Contos sobre a Fome

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⁠Tenho Fome -

Tenho fome de Amor
minha fome sentida
tenho fome do sabor
do gosto da Vida!

Tenho fome da fome
do silêncio d'Agosto
minha fome consome
minh'Alma, meu corpo!

Tenho fome da morte
tenho fome do fado
tenho fome da sorte
de estar apaixonado!

Tenho a fome d'um morto
uma fome sem calma
minh'Alma sem corpo
que é fome sem Alma!

⁠⁠Fome

Em nossos dias atuais, há muita fome que precisa ser saciada.
Há acentuada privação que consome almas e devasta seres a cada dia.
É urgentemente necessário alimentar o ser humano da fome
de saber
de arte
de poesia
de magia
de afago
de abraço
de amigos
de abrigo
de honestidade
de verdade
de caridade
de dignidade
de irmandade
de tolerância
de fé
de amor
de viver
de atitude
de completude.


Umbelina Marçal Gadelha (Umbelarte)

A Fome

A fome…
Agora todos reconhecem a tua presença.
Negar-te no rosto do povo é pura indiferença.
Levas contigo a nossa alegria,
Enquanto impostos nascem em nome do progresso —
Mas já duvidamos da promessa chamada esperança.

Angola,
Mais uma vez te escrevo,
Não para acusar,
Mas para aliviar a alma cansada.
Há dias em que somos tentados...
Não sabemos mais se a honestidade ainda salva.
A fome invadiu os nossos bairros,
Descontrolada, feroz —
Alguém que a dome!

Tiraste-nos a dignidade,
E agora rondas as nossas casas como um espírito sombrio.
Pagaremos mais impostos...
Quem sabe assim desapareces.

As igrejas transbordam nos nossos bairros —
Ó Deus,
Agora nos alimentamos apenas pela fé!

Mas mais do que a fome,
São esses pensamentos que me matam.

O homem está fugindo.
Foge dos outros.
Foge do tédio, do perigo, da ansiedade, do vazio,
da fome, da guerra, da privação, da morte...
Mas a fuga principal é aquela com que procura escapar do
encontro consigo mesmo.
Cada um se sente, para si mesmo, a maior ameaça, a
decepção maior.
O homem tem medo de saber o que ele é.
Todas as portas de escape são buscadas, contanto que se
aliene do que é ou supõe ser.

Paixão

Andei perdendo muito
perdendo tanta coisa
acho que estou perdida
primeiro perdi a fome
depois perdi o sono
perdi a concentração
perdi o controle
perdi a vergonha
e agora me deu pra perder até o fôlego!
acho que estou perdida
acho que encontrei algo
acho que não preciso de mais nada
acho que estou perdida
em mim já não me acho

Me salve de mim

A fome que sinto do novo é insaciável. O vazio da vida que levo me mantem cada vez mais em absoluta inércia. Nem a esperança tem adoçado os meus dias. O mundo que sonhei pra mim, já não cabe mais em meus sonhos. E imploro, ardentemente, inconsolavelmente; por um fio de luz, nesse meu obscuro viver.

O menino

O menino sente
A fome,
A miséria,
A desnutrição.

O menino chora
A angústia,
O desprezo,
A solidão.

O menino corre
Da violência,
Da maldade,
Da incompreensão.

O menino sonha
Com a família,
Com o carinho
Com união…

O menino sofre
As consequências
De seu país
Sem coração.

Quem esteve contigo nos dias de fome, nos momentos de sede,
quem carregou teu peso quando a vida te derrubava,
esse é quem deve caminhar ao teu lado no triunfo.


Os que apenas aplaudiram de longe,
ou se silenciaram diante da tua luta,
não têm parte na tua celebração.


A verdadeira vitória reconhece quem te sustentou quando tudo parecia perdido.
Hoje, honra quem esteve contigo.
O resto… que observe de fora.


— Purificação ⚔️

Não brindes com quem chegou ao banquete
e esqueceu de dividir contigo o pão da fome.
Quem te deu água na sede é que merece o champanhe da vitória.


