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Contexto da Poesia Tecendo a Manha

Cerca de 30108 frases e pensamentos: Contexto da Poesia Tecendo a Manha

⁠"Ismos"

Até quando seremos submissos?
Aos “ismos” do clientelismo, coronelismo e mandonismo?
Até quando seremos capazes de suportar a verborragia para o domínio?
- Até quando?
Até que superemos a nossa posição de resignados,
que sobrepujemos a nossa ignorância do medo
Até entendermos que a elegância estética do comportamento é para os “ismos”, como as pseudoteorias do autoconhecimento para o nosso equilíbrio emocional
Os “ismonalistas” irão nos reverenciar por sermos equilibrados, educados, não contestadores
Quando cairmos na realidade de que nada é orientado para uma sociedade mais igualitária, o tempo se foi
Já não seremos quem somos, por ter perdido a própria identidade, a criatividade e a liberdade de pensar
- Até quando?
Até o momento de compreendermos que poderemos ser alforriados
e que, conseguiremos sobreviver sem as amarras dos “ismos”
Uma nova moral ressurgirá e os “ismos” não serão para o elitismo.
Alcançaremos, pois, uma sociedade para o altruísmo, hedonismo, criticismo, interacionismo e o libertarismo.
Dando adeus aos velhos “ismos”. Quando?

Inserida por MariadaPenhaBoina

⁠O arquivo das estações
Guardei um mapa num lugar perdido,
onde o tempo, por descuido, hesita.
Os traços são rios que secaram cedo,
mas ainda guardam o murmúrio da vida.
As árvores falam línguas apagadas,
e suas folhas, arquivos de eras,
sussurram verdades disfarçadas
nos códigos de antigas primaveras.
O céu é um espelho de névoa e ferro,
onde as estrelas, frias, descansam.
Os ventos carregam ecos austeros,
memórias partidas que não se alcançam.
Ainda assim, no silêncio partido,
há mãos que moldam o que não existe.
Nas cinzas do velho, o novo é tecido,
num fôlego breve, sutil, mas persiste.
Os sonhos futuros não têm formato;
são só fragmentos em órbita errante.
Mas cada estação, num ciclo exato,
guarda uma semente sempre pulsante.

Inserida por MariadaPenhaBoina

⁠Purista, eu?

Chamaram-me purista, num tom de ironia,
Como se o zelo fosse pecado, heresia.
Por buscar nos arcanos da gestão cadente,
Um fio de lógica, um traço coerente.
Falaram de anacronismo, como quem sussurra ao vento,
Sem notar que o tempo carrega o esquecimento.
Gestões de ontem, sombras de um outrora,
Não resistem à aurora, que a crítica devora.
Eis que escrevo, não para agradar vaidades,
Mas para despir o rei de suas falsidades.
Se purismo é pensar, é questionar o vago,
Que me chamem de pura, pois o impuro é frágil.
Anacrônica é a cegueira que persiste em andar,
Na trilha do ontem, sem ousar inovar.
E eu? Sou ponte entre o velho e o novo,
Sou o verbo que inquieta, sou quem move o povo.
Não temo o rótulo que me foi ofertado,
Pois na busca da razão, o título é fado.
Que venha o futuro, com suas chamas ardentes,
Purista ou não, sigo lúcida, entre linhas e correntes.

Inserida por MariadaPenhaBoina

A Garrafa da Educação

Finalmente, a educação brasileira encontrou sua maior recompensa: uma garrafa! Sim, senhoras e senhores, acabou a era em que as pessoas escolhiam universidades por qualidade acadêmica, projetos inovadores ou corpo docente qualificado. Agora, tudo se resolve com um brinde. E que brinde!

A campanha é simples, mas genial: indique um amigo para se matricular na faculdade e ganhe uma garrafa. Não um desconto, não um material didático, nem uma vaga garantida no mercado de trabalho. Uma garrafa. Certamente, é o que faltava para motivar você a compartilhar o futuro acadêmico dos seus conhecidos. Afinal, quem precisa de um diploma forte se pode ter um utensílio de plástico ou alumínio no armário da cozinha?

