Crônicas de Amor
Eu prometo te amar além do tempo, além dos dias contados, além de qualquer fim que o mundo ouse inventar.
Todos os dias do nosso “pra sempre” terão o teu nome escrito no meu coração, como uma oração que nunca se esquece.
E se existir distância, que ela seja apenas no espaço, porque em mim você permanece inteiro.
Eu já não tenho forças pra viver longe de você… é como tentar respirar sem ar, como silenciar um sentimento que nasceu pra ecoar eternamente.
Fica… porque em você eu encontrei o meu lugar.
E amar você é minha escolha de todos os dias, até o infinito.
Quero te amar com a urgência dos primeiros beijos e a calma de quem sabe que encontrou onde ficar.
Quero teu corpo perto do meu, tua boca procurando a minha, teus braços me envolvendo como se o mundo pudesse acabar lá fora e, ainda assim, nada nos alcançasse.
Quero envelhecer desejando teu toque, sorrindo para o mesmo olhar e escolhendo você, dia após dia.
E quando a vida cobrar de nós o último suspiro, que ele ainda encontre nossos corações batendo no mesmo compasso.
Porque o tempo pode levar nossa juventude, nossa pressa e até nossos dias… só não quero que leve o desejo de amar você.
Se o poeta disse que amar é um verbo intransitivo
e entre outros adjetivos tem seu sentido completo,
eu te digo que o amor é um tanto quanto relativo,
um sentimento cativo, que não aceita decreto.
Se ele se basta em si mesmo e não pede complemento,
como explicar o aperto que dá no meu coração?
Como entender esse laço, esse doce tormento,
que me rouba o pensamento e me joga na tua mão?
O amor pode até ser livre na teoria da gramática,
mas na vida prática ele é dependente sim.
Precisa de um sujeito que lhe dê a voz exata,
que mude a sua fonética e faça ninho em mim.
Não me venha com a lógica de que o amor é isolado,
pois quando estou do teu lado a regra perde o valor.
O meu amor só é pleno se for conjugado contigo,
no presente do indicativo...
No plural do nosso amor.
Porque amar é tão difícil, porque o outro nunca se satisfaz com que é oferecido, porque quando se tem alguém bom ao lado o outro sempre exige mais, como se o que estivesse recebendo não fosse o suficiente. Porque é tão difícil acreditar que podemos ser amados da mesma forma que amamos?
Quando não se tem amor, se humilha por migalhas e quando se tem o despreza.
Viver é amar
Mas amar a quê?
Amar a verdade
Não somente
O conhecimento da verdade
Amar a verdade sobre você
E ter a consciência leve
Compreenda que nem tudo é permitido
A maior verdade da vida
É que a vida é muito breve
Amar ao silêncio
Ouvir a voz do vento entre as folhas
O suave movimento
da aranha que tece a teia
Amar ao emaranhado
da história da sua vida
Enquanto vai sendo tecida
Amar a solidão
Que te faz amar a cada companhia
Amar a luz e a escuridão
Pois cada coisa tem tempo e lugar
Amar ao amor de Deus
Pois só assim se pode ouvir a Deus
Na luz
Na solidão
Na teia que foi tecida
Amar ao tempo que passou
E aprender a não mais lamentar-se
Amar a paz
Aguardar com serenidade
A surpresa que haverá
Ela vem na certeza que há
de um dia, um desenlace
Feliz ou não
Eis aqui toda a importância
de saber amar
A essa vida que não nos pertence
E que há de se apagar como uma vela
Pois um dia
Todo mundo vai ter que prestar as contas
Sobre ela.
Edson Ricardo Paiva.
Tempo
Preciso de um tempo pra mim, preciso chorar sozinha, sorrir das nuvens amar os animais e gostar mais de flores, faz tanto tempo que me sinto menos mulher, faz tanto tempo que nem se quer um botão. Preciso calar minha mente e despir meus atos e completar-me em alguma ação.
Preciso voltar só não sei quantos sorrisos verdadeiros... Mas sei que um dia eu volto a sorrir.