Os aplausos vazios dos que nada fizeram
não têm lugar na tua celebração.
O verdadeiro triunfo é partilhado com quem esteve contigo na luta.


— Purificação 🕯️

⁠Fome
A pobreza nos tornou Africanos.
Nossa África nos tornou vítimas da colonização.
Nós somos Africanos de raíz.
A pobreza nos faz acreditar no amanhã.
Nós somos pobres Africanos, a esperança nos faz crer no amanhã.
Nós somos pobres, pôs somos africanos.
Mas tenho que lutar sim
Lutar contra essa maldita pobreza, pôs sou Africano.
Sim acreditar no amanhã não sentirei mais fome.
Sim sou Africano ter esperança me faz não sentir a pobreza.

Fome, miséria, enchentes e destruição
Guerras sem nexo, terror, atentados, orgulho e incompreensão

O medo domina um mundo
Que sente que vai acabar
Escravos do próprio egoísmo alheios à vida, mas Ele virá!

Falsos profetas enganam o povo de Deus
Falsas doutrinas e falsos milagres dão margem, razão aos ateus

Esqueceu-se do dia sagrado
Ignora-se a Lei do Senhor
E quem não ignora estatutos
ignora a essência da lei que é o amor

Mas Ele virá!!!

Eu te desejo.
Mas não te desejo como quem tem fome.
Te desejo como quem deseja pele.
Pele que não é pele, pele que é carinho, cobertor.
Pele como a tua, que é o silêncio, a música.. pele que é dor.


Eu não desejo teu corpo, desejo tua presença.
Ouvir tua respiração, sentir o colchão afundar com teu peso ao meu lado.


Silêncio. Apenas silêncio..
Silêncio pesado, poético, como se o simples fato de existir junto contigo já fosse íntimo demais..
E talvez seja.


Não é sobre o ato.
Não é sobre querer-te nu.
É sobre fechar os olhos.
Não para imaginar o corpo,
Mas sim pra sentir
A ideia dele ali.


A proximidade. O toque. A respiração.
É bonito.
Melancólico.
Poético, quase erótico.
Não é por te querer por inteiro, mas sim, por te querer por perto.


E assim, eu deixo guardado no peito..
Esperando por um toque que nunca será feito..
Tudo fica estático.
E o que faz as coisas voltarem a girar é a tua imagem.

O amor acalma, acalma de verdade, e põe fim àquela fome sem fim do corpo que sonhamos ter.
O amor é a última resposta, vai além do que vemos e até da morte. Ele é a maneira como aceitamos e celebramos o corpo de verdade, o corpo que temos aqui e agora. Talvez seja a única resposta que temos de fato.