E vamos falar a verdade: essa garrafa é revolucionária. Cada vez que você toma água nela, sente o sabor da responsabilidade social e da valorização da educação. É quase como se dissesse: "Eu ajudei a formar um futuro profissional por causa disso aqui."

É importante reconhecer o esforço criativo dessa campanha. Em tempos de crise, a solução não é melhorar os cursos ou investir em professores. É transformar cada estudante em um recrutador, prometendo brindes que poderiam ser conseguidos com pontos no supermercado. Quem sabe na próxima campanha, por cinco amigos indicados, a faculdade não ofereça um chaveiro ou um adesivo para decorar sua garrafa?

Ironias à parte, se isso é o ápice da valorização do ensino superior, fica a pergunta: o que será que estão oferecendo para quem se forma? Uma mochila? Um cupom para fast-food? A educação, coitada, merecia mais do que um marketing tão sedento de criatividade quanto os estudantes estarão para usar sua nova garrafa.

Indique, estude e... beba água. Afinal, conhecimento pode não saciar a sede, mas a garrafa sim.⁠

Inserida por MariadaPenhaBoina

A vergonha de ser feliz

Por que você julgou que eu fosse morrer?
Tenho a certeza que era essa a sua maior vontade
Minha verdade?
Estão nos anos que vivi quase morta
de arrependimento e sofrimento
suportando a infelicidade
pela falta do meu próprio eu
da minha autonomia e estabilidade
trocados por um ambiente hostil
Fugi para ter de volta o meu mundo
Continuei por algum tempo a sofrer
sabendo da sua insanidade
revolta, ódio e até onde iria a sua intolerância
E eu te digo, você trabalhou como rato de esgoto
mas, víboras se alimentam de ratos
Como disse o poeta Gonzaguinha
"viver é não ter a vergonha de ser feliz"
Eu sei, você não conseguiu a sua vingança
mas encontrou a bonança
sem a vergonha de ser feliz
Sabe por que o poeta disso isso
sobre a vergonha de ser feliz?
É que a felicidade está no amor que sentimos
e quando não existe amor de verdade
sabemos que a felicidade é passageira
são momentos no arrepio das ilusões
apoio para as frustrações
Sem consciência e em apuros
usa-se e abusa-se incondicionalmente
por um tempinho feliz
Mas, quando consciente
sabe da "incompletude" que tem
e aquilo que completa é incompleto também
É isso que nos causa vergonha
e para suprir a danada
grita-se aos quatro ventos
que não tem a vergonha de ser feliz
por já estar desolado
com a felicidade que tem ao lado
E digo ainda,
não vou morrer por causa da sua felicidade
pelo contrário
ela suscitou a minha independência de responsividade
libertada das suas agruras
e tenho vergonha de dizer
pela falta de carência interior
o quanto sou completamente feliz.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Metamorfose por completude

Querer ser é humano
Ser per se stante
Não, é perjúrio introspecto

Professa com imprudência
valores internalizados
avivados de senso comum

Sem moral e com medo
ceifa a consciência
alivia a vergonha, silencia

Apartado de si e sem ser
não persuade
debalde luta pela plenitude

Certo da incompletude
metamorfoseia-se algures
abasta-se com qualquer ser

Inserida por MariadaPenhaBoina

Sem noção

A vida é assim
A gente vai a todo o vapor
trabalhando que nem cão
do meu conforto não abro mão
até divido o meu pão
e tem aquele que fala mal da minha razão
não tem coração
não aceita o meu casarão
nem o apartamento de magnífica visão
leva um pontapé no bundão
e depois pede perdão
perdão - não
e passa a viver de ilusão
perdido na escuridão
vai se desgraçando para ter satisfação
cai por terra toda a sua condição
perde totalmente a noção
pensa que todos são iguais nessa Nação
sente-se bem em morar num prédio caixão
de usucapião.