“Amar Não Foi Minha Culpa”
Há amores que terminam deixando saudade. Outros deixam perguntas.
E talvez as perguntas sejam mais difíceis de carregar, porque a saudade aprende a envelhecer conosco, enquanto uma pergunta sem resposta continua batendo à porta da consciência.
Onde estava a minha culpa?
Foi ter amado demais?
Foi ter chegado sem armadura, colocado o coração sobre a mesa e acreditado que sinceridade seria suficiente?
Porque existe uma estranha crueldade em certos encontros: alguém deseja nossa presença, mas recusa nosso afeto. Quer nossa atenção, mas teme nossa profundidade. Aproxima-se para sentir o calor e depois se afasta quando percebe que o fogo também ilumina aquilo que preferia esconder.
E quem amou fica procurando o próprio crime.
Revira palavras.
Reconstrói noites.
Interroga silêncios.
Procura naquela página branca da memória alguma frase que explique por que aquilo que parecia tão inteiro acabou deixando apenas espaços vazios.
Mas amar profundamente não deveria ser uma confissão de culpa.
O erro talvez não esteja na intensidade do sentimento, mas na ilusão de que todo amor oferecido encontrará do outro lado alguém disposto a recebê-lo com a mesma coragem.
Podemos entregar o corpo sem entregar a alma.
Podemos dividir uma cama sem dividir a verdade.
Podemos pronunciar palavras de amor enquanto escondemos de nós mesmos aquilo que realmente sentimos.
É por isso que a intimidade mais difícil não acontece quando dois corpos se aproximam. Acontece quando duas pessoas conseguem permanecer diante uma da outra sem máscaras.
E poucos suportam essa nudez.
Há quem prefira perder um grande amor a ser obrigado a olhar profundamente para si mesmo.
Então chega o dia em que precisamos parar de perguntar apenas por que alguém foi embora e começar a perguntar quem nos tornamos tentando fazê-lo ficar.
Talvez seja aí que a dor comece a se transformar em consciência.
Não quero uma verdade confortável.
Quero a verdade inteira.
Mesmo que doa.
Mesmo que destrua aquilo em que acreditei.
Mesmo que me obrigue a atravessar sozinho lugares que imaginei atravessar acompanhado.
Porque uma mentira pode oferecer abrigo por algum tempo, mas somente a verdade nos devolve a nós mesmos.
Por isso, se um dia você me mostrar onde ela está, eu caminharei em sua direção.
Não porque ainda espere recuperar aquilo que perdemos, mas porque compreendi que há algo maior do que permanecer ao lado de alguém:
permanecer inteiro diante de si mesmo.
E se ainda me perguntarem onde esteve minha culpa, talvez finalmente eu saiba responder.
Minha culpa não foi amar.
Talvez tenha sido acreditar que amar com todo o coração obrigaria outro coração a fazer o mesmo.
E essa é uma das verdades mais difíceis da existência:
o amor pode ser inteiro dentro de nós e, ainda assim, não ser suficiente para fazer duas pessoas permanecerem.
Para a unica garota em que eu realmente amei e continuo amar!