Leio poemas como alimento.
Não leio com os olhos,
Nem leio com a liguagem.
Leio com a fome
De quem busca significados.
E isso é sempre arriscado.
Em meio a palavras herméticas,
Entendo como quem conhece.
E tudo flui organicamente.
Se as vejo em um conjunto
De produção e sensibilidade,
Cuidadosamente arquitetadas.
Não sei vocabulário rebuscado.
Mas sei sentir cada palavra:
Um peixe vivo em minhas mãos.
Raramente encontro o retrato fiel
Do que vivo febrilmente.
E por um minuto me sinto compreendida.
Eu que tantas vezes me dei por vencida.
Não sei nomear o que a vida faz de mim,
No momento presente, incoerente.
Cansada que estou
De movimentos lineares.
Reprimo sentimentos viscerais,
Se sou muito nesse mundo,
Que observa e constrói regras.
Sentada longamente não esboço ação,
Mas meu peito corre mundos
E cria realidades imprevessentes.
Como conter impulsos
De um ser que transborda
Dimensões caosmáticas?
Se penso em Deus,
É porque Deus está em mim.
Sem religião, sem plateia.
Apenas uma força
Que sereniza minhas visões.
E me faz tratar o outro
Com a tenulidade que espero.
Estou isolada de todos.
Sei que amo e sou amada
Por amigos caros em
Minhas afetivas lembranças.
Mas preciso estar só,
Para que minha mente
Não se vá por caminhos
Que desconheço e temo.
Solidão ontológica
É o que me resta,
Se não encontro pares
Que eu ouço e me ouvem.
Mas nada lamento.
Se tive o corpo torturado,
Aumentou minha noção de justiça.
Talvez eu seja dócil na aparência,
Velho hábito polido na educação.
O que dizer sobre
O que se passa em minha mente?
Nasci como sou e sou como nasci.
Mas sei conversar calmamente
Como se minha mente não estivesse em
Ebulição, com pensamentos contínuos.
Escrevo essas palavras,
Que ouso chamar de poema.
Se falo tanto de mim,
Não é ferida narcísica.
Tenho consciência da minha
Peculariedade, se não sou
Uma pessoa pragmática.
A maturidade se aproxima,
E faço um restrospecto.
Erros e acertos se entrelaçam.
Sinto vontade de pedir perdão,
Mas palavras não curam sentimentos.
E já não sei mais onde errei ou acertei.
Sinto paz e me aceito com minha
Mente idiossincrática.
E sei sentir afeto duradouro,
Mesmo no descartável do
Nosso tempo veloz.
Sei que estou prolixa
E o poema se demora.
Sem garantias.
Espero que você me leia,
E se sinta capaz de entender,
Sem banalizar minha confissão.
Mas se eu não te interesso mais,
É justo que essas palavras caiam
No esquecimento sem nada dizer.
Minhas palavras são normoses,
E posso disser que sem palavra
Eu fiz um poema.
Sem nenhuma força,
Sem nenhum apoio.
Eu sou resistência plantada
No chão árido.
E estou feliz,
Porque a felicidade mora em mim.
E sorrio sozinha,
Por que minha ternura,
Não conhece opressão humana.
Sigo em frente, olhos abertos,
Navegando no amor
Que vislumbro no horizonte.

Van Gogh não pintava flores, ele pintava fome de luz, demonstrando em seus 7 quadros os seus girassóis, sendo ele um apaixonado recíproco? E pouco compreendido
Mas seus girassóis não tinha, o amarelo, não era cor, era urgência de demonstrar amor, era o tipo de sentimento que olha para o céu e sente conforto é como quem precisa ser visto de volta, quem precisa volta pra terra de quem sabe sonhar
O girassol ama assim, ama de frente, ama em economia
Ama com o rosto inteiro entregue ao brilho, brilho que só alguém como você pode me propor
Mas e eu…? você é girassol? Eu sou uma dália?
A dália não grita para o céu, ela é o que você precisa, a permanência na obediência
Ela se abre em silêncio, por que por muito tempo sempre sou o silêncio, amou no silêncio, na existência inexistente, atrás dos quadros pintados, as camadas simétricas, quase calculadas, como quem aprendeu que intensidade não precisa ser escândalo
Ela te diz: "não fui feita pra mendigar sua luz, floreci ao lado de quem sustenta o sol com seu brilho"
O girassol ama com luz, a dália ama com estrutura, ela não tem medo de amar sozinha; ela entregou as pétalas a quem não soube o peso de uma flor inteira, e talvez o seu medo more exatamente aí no espaço entre os dois COLISÃO — SUBMISSÃO
Porque amar como girassol
é correr o risco de não ser olhada de volta, é oferecer o rosto ao sol e descobrir que o céu pode ficar nublado
Já cometi o erro de uma dália imatura me diminuir pra caber no seu amor e não suportou o meu florescer
Por que amar como dália é ainda mais corajoso, aprendi te amando que, amar não é se desgastar por um alguém, é florescer na direção, florescer na mesma luz, é florescer sabendo que nem todo mundo entende profundidade, o profundo não é pra todo mundo, o próprio nome já diz que é ( fundo)
Que nem todo mundo sustenta camadas, no meu caso todas as minhas 12 pétalas
É que algumas pessoas só sabem lidar com o que é simples, o raso, não por que não sabem que é difícil, é por que é mais fácil e sem risco de destruição iminente
Veja só o Van Gogh pintava girassóis porque eles eram intensidade exposta, porque se ele tivesse pintado dálias, talvez tivesse enlouquecido mais cedo, pelo simples fato de ter que admitir que existe amor que não implora luz, um amor que espera reconhecimento
Eu não tenho medo de amar e não ser correspondida, tenho medo de realmente amar sozinha, loucura né ? É porque prefiro esperar um amor que me reconheça inteira do que florescer pela metade para ser escolhida
Me entregar para o sol que você guardou dentro e receber sombra?
Só que existe uma verdade que ninguém te disse:
Não sou uma dália feita para qualquer jardim, já o girassol foi feito para qualquer céu
Fui soberba? Calma, é por que quem aprende a valorizar o profundo não se sustenta com o raso.
O amor que nasce apressado queima, mas o amor que nasce escolhido permanece
E se você meu girassol um dia aprender a virar o rosto não só para o sol, mas para sua dália que sem está ao seu lado vai entender que luz apagada também é cuidado,
que amar é te escolher todos os dias…
E então, só então eu não terei amado sozinha, porque o amor verdadeiro não é o que te consome como fogo, é o que te reconhece como obra
Talvez, no fim, o maior risco não seja te amar e não ser correspondida.
Não tenho medo de amar, tenho medo de aceitar menos do que alguém não é capaz de sustentar o meu florescer.

