Corpo
Me liga...
Te chamei pra dançar,
Vi nos teus olhos o amor falar,
O perfume do teu corpo deixastes nas minhas mãos, na minha camisa e na minha alma,
Não vamos deixar um até logo virar um adeus, me liga.
POESIA
Inabalável
Prenderam meu corpo mais não sepultaram meu espírito.
Cercaram meus passos mais não corromperam meus sonhos.
Foram rápidos em apontar os meus erros, só não imaginaram que eu estava certo.
Tentaram me transformar em ruínas.
Enganaram-se, porque os meus sonhos e o meu espírito são mais fortes do que essas grades que me cercam.
Sofro mais é a dor que me faz crescer.
Quando parece que essas grades querem me sufocar, fecho os olhos e viajo descobrindo o mundo e todo o seu interior que é só meu e de mais ninguém.
Está preso significa não deslumbrar o futuro é achar que tudo ao redor acabou, representa pensar que tudo está escuro, significa desejar todos os dias que o sol não apareça amanhã.
Enganam-se, porque nós estaremos sempre livres, eu e o meu espírito, enquanto acreditarmos que os meus sonhos, a minha esperança e a minha Fé são maiores que tudo isso.
Nosso corpo tem prazo de validade, mas a nossa alma não. Deixar que partam antes os nossos sonhos, a nossa alegria e a nossa fé, é se despedir da vida aos pedaços, é abandonar o espírito antes do corpo, é ignorar que somos feitos de eternidade.
Que nada do que temos de mais precioso se perca antes de nós: a vida que Deus nos deu.
Lori Damm
Cada pessoa desempenha um papel no mundo, como uma célula ou um neurônio ocupa no corpo humano.
(Eric Schwitzgebel)
Mãe Mistério
O adulto de hoje foi criança
que a mãe um dia sonhou.
Foi no corpo materno,
que a educação começou
Mãe conhece antes do mundo,
a bagagem que dentro de si
carregou.
Embalo
Deus nos dá empurrões,
mas poucos aproveitam o embalo,
a maioria faz corpo mole,
cai, rasteja, reclama da vida.
" Eu vejo gente morta
Não no corpo que se perde
Eu vejo gente morta
Na alma que perece
Eu vejo gente morta
Não na falta de pulsar
Eu vejo gente morta
Na ausência do pensar
Eu vejo gente morta
Não na falta de respirar
Eu vejo gente morta
Quando esta deixa de amar"
A ginga balança o corpo,
E a capoeira nos move nesse balanço.
Por onde o equilíbrio se encontra com o desequilíbrio.
E ao som do berimbau encontro consolo.
Consciência é a manifestação da alma vigente. O corpo é o seu invólucro, munido dos membros necessários para a subsistência do hospedeiro. Lados direito e esquerdo, ambos vitais para a existência. Mas se um dos lados discordar ou assumir o comando total, rompe-se a harmonia: o corpo adoece ou a alma se anula. A vida exige equilíbrio, não tirania.
O corpo é o invólucro que preserva a alma; seus membros, direito e esquerdo, sustentam o caminhar. Porém, quando uma das partes entra em discórdia e assume o controle absoluto, o desequilíbrio se instala. Sem a harmonia dos opostos, a existência tomba.
O primeiro amor é uma porta que se abre. O segundo, uma porta que se fecha com o corpo. Eu sou a porta que arrancaram das dobradiças e usaram para bater em alguém. Sou a junção do que não cabe em verso de amor e a raiva que virou melodia, o peso que virou refrão, a alma que só encontrou paz na distorção de uma guitarra. Uns amam deixando ir. Outros, morrendo juntos. Eu sou o que sobrou depois que os dois desistiram.
Cada batida do peito
Meu corpo se desorganiza
quando você se aproxima,
como se cada batida do peito
perdesse o mapa do próprio rumo.
O silêncio pesa nas mãos,
elas tremem sem frio,
é o sentimento tentando escapar
antes mesmo de virar palavra.
O mundo fica lento demais,
meu fôlego falha,
e o coração aprende a errar
o compassosó para
acompanharo seu.
Não é susto, nem acaso,
é algo antigo me chamando por dentro:
meu coração descobrindo,
enfim, que sempre esteve
a caminho de você.
Raiz que não se arranca
A terra não é chão:
é corpo antigo,
é pele marcada pelo sol e pela memória.
Cada passo indígena é um traço no mapa do tempo,
onde a raiz aprende a resistir
mesmo quando tentam
chamá-la de invasão.
A luta não grita
— permanece.
É flecha feita de direito,
é canto que demarca o invisível,
é sobrevivência plantada no hoje
para que o amanhã não seja um deserto sem nome, sem povo, sem origem.
Sete de fevereiro
Não é data: é vigília.
É a história de pé, sem pedir licença,
defendendo o que sempre foi seu.
Enquanto houver terra respirando,
haverá luta
—e ela nunca esteve sozinha.
Aqui o Brasil não é mapa —
é corpo em brasa.
A pele da terra rasga em fogo,
e a fumaça sobe como um grito antigo
que ninguém quis ouvir.
No peito, a bandeira ainda pulsa,
cercada por cinzas e promessas queimadas.
O verde virou carvão,
o azul resiste como céu ferido,
o amarelo tenta lembrar que já foi sol.
Cada labareda é uma história interrompida,
um rio que pede socorro,
uma floresta que reza sem língua.
O país arde, não por acaso,
mas por descuido,
ganância e silêncio.
Mesmo em chamas, há algo que não morre: a esperança teimosa que brota na rachadura.
Do fogo pode nascer semente —
se o povo acordar,
e decidir ser chuva.
