Convite para Sair
As minhas dúvidas são as mesmas, são existenciais.
Acredito que o trabalho é uma forma de sair, de esquecer um pouco as inseguranças, as coisas que as vezes o corpo não quer reconhecer. Quando não trabalhamos o vazio é bem maior. Porém, quando ficamos inertes por muito tempo a dificuldade de se mover é grande. Então você ouve alguém dizer: Você tem que sair da sua zona de conforto. Mas, não é somente ouvir e fazer: Isso não é fácil. Por exemplo, você pode tentar deixar tudo e mudar por um tempo. Mas, ainda que queira, é impossível continuar quando o corpo não deixa. Você poderia mudar pela vontade, pelo espirito, mas infelizmente o corpo não resiste.
Acho que todos nós temos o mesmo vazio. Há pessoas que tem facilidade para fazer isso ou aquilo que não conseguimos fazer bem, mas isso não quer dizer que elas são melhores que nós. Percebo que neste nosso tempo temos uma insatisfação, temos um vazio. É como se vivêssemos buscando uma energia e nunca preenchemos o vazio em nós. Mesmo que tenhamos muito, temos a sensação de não termos nada. Porque sempre precisamos de mais e mais. Eu não sei que falta é essa, mas o fato é que fazemos parte deste tempo.
Quando o outro não suporta ouvir sobre a sua prosperidade, logo arranja uma desculpa para sair da conversa.
Passei um ano fazendo economias para sair com uma pessoa, mas deu tudo errado, Então resolvi me mandar para a Argentina...De bordel em bordel... A procura da mais bela china... Para dançar um tango de Gardel.
Vou sair incerto por aí a fora...
Levando comigo o violão...
E na mala uma grande ilusão...
Mas não vou definitivamente embora...
Vou levar pra bem longe uma decepção...
Cicatrizar uma ferida no coração...
E tudo que dentro de mim chora...
E desabafo numa canção...
Sem destino por este rincão...
E volto quando chegar a hora.
Eu tenho tantos sonhos durante minhas noites, que quando desperto e tenho que sair, não sei qual o rumo que tenho que seguir para correr atrás.
Hoje cedinho acordei, tomei meu café e fui até o quarto dar um beijo na minha esposa antes de sair, quando abri a porta me dei conta que eu não tenho esposa.
A minha vontade é sair por aí gritando o mais alto possível, para que o mundo inteiro ouça, o quanto eu te amo.
Tenha sabedoria para entrar e sair, para falar e para ficar em silêncio, assim muitas portas serão abertas.
Muitos caminhos nos levam até Roma, mas você não precisa nem sair de casa se não desejar, seja livre.
Com a internet, se tem a impressão de sair das instituições e das suas limitações. Tudo parece possível.
Querem sair sem se preocupar
Ir pra qualquer lugar sabendo que vai Voltar
O povo só quer paz, não é pedir Demais
Governo quer dinheiro e Morador amor E paz
As vezes tenho medo de sair
De dar um rolê por ai
E te encontrar num lugar qualquer
É que tá muito na minha Cara
Que te amo
Sofrimento
Minha alma está sangrando
Não sei como sair desse chão
Como me sinto arrasada
O abandono me deu um empurrão
De novo ele veio me lembrar
Que vez ou outra ele vai aparecer
Parece um carma que me acompanha
Querendo me enlouquecer
Ruim é o estrago que ele deixa
Me quebra em vários pedaços
Mais uma vez ele me beija
Com dor, chorando .. descalço
Rejeição nunca foi meu forte
Não sei como lidar com ela
É como a dor da morte
Deixando sua sequela
Parte de mim se vai
Levando toda alegria
Nos meus olhos a angústia se revela
Que tormento, que agonia.
As vezes eu me pergunto
Se um dia vou parar de sofrer
O abandono me machuca tanto
Ele ama me entorpecer..
Será que serei normal um dia?
Sem passar por tantos danos?
A lacunas em minha alma
Cresceram, cresceram tanto.
Eu morro e volto a viver
Toda vez que a dor aperta
Ela esmaga meu coração
Me sufoca e me dilacera.
Disse: Joseanne Karla
Surto
Eu sabia.
Eu sabia.
Mas o saber não segurou a porta
quando a mente resolveu sair correndo.
O surto não chega gritando,
ele chega convencido.
Diz que agora vai,
que dessa vez precisa falar,
que o silêncio já venceu vezes demais.
E eu assisto.
De dentro.
De fora.
De um lugar estranho
onde ainda existe consciência,
mas não existe freio.
Eu falo.
Eu exponho.
Eu rasgo o que eu mesma costurei com cuidado
em dias de lucidez emprestada.
É desesperador
morar num corpo que não obedece,
num pensamento que se auto-sabota
em tempo real.
É como se eu fosse
a câmera de segurança
de um assalto cometido por mim mesma.
Grava tudo.
Não impede nada.
Depois vem o cansaço.
Esse cansaço antigo,
que não é físico,
é ontológico.
Cansa existir dentro de uma mente
que sabe demais
e controla de menos.
Eu volto pra mim aos poucos,
como quem retorna de um incêndio
carregando o próprio nome chamuscado.
Ainda sou eu,
mas com cheiro de fumaça
e a vergonha silenciosa
de quem viu tudo pegar fogo
sem conseguir apagar.
O surto passa.
Eu fico.
Com a memória do estrago
e a pergunta que nunca cala:
— como é possível estar tão consciente
e ainda assim tão ausente de si?