A FOME QUE NÃO É DE PÃO

Tem gente que morre de fome
Tendo o pão sobre a mesa.
Tem gente que adoece
Antes de qualquer tristeza.

Tem gente que envelhece
Sem ter vivido a beleza,
E carrega nas costas
O peso da própria leveza.

Tem gente que tem medo de fazer,
De pular, de cair, de tentar,
E passa a vida inteira
Apenas a observar.

Tem gente que vive no lusco-fusco
Em pleno sol de verão,
Com os olhos vendados
E a alma em escuridão.

Tem gente que nunca vê saída,
Nem quando a porta está aberta,
E prefere a cela conhecida
À liberdade incerta.

Tem gente que anda nu
Mesmo vestido de cetim,
Porque a nudez da alma
É a que mais assusta em si.

Tem gente que morre antes de viver,
Respira sem inspirar,
São estátuas de sal que se esqueceram
De como se deve andar.

Tem gente que ouve sem escutar,
Que olha sem enxergar,
Que fala sem dizer nada,
Que abraça sem apertar.

Tem gente que guarda o sorriso
Pra um dia que nunca virá,
E guarda tanto a alegria
Que a alegria definha no ar.

E seguem, cegos e mudos,
Cada um no seu lugar,
Esperando que um dia a vida
Os aprenda a despertar.

Mas o tempo passa em vão
Sobre os ombros de quem parou,
E a morte, paciente, espera
Por quem nunca começou.

Na ponta do dedo !


Na ponta do dedo: Você pode escolher,
o líder que vai lhe matar de fome, ou cuidará bem de você.


O povo não quer acordar do profundo sono da indolência, já não buscam mais a Deus, a fé já não tem mais. Eles rejeitam as bênçãos de Deus, e passam há crê, em satanás.


O Mundo jaz no maligno, segundo diz as escrituras, aqueles que negam a fé por certo descem a sepultura.
Sem Deus não somos nada, sem ele nada serei quem crê em Jesus tem a vida e viverá com o Rei.


Ele é o Caminho, que o dia declarou,
Ele a Verdade e a Vida, e também o Criador.
Meu amigo aceite Cristo, para no céu ir morar, pois na casa do seu Pai existem muitos lugares.