Minha loirinha, que não é mais minha
Escrevo esta carta no dia 17/09/2026 com o meu coração partido, sem esperar nada em troca, apenas com a necessidade sincera de colocar em palavras tudo o que ficou guardado em mim por tanto tempo. Passo os dias lembrando da nossa história, dos momentos simples e daqueles momentos em que o mundo parecia girar só para nós dois. Sentado aqui no chão gelado, com a chuva caindo, percebo o quanto nós mudamos e o quanto aprendi com tudo o que vivemos juntos.Antes de qualquer outra coisa, quero te pedir desculpas. De todo o meu coração, me desculpe por cada palavra dita sem pensar, por cada silêncio ensurdecedor que machucou mais do que qualquer discussão, e por todas as vezes em que falhei em te entender. Me perdoe pelas minhas imaturidades, pela falta de paciência e por não ter sabido cuidar do nosso amor o qual eu dizia que era inefável,não cuidei da forma que ele merecia naqueles momentos difíceis. Sei que magoei você em situações onde eu deveria ter sido seu porto seguro,o seu amigo, e me dói saber que causei qualquer tipo de tristeza no seu olhar. Admitir os meus erros não apaga o passado, mas quero que saiba que carrego um arrependimento genuíno por tudo o que aconteceu de ruim entre nós.Por outro lado, o que prevalece em mim é uma gratidão imensa por ter compartilhado a vida com você. Obrigado, minha loirinha, por ter trazido tanta luz e cor para os meus dias. Agradeço por cada gargalhada compartilhada no meio da tarde, por cada abraço apertado nos momentos em que eu mais precisava e por ter sido minha maior companheira e incentivadora. Lembro com um carinho enorme de todos os seus detalhes: do seu jeito único de sorrir, da sua risada leve, de como o seu cabelo loiro brilhava ao sol e do cuidado e carinho com que você tratava tudo ao seu redor. Lembro-me do nosso primeiro beijo, nosso primeiro encontro. Tudo estará bem guardado. Você me ensinou tanto sobre amar, sobre ter empatia e sobre enxergar a beleza nas pequenas coisas do cotidiano.( é eu sei, sou um reclamão)Mesmo que os nossos caminhos tenham seguido rumos diferentes, o impacto que você teve na minha vida é permanente. Guardo com muito respeito tudo o que construímos e a pessoa incrível que você foi para mim. Torço do fundo da minha alma para que você seja imensamente feliz, que realize cada um dos seus sonhos e que encontre sempre motivos para sorrir com essa leveza que só você tem.
EU NÃO QUERO QUE OS FILHOS DE OUTRO HOMEM TENHA OS OLHOS E O SORRISO DA GAROTA QUE EU JAMAIS ESQUECEREI!!Com todo o meu amor e eterna gratidão, me despeço mais uma vez.
AMAR COM LUCIDEZ: QUANDO O CORAÇÃO CAMINHA AO LADO DA RAZÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo."
— O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5. Tradução de José Herculano Pires.
A recomendação do Espírito de Verdade, dirigida especificamente aos espíritas, está longe de ser uma exortação meramente afetiva. Ela constitui uma síntese admirável da pedagogia espírita, revelando que a verdadeira transformação moral nasce da união entre o sentimento e a inteligência. Não se trata de escolher entre amar ou instruir-se, mas de compreender que ambos são inseparáveis.
Entretanto, é comum observarmos que esses dois imperativos são vividos de forma fragmentada. Há quem exalte o amor, mas relegue o estudo a um plano secundário; há também quem cultive o conhecimento, porém se esqueça da ternura, da humildade e da fraternidade. Em ambos os extremos, perde-se o equilíbrio proposto pela Codificação.
O amor, quando desprovido de discernimento, pode transformar-se em sentimentalismo inconsequente. Sob a aparência da bondade, acaba tolerando o erro sem esclarecê-lo, confundindo indulgência com conivência e misericórdia com omissão. Nesse estado, a caridade deixa de educar para apenas consolar, esquecendo que o verdadeiro bem também orienta, desperta e corrige.
José Herculano Pires, um dos mais lúcidos intérpretes de Allan Kardec, advertiu com admirável precisão:
"Não basta amar. É preciso saber amar."
— Curso Dinâmico de Espiritismo.
E, aprofundando ainda mais essa reflexão, acrescenta:
"Não se pode confundir Espiritismo com sentimentalismo barato. A emoção sem inteligência é o caminho mais curto para a mistificação."
— Introdução à Filosofia Espírita, cap. 4.
Essas palavras permanecem profundamente atuais. Quando o amor abandona a razão, abre espaço para interpretações personalistas da Doutrina, para concessões injustificáveis e para atitudes que, embora revestidas de aparente bondade, acabam obscurecendo os princípios espíritas.
Foi justamente para impedir tais desvios que Allan Kardec estabeleceu uma das maiores salvaguardas da Doutrina:
"Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade."