Inserida por MariadaPenhaBoina

A morte do amor

Para que o amor não fique insosso
Não dure somente uma canção
Não passe de uma paixão
Sou capaz de planejar anos e anos em solidão
Multiplicar tudo que for tangível
Segurança à união
Depois, concretar a alma e o coração
Alicerce para uma duradoura relação
Os desatinados não acreditam nisso
Acham que, se existe amor, mora-se até no lixo
Não existe amor que dure
Quando falta o tostão
Dói tanto outros órgãos do corpo
Que se esquece o coração
Morre a afeição.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Abichornado

Se você acha que não te dei
tudo aquilo que queria,
eu digo a você
te dei amor, carinho e poesia
mas não era o que você pretendia
dinheiro era a sua inquietação
minha vida, servidão
não importava a você
o cansaço, o desgaste
no semblante da menina
então eu tomei de você
muito mais do que podia
tirei o seu sono e a sua fantasia
deixei para você
a saudade da mordomia.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Minha culpa

De quem é a culpa? Deve ser minha
Sou apenas uma parte do núcleo do átomo
Que valor tem a minha estima?
Ensinei aos meus descendentes
civilismo, conduta ilibada
Para quê?
Para viverem e presenciarem
terrorismo e corrupção
comandados pelos marafões no poder
Mas, a culpa deve mesmo ser minha
desiludida com tamanha podridão
escorreguei na casca da banana
que o mandrião mandou ao chão
Tamanha foi a minha desilusão
que derramei tantas lágrimas
e enchi a barragem em Mariana
e ela se rompeu
Aniquilei com o rio tão doce
cheguei ao mar tão salgado
detonei a região
As minhas lágrimas secaram
vai ter seca, faltará energia
afundarei com a economia
e a miséria reinará
e toda culpa é minha.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Efêmera

Sou quem planta a planta dos pés
no fundo do rio das ariranhas
na poeira cósmica
no vértice do kilim

Nada me enaltece
nada me tortura
para cada sensação
revolvo as quimeras da infância

É volátil o voo da emoção
é como seguir os rastros que deixei
nas infinitas dunas em que caminhei

Todo elemento com o seu movimento
cada momento, enriquecimento
os meus fascínios, passatempos.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Saudade II

Sinto muita saudade
das mentiras que me contava
elas me divertiam mais que novas piadas
eu conseguia passar horas e horas a ouvi-las
eram por demais, engraçadas
eu engolia a satisfação, não ria.
Pode me chamar de louca
louca sempre fui um pouco
mas sabendo toda a verdade
e poder ouvir as estórias mais tresloucadas
durante anos a fio da sua boca
era fruição de graça.
Sinto muita saudade
saudade das sua mentiras.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Esquecimento

Não me lembro mais das aventuras que tive
O cheiro não chega mais com o soprar do vento
Tento através de um esforço hercúleo
relembrar dos sorrisos, dos gestos
e dos sons das palavras ditas
e não me lembro
Tentei eternizar o efêmero
foi a minha mais pura tolice
Nasci com inclinação para o imortal sentimento,
me traí, mas não me repreendo.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Minha forma de amar

Atordoada eu fico
por amar de uma forma tão excêntrica
amor de encanto eternizado
causador de assombramento
mas, é amor venerado,
não é amor medido
é amor discutível, irreverente
que tem a beleza do que é enigmático,
e é esta a sutileza:
- quem estagiou nesse meu amor indeterminado
por ele viverá deslumbrado.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Desequilíbrio

Eu não sabia onde estavam as fotografias
sempre me perguntava em que lugar estavam
eu não entendia a pergunta
eu não sabia sobre quais fotografias
Também me perguntava sobre o edifício
se tinha elevador ou era de escada
para mim não fazia sentido
esqueceu do meu grau de exigência
já não me conhecia
Eram questionamentos estranhos
sobre meus carros, trabalhos, números de assoalhas,
piscina, festas e alegrias...
mas, do meu eu, do meu interior
não queria saber nada
Através das perguntas insensatas
me subjulgava
como uma mandriona interesseira
eu já não valia nada
As minhas fotos sem filtro
meu rosto sem maquiagem
meu corpo não é malhado
e sem bronzeado
Minha vida é trabalho
meu espaço de lazer é tomado por livros
Como consequência, homeostasia
Só bem mais tarde eu entendi
que ele tinha outras fotografias
subia de escadas e nem era da própria casa
pois casa, já não possuía
seu carro uma lata velha desengonçada
seu trabalho acabou em nada
em festas não encontrava alegria
Tentou outras mulheres que me substituísse
as perguntas eram para as sua comparações
que tolice...
O que ele pretendia de mim se desacreditava?
O que vale a estética?
Vale um alto grau de entropia.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Alarico
"foi mau" não ter escutado
a experiência do seu pai
ele sempre lhe dizia
- tenha a sua única flor
que, para se ter muitas
tem que ser mais que um bom procriador
Aqui, Alarico, já é outono
mais um outono sem cor
Então, curta a sua primavera
comece deste agora, polinizar todas as flores
para que elas transmutem em glória
e façam a corte nas jarras de opulentos soberanos.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Caruaru