A fome empurra o caçador à beira do abismo,
onde o risco dança com a necessidade.
Seus passos não são feitos só de coragem,
mas de urgência —
de quem não pode voltar de mãos vazias.
Do outro lado, a caça pressente o vento,
lê no silêncio o sinal da ameaça.
Carrega nos olhos o instinto antigo,
o chamado bruto da sobrevivência.
Não é fraqueza fugir —
é sabedoria guardar o próprio sopro de vida.
E nesse encontro invisível,
não existe vilão nem herói.
Apenas a lei crua da existência,
onde um precisa viver…
e o outro luta para continuar sendo.
Talvez a vida seja isso:
um equilíbrio inquieto,
entre a fome que nos move
e o medo que nos protege.

A Peça da Minha Vida


Às vezes sinto fome de vida, sabe? Sinto um enorme desejo de realizar meus sonhos, ganhar o mundo. Às vezes, até penso em alongar meu tempo, mas tenho receio de que toda essa dor física, que piora conforme a idade avança, me leve à loucura, ou pior, me impeça de ser dona da minha vida, assim como da minha morte.
A morte assistida não é sobre desistir da vida, mas sim não aceitar desistir dela! Não aceitar viver uma vida sem propósito ou possibilidade. Não aceitar, justamente por se amar muito, sentir tantas dores físicas a mais, além do risco de estar sozinha no pior, sem ter uma mão a quem recorrer no desespero, seja físico, emocional, ou ambos. É sobre não aceitar perder a minha autonomia, tornando a vida, verdadeiramente, insuportável a cada segundo.
A minha decisão não tem haver com tristeza, apesar de sentir tanta dor física afetar sim o nosso emocional em algum nível, ainda que sutil. Tem haver com razão, com racionalidade, além de verdadeiro amor, empatia, respeito e carinho por mim. Não quero correr o risco de viver um insuportável ainda pior do que todos os já vividos até aqui. Não quero sofrer tantas perdas, o que, infelizmente, é tão inevitável na vida. Não quero o sofrimento, porque já sofri demais. E não quero uma morte dolorosa como a vida foi, mas sim digna, humana, indolor. Me recuso a ter uma vida não vivida, infeliz.
Quero realizar, viver! A vida não é medida, ao menos por mim, pela quantidade. Para mim, o mais importante, e a única coisa que vale medir, que vale a pena, literalmente, é a qualidade, não a quantidade. Às vezes vivemos uma eternidade em pouquíssimos anos, e não vivemos nada em mais de um século. Se sou apenas eu por mim, que eu tenha a melhor e mais épica vida! Que nos poucos anos que me restam, eu tenha uma eternidade de realizações, conquistas, e deixe o meu legado. Que eu me orgulhe ao ver o fechar das cortinas, e possa me despedir das pessoas que mais amo. Que seja um sucesso a peça da minha vida!
- Marcela Lobato

PRECE DE UM VELHO
---Por favor seu moço ,
dê-me sua mão!
Calejado, cansado , com fome ,estou a lhe implorar:
por favor erga este velho corpo do chão...
Você que ainda é novo e sadio,
não sabe as dores desse velho caído,
junto ao chão frio e calado,
que nem mesmo consegue refletir seus atos.
Estenda um pouco os seus braços,
faça o meu corpo reagir ao tempo,
pois o frio gela e leva meu ser...
Talvez nunca passe por isso,
pois é dor demais por quem chora o desprezo,
depender de alguém que nem mesmo conheço
para desprender este meu corpo,do solo...
Que nem sequer um teto tem para se abrigar.
No passado desfrutei de tantos bens
e hoje vivo a me rastejar.
Tive ilusões, trabalho, mulher, casa e filhos.
Todos se foram, pela força dos bens que eu tanto lutei.
Levaram-me tudo, restou-me somente meu corpo,
onde bem perto você esta...
Estou com a alma dilacerada e embebida...
Mas por favor seu moço:
erga pelo menos minha cabeça com os olhos ao céu
para que eu possa elevar minha última prece ...
Que eu possa perdoar,
pedir perdão, esquecer a dor...
Só assim deitarei este velho corpo de novo a terra
e morrer em paz com a minha consciência...
AUTOR - JOÃO BATISTA BARBOSA