— O Evangelho segundo o Espiritismo.
No Espiritismo, a razão não limita o amor; ela o ilumina. A inteligência não esfria a caridade; ela lhe oferece direção. O verdadeiro amor jamais contradiz a justiça divina, porque nasce dela e para ela converge.
Por isso, o espírita que busca apenas ser "amoroso", sem estudar, sem refletir e sem vigiar as próprias tendências, corre o risco de substituir o Evangelho pela emoção. Em vez de auxiliar o próximo em seu crescimento moral, pode apenas alimentar ilusões, evitando confrontar o erro quando a consciência exige esclarecimento.
Ao mesmo tempo, o conhecimento sem humildade converte-se em orgulho intelectual. A instrução que não sensibiliza o coração produz rigidez, vaidade e espírito de superioridade. Saber muito sobre a Doutrina não significa vivê-la.
É precisamente nesse ponto que a máxima do Espírito de Verdade revela toda a sua profundidade. "Amai-vos" e "instruí-vos" não representam duas etapas sucessivas, mas duas forças simultâneas que se sustentam mutuamente. O amor preserva o conhecimento da frieza; a instrução preserva o amor da ingenuidade.
O próprio Allan Kardec recorda que:
"O verdadeiro espírita não é o que crê nas manifestações, mas o que se reforma moralmente, esforçando-se por dominar suas más inclinações."
— O Evangelho segundo o Espiritismo.
Essa reforma íntima exige constante vigilância sobre nós mesmos. Ainda estamos longe da perfeição. Muitas vezes, defendemos o amor enquanto nos irritamos diante da menor contrariedade; pregamos humildade, mas desejamos que tudo se faça conforme nossas ideias; falamos de fraternidade, porém resistimos às críticas e aos limites que a própria consciência nos apresenta.
O verdadeiro amor não elimina a responsabilidade moral; antes, fortalece-a. Amar não é aprovar indiscriminadamente. Amar é desejar sinceramente o progresso do outro, ainda que isso exija orientação, firmeza e exemplo. A caridade autêntica jamais abandona a verdade, porque sabe que somente ela conduz à libertação espiritual.
Assim, algumas responsabilidades permanecem inadiáveis para todo aquele que deseja viver autenticamente o Espiritismo:
Amar é unir misericórdia e justiça, jamais fraqueza moral.
Instruir-se é dever permanente da consciência, e não simples ornamento intelectual.
Evangelizar-se significa vigiar a si mesmo antes de corrigir os outros.
Preservar a Doutrina exige fidelidade aos princípios codificados por Allan Kardec.
Reconhecer as próprias imperfeições é o primeiro passo da verdadeira humildade.
Compreender que o amor sem esclarecimento pode transformar-se em indulgência equivocada, enquanto o conhecimento sem amor converte-se em orgulho.
No Espiritismo, não basta possuir um coração sensível; é necessário possuir também uma consciência esclarecida. A luz da inteligência e o calor da caridade não competem entre si: completam-se. Quando uma delas falta, a outra perde sua plenitude.
O Cristo jamais separou a verdade do amor. Kardec jamais separou a razão da fé. O Espírito de Verdade jamais separou o estudo da fraternidade. Eis por que amar com lucidez é amar de verdade.
Frase final.
" Quanto mais a consciência se ilumina pela verdade, mais o coração aprende que o amor não consiste apenas em sentir, mas em servir, educar e transformar, começando sempre por si mesmo. "
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Amar você é como finalmente encontrar o caminho de casa depois de uma longa viagem por estradas desconhecidas. Sabe aquele suspiro de alívio quando a porta se abre e o frio lá de fora deixa de importar? É assim que me sinto ao seu lado.
O mundo lá fora é barulhento, incerto e, às vezes, um pouco assustador. Mas em você, encontrei meu lugar de descanso. Se o amor é um oceano, aceito de bom grado as suas marés, porque até na dor existe a beleza de saber que não estou navegando sozinho.