Vamos benzinho
pro agreste nordestino
vamos pra Caruaru
dançar o forró agitado

Eu, com o meu vestido de chita floral rodado
e as madeixas enfeitadas
com as flores do mandacaru

Tu, chapéu de cangaceiro
fingindo sotaque maneiro
escondendo o forasteiro

Tomaremos goles de capeta
comeremos petiscos com cumari
empoeiraremos o terreiro

Para depois do cansaço, uma bela rede rendada
amparada nas paredes de taipa
de um velho bandoleiro.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Recôndito

Não pega na minha mão em público
Nega o meu beijo na praça
Tem medo de fazer juras
Mas, diz acreditar em disco voador

Secretamente, no lusco-fusco
amor selvagem, abrasador
Veja a loucura
desse fugidio senhor

Encobre-se por todos os cantos
quando o momento é para o amor
Mas, para destroçar o encanto
profere à luz do mundo
blasfêmias com fervor.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Ambição parasita

Você julga injustamente o sucesso de alguém que mal conhece?
Você conspira contra essa pessoa?
Você esperneia, cospe fogo e escreve desprovido de juízo?
Você se baseia sem conhecimento mais profundo
que ela, a pessoa que você difama
prescindi das horas de lazer
investe em noites e mais noites debruçada sobre livros
e mesmo assim, acorda cedo no novo dia
Sem perder a serenidade
e tendo bastante idade
persiste na sua labuta
na tentativa de livrar as pessoas da morte, como você,
dos seres inferiores que matam
parasitas.
E você, peso morto?
Imagina que a vida do outro
é vivida de aparência
Caso você tivesse feito a sua parte
não se vitimizando no emprego e se fazendo de louco
não teria perdido o seu "troco"
Tivesse dispensado o casamento só pelo contrato
acreditando na parte que lhe caberia
Tivesse aberto mão de um funeral grandioso para o seu morto
Tivesse renunciado as meretrizes e viagens
e não almejasse seu sucesso à custa dos outros
também teria tido êxito na vida
Saberia o sacrifício que é poder viver de aparência
aparência que você ambiciona
humano parasita.

Inserida por MariadaPenhaBoina

O diálogo em 22/05/2016

O telefone toca pelas 14:11 horas, ligação privada
não atendi
O telefone toca pelas 14:13; 17:00 e 17:42 horas, ligação privada
não atendi
já havia uma ligação pelas 14:10, tinha o telefone marcado
não atendi, pois o telefone não toca, o número é bloqueado
Pelas 17:43 horas o telefone toca, ligação privada
atendi
- Alô
- Olá, como estás?
- Bem, e você?
- ...
- És um falsete
- Não estou entendo...
- Nunca entendes nada, nunca entendestes nada
- Não, nunca entendo nada, nunca entendi nada
O silêncio tomou conta e o telefonema terminou.
O telefone toca pelas 19:58 horas, ligação privada
atendi
- Alô
- Desculpa por estar a ligar-te
- Tudo bem...
- Achei que tivesses mudado
- Não, não mudei , continuo aqui no mesmo lugar
- É que sonhei contigo, achei que tivesse acontecido alguma coisa
- Não aconteceu nada, estou bem
Silêncio...
- Como foi o sonho?
- Sei lá, um gajo sonha de noite e quando acorda já não se lembra...
- Ok
- Não irei mais telefonar, não desejo perturbar a paz do seio familiar (ironia)
- Ok.
Será o que o pobre diabo queria?
Ah! Eu nunca entendo nada, nunca entendi nada.

Inserida por MariadaPenhaBoina