“Amar Não Foi Minha Culpa” Há... Silasoliveira13

“Amar Não Foi Minha Culpa”

Há amores que terminam deixando saudade. Outros deixam perguntas.
E talvez as perguntas sejam mais difíceis de carregar, porque a saudade aprende a envelhecer conosco, enquanto uma pergunta sem resposta continua batendo à porta da consciência.
Onde estava a minha culpa?
Foi ter amado demais?
Foi ter chegado sem armadura, colocado o coração sobre a mesa e acreditado que sinceridade seria suficiente?
Porque existe uma estranha crueldade em certos encontros: alguém deseja nossa presença, mas recusa nosso afeto. Quer nossa atenção, mas teme nossa profundidade. Aproxima-se para sentir o calor e depois se afasta quando percebe que o fogo também ilumina aquilo que preferia esconder.
E quem amou fica procurando o próprio crime.
Revira palavras.
Reconstrói noites.
Interroga silêncios.
Procura naquela página branca da memória alguma frase que explique por que aquilo que parecia tão inteiro acabou deixando apenas espaços vazios.
Mas amar profundamente não deveria ser uma confissão de culpa.
O erro talvez não esteja na intensidade do sentimento, mas na ilusão de que todo amor oferecido encontrará do outro lado alguém disposto a recebê-lo com a mesma coragem.
Podemos entregar o corpo sem entregar a alma.
Podemos dividir uma cama sem dividir a verdade.
Podemos pronunciar palavras de amor enquanto escondemos de nós mesmos aquilo que realmente sentimos.
É por isso que a intimidade mais difícil não acontece quando dois corpos se aproximam. Acontece quando duas pessoas conseguem permanecer diante uma da outra sem máscaras.
E poucos suportam essa nudez.
Há quem prefira perder um grande amor a ser obrigado a olhar profundamente para si mesmo.
Então chega o dia em que precisamos parar de perguntar apenas por que alguém foi embora e começar a perguntar quem nos tornamos tentando fazê-lo ficar.
Talvez seja aí que a dor comece a se transformar em consciência.
Não quero uma verdade confortável.
Quero a verdade inteira.
Mesmo que doa.
Mesmo que destrua aquilo em que acreditei.
Mesmo que me obrigue a atravessar sozinho lugares que imaginei atravessar acompanhado.
Porque uma mentira pode oferecer abrigo por algum tempo, mas somente a verdade nos devolve a nós mesmos.
Por isso, se um dia você me mostrar onde ela está, eu caminharei em sua direção.
Não porque ainda espere recuperar aquilo que perdemos, mas porque compreendi que há algo maior do que permanecer ao lado de alguém:
permanecer inteiro diante de si mesmo.
E se ainda me perguntarem onde esteve minha culpa, talvez finalmente eu saiba responder.
Minha culpa não foi amar.
Talvez tenha sido acreditar que amar com todo o coração obrigaria outro coração a fazer o mesmo.
E essa é uma das verdades mais difíceis da existência:
o amor pode ser inteiro dentro de nós e, ainda assim, não ser suficiente para fazer duas pessoas permanecerem.