Você é a luz que atravessa a janela de manhã e o fogo que me aquece quando a noite insiste em ser gelada. Se alguns dizem que amar é deixar ir e outros dizem que é segurar firme, eu digo que amar você é simplesmente ser. É a paz de saber que, independentemente de onde a vida me leve ou de quantos sonhos eu consiga realizar, a memória mais bonita que carregarei comigo será sempre o brilho do seu olhar.
Porque, no fim das contas, todos os meus caminhos — os tortos, os planos e os novos — sempre tiveram um único destino final: você.
Amar-te até em Marte..
Amar-te, é compreender o que há de mais belo
Amar-te, é sentir o doce néctar do existir
Amar-te, é tocar a alma com o coração
Amar-te, é juntar os sabores da vida
Amar-te, é e sempre será a mais bela das emoções
Amar-te é simplesmente amar
"Caio Camara Cesar"
Título : Medo de Amar
Yeah, é o medo de novo...
Olho pro visor, seu nome brilha e eu hesito
O coração acelera, mas o medo é meu grito
Já estive nesse palco, já conheço o roteiro
Entrega total, pra depois ser o passageiro
De um trem descarrilado, sem freio, na contramão
Amor é investimento, mas cansei da inflação
De sentimentos vazios que drenam minha paz
Eu quero o seu "pra sempre", mas o "nunca" me atrai
Eu tenho medo de te amar e me perder de mim
De ver o nosso "olá" virar um triste fim
A mão que me acaricia é a mesma que pode soltar
Eu tô no raso, baby, com receio de mergulhar
E você chega com esse jeito, desarmando o meu forte
Dizendo que o destino é questão de escolha, não sorte
Mas o histórico é sujo, cicatrizes não mentem
Eu sou um campo minado onde poucos se sentem
Seguros pra pisar, seguros pra ficar
Eu construí um muro que você tenta escalar
Mas cada tijolo é um erro que eu jurei não repetir
Você traz a primavera, eu só quero me cobrir
Será que é real? Ou é só mais um tombo no meu degrau?
Eu sinto o fogo, mas temo a queimadura
Tua luz é linda, mas eu prefiro a minha sombra escura...
Eu tenho medo de te amar e me perder de mim
De ver o nosso "olá" virar um triste fim
A mão que me acaricia é a mesma que pode soltar
Eu tô no raso, baby, com receio de mergulhar
Talvez amanhã eu atenda...
Talvez amanhã o medo se renda.
O evangelho nos chama a sermos especialistas em amar e servir, porque foi isso que Jesus fez. Ele não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos (Marcos 10:45).
A verdadeira coroa dos santos
é o amor praticado.
O verdadeiro diploma do céu
é ter sido especialista em ajudar.
Amar no meio da peste e do caos é o gesto mais aristocrático que um ser humano pode realizar, pois exige a doação total sem a garantia de qualquer colheita futura. É o compromisso de cuidar da fragilidade do outro como se fosse o último tesouro de uma civilização que está prestes a desaparecer sob as águas do esquecimento. Que o afeto seja o diapasão que nos mantém afinados com o que é humano, impedindo que o gelo da indiferença técnica congele as fontes da nossa compaixão.
- Tiago Scheimann
A Vida ao Fundo dos Teus Olhos
Amar-te é reconhecer
que o infinito
não vive nas estrelas, mas no intervalo entre o teu silêncio e o meu.
Quando anoitece, descubro
que o corpo também pensa,
que a pele também tem sede.
Há em nós um pensamento antigo,
como se o universo nos tivesse imaginado antes de nos encontrarmos.
E se o mundo ruísse agora,
se tudo se desfizesse em pó,
ficaria ainda este fogo
o teu, o meu, o nosso
a incendiar o que resta da noite.
No teu beijo encontro a origem,
no teu corpo a razão,
no teu olhar a prova
de que o universo não é caos
é escolha.
E eu escolho-te,
mesmo sabendo
que o amor
é sempre um risco
que vale a vida.
