traz aconchego e paz.
VAMPIRISMO
VAMPIRISMO
Há quem tenha uma vida dramática
E não seja uma pessoa dramática.
Há quem sofra e não possa lamentar
Precisa ir à luta para sobreviver.
Há quem não tenha uma vida sofrida
E por ser mimado, dramático e dodói
Precisa sempre ser o centro das atenções.
Quer sempre uma plateia.
Não que vez ou outra
Não façamos um charminho...
Quem nunca fez um drama
Por que quer colo, quer carinho?
Mas, dramatizar sempre não dá.
Não pratique o Vampirismo.
O dramático gosta de lamentar
Para que ele tenha pauta
E tendo pauta, terá plateia.
Definitivamente, vampirismo não!
AFETO, LIMITE E SEGURANÇA
Afeto para curar
E para transformar as intenções.
Afeto para romper barreiras,
Quebrar regras e imposições.
Limite para libertar
E para voar pelo mundo afora.
Limite para lacrar com intensidade
A minha imensa e espantosa liberdade.
Segurança para sentirmos fortes
E para sermos porto seguro.
Segurança para abrigar a fé
No que cada um quiser.
ORGANIZANDO O CAOS
Nascemos em forma de um verdadeiro caos
E procuramos vida a fora encontrar equilíbrio
Procuramos urgentemente nos organizarmos
Até para sobrevivermos e vivermos em sociedade.
Se não houvesse limites e uma certa ordem
Creio que a existência de todos nós seria
Ainda mais precarizada e improvável.
Tudo se está dito nas primeiras palavras.
E se tudo posso, acabo invadindo o espaço do outro
Que acaba sendo privado de liberdade
Ao ter seu espaço por mim invadido.
Para convivermos como seres parcialmente normais
Apesar de sermos animais carnívoros e as vezes irracionais
Não podemos nunca renunciarmos a cultura.
O OLHAR
A forma que cada olhar me vê, muda as minhas expressões.
O olhar é suficientemente poderoso para assustar ou encantar.
O olhar pode paralisar ou pode potencializar a ação ou ainda
A energia vital do alvo dessa minha apreciação.
O olhar tem poder, observe sua força e perceberá
Que tem mais força em certos olhares
Do que inúmeras palavras cunhadas em obras literárias.
A forma como nos olham é definitivo para o amor nascer.
Dependendo do olhar posso mal enxergar o poema
Ou posso sucumbir, cair em depressão ou naufragar.
Dependendo do olhar posso empolgar-me a escrever versos
Dependendo do olhar eu posso voar pelo universo.
A UTOPIA DA ETERNIDADE DO AMOR
Mentiram por milênios
Dizendo que o amor era eterno.
Eu por muito tempo acreditei
Creio que fui enganado, mas acordei.
Escrevo este texto
´para fomentar a curiosidade
E a vontade de saber de vocês.
O amor eterno
É uma das grandes utopias
Assim como viver em um paraíso aqui na terra.
O amor eterno existe no sonho
E como uma utopia
Nunca conseguiremos realizar
Tal façanha, tal proeza;
Infelizmente para a nossa tristeza.
A saída seria encontrar o equilíbrio
Entre sonho e realidade,
Mas eis a questão:
Como encontrar o equilíbrio entre o sonho e a realidade?
Sinal Fechado
A cor rubra anuncia a hora do espetáculo
O artista mal respira e corre para a frente do palco
E o show de malabarismo começa imediatamente
Esforçadamente ele tenta agradar à plateia indiferente.
Mal tem tempo de respirar e lá vem ele
Em nossas direções garimpar o ingresso após o espetáculo
Janelas se fecham e mal lhe dão um olhar
Ele estende as mãos e recebe rostos virados automaticamente.
Mas não desiste, antes que o sinal fique verde
Ele se aventura entre os veículos com as laranjas nas mãos
E fatalmente é atropelado e mal tem o direito de falecer.
Reclamam e buzinam os motoristas apressados no engarrafamento.
O malabarista, oh Deus, era apenas uma criança de sete anos que foi ao seu encontro.
INDIFERENÇA
Às vezes você se dedica
Se doa e faz o seu melhor...
Doa a sua atenção e seu tempo
Para alguém ou para uma relação.
E você planta dias após dias
Afeto, zelo e bondade
Sem ter a necessidade
De ter um retorno imediato.
E o que recebe em troca?
Nada mais que ingratidão
Desprezo, dor e solidão;
E o pior, sem uma aparente razão.
Cuidado, com olhos que não amam,
Pois geralmente são olhos
Que sabotam a felicidade
E até mesmo a auto estima alheia.
Reconfigure suas preferências.
Que tal ser tratado com um certo valor?
Há sempre quem solicite sua presença
E não vê a hora de ter uma chance.
Não se doe totalmente
Para relações que nunca têm eco
Onde não há reciprocidade
Não pode haver relação sadia.