Amar-te em Silêncio
Amar-te em silêncio é ouvir o universo respirar dentro de mim, como se cada estrela
soubesse a tua madrugada.
E cada batida do meu peito é um trovão a chamar por ti.
Ardo no espaço onde
a palavra falha e,
nesse fogo que ninguém vê,
a tua presença é chama,
o teu corpo é vertigem
e eu sou apenas o que sobra depois de te desejar até ao limite do ser. Talvez aquilo que calo consiga confessar que te procuro
não nos caminhos do mundo,
mas nos desvios da alma,
onde cada dúvida é uma porta
e a tua essência é uma resposta.
Entre Atrair, Gostar e Amar
Primeiro, você me atrai,
sem pedir licença,
sem precisar dizer nada.
É o olhar que demora,
o coração que acelera,
a presença que chama
mesmo quando você não faz nada.
Depois, eu começo a gostar.
Já não é só o que vejo,
é o que descubro.
Gosto da sua voz,
das suas manias,
das conversas sem hora,
dos detalhes que ninguém percebe.
A atração me faz olhar,
o gostar me faz ficar,
mas o amor...
O amor me faz cuidar.
Porque amar não é somente querer estar perto,
é querer ver você bem.
Não é apenas sentir borboletas,
é permanecer quando elas vão embora.
A atração diz:
“Eu quero você.”
O gostar diz:
“Eu gosto de ter você comigo.”
Mas o amor sussurra:
“Mesmo quando for difícil,
eu ainda vou me importar com você.”
Porque talvez amar
não seja sentir mais forte.
Talvez seja sentir mais profundo.
A atração começa nos olhos,
o gostar cresce no coração,
mas o amor...
O amor cria raízes.
Não, recuso-me a mais esse fardo. Não desejo, nem por um instante, saborear a doce paixão de amar e ser amado outra vez, a dor da saudade que se veste de doçura. No fim de sua missão, ela partiu, levando consigo metade da minha essência; minha alma, agora um caco de vidro, viu sua outra metade arrancada e levada embora. Contudo, guardo a certeza de que ela levou essa fração de mim não para nos separar eternamente, mas para que, no além, onde as sombras se dissipam, nossos destinos se entrelacem novamente, fundindo-nos em um único corpo completo, perfeito e indivisíveil.
Fernanda Soares Labre (in memoriam)
Talvez a gente passe a vida inteira tentando aprender a se amar.
Procurando no espelho, nas conquistas, na aprovação dos outros, em alguém que chegue e nos faça finalmente sentir suficientes.
Mas o amor-próprio não é algo que precisamos aprender a sentir.
Ele já existe dentro de nós.
O que precisamos aprender é a não abandoná-lo.
Porque quando alguém chega e nos faz bem, é fácil acreditar que foi essa pessoa quem trouxe o amor.
Quando, na verdade, ela apenas encontrou dentro de nós um amor que já existia.
O outro pode despertar.
Pode ensinar.
Pode acrescentar.
Mas não deveria ser responsável por nos lembrar do nosso próprio valor.
Amar alguém não deveria exigir que a gente se ame menos.
Amar a si mesmo é menos sobre construir um amor do zero
e mais sobre parar de entregar aos outros aquilo que também pertence a nós.
Porque o amor que procuramos tanto fora, muitas vezes, só estava esperando que a gente voltasse para dentro.
K.B
As pessoas não são obrigadas a viver por você.
As pessoas não são obrigadas a te amar.
As pessoas não são obrigadas a te dar atenção.
As pessoas não são obrigadas a gostar de você.
As pessoas não são obrigadas a te ajudar.
As pessoas não são obrigadas a te reconhecer.
As pessoas não são obrigadas a fazer o que você quer.
Mas você pode viver por quem quiser.
Amar quem quiser.
Dar atenção pra quem quiser.
Gostar de quem quiser.
Ajudar quem quiser.
Reconhecer quem quiser.
Fazer o que quiser.
O que você dá ao mundo não vem com garantia de retorno, mas ainda assim, é sua escolha.
