Conselho para uma Pessoa Orgulhosa
Entendendo um amor
Não me importo se é paixão
Mas para mim isto vai muito além
De uma temporária emoção
Não me esquecerei de ti
Não chegará nenhum dia
Que acordarei e direi esqueci
Isso marcou o meu coração
Foi desenhado em minha mente
A sua personalidade e imagem
Em minhas mãos estão escritas
O seu belo nome
E sua voz ecoa aqui dentro
Até mesmo em sonhos
Pude lhe ver
E reconhecer que sinto algo
Mas fui muito fraco
Deixei de ser quem era
E me tornei um erro
Mas em desespero tentei
Porém falhei mil vezes
E pensei em sair da história
Acabei ficando longe
Mas eu estava perto
Agora vago no deserto
Sem seus sorrisos e risos
Sem seus olhares
E sem nossas conversas
Desculpe se algum dia eu disser
Algo ruim me referindo ao que sinto
Pois o tempo passa e mudamos
Mas tenho a certeza que ficará
Ao menos na minha memória
Uma notória lembrança de ti
E tenho que admitir
Sim, é melhor assim
Mesmo que doa para mim
E sei ainda que não nós veremos
Por muito tempo
Talvez por uma vida toda
Mas num próximo momento
Mesmo que distante
Verei você e escutarei sua voz
Mas tenho a certeza
Que você não me verá
E nem escutará
Sorrindo lembrarei de tudo
Revendo os instantes que vivi
Um pouco perto de ti
Todos os poemas
Todas as frases e atitudes
Serão sentidas novamente
E o amor será abraçado
E guardado no meu coração
E valorizado em todos os dias
Não adianta fingir para explorar os de boa-fé. De uma forma ou de outra um dia tudo lhe será cobrado, e com juros!
PROFISSÃO DE FÉ (soneto)
Sempre, uma crença mal afamada
Vives na letargia, duma farsa matula
No eco do inferno que ali especula
Só a sorte, sem querer mais nada
E neste amar que referve e ulula
A alma sem sonhos vai na estrada
De dores, egoísmos, invejas e gula
Devorando a piedade em derrocada
E assim, a vida abominanda, chora
Implora aos céus por este hórrido
Vazio, por um sustento sem demora
E nos íncubos e súcubos agarrido
A profissão de fé, é que faz a hora
Sem que faça ter o crédito iludido.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Novembro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Tenho ainda uma poesia vazia
Tenho ainda uma poesia vazia
e branca na inspiração:
à minha espera
tão cheia de quimera
de amarras na emoção
e me resta melancolia
triste comoção
que sempre quisera
que sempre urgia
funesta direção
ó tão anca ironia
tão seca espera
tão vão ilusão
pobre coração
sem valentia
tão mera...
Tenho ainda uma poesia vazia...
à minha espera!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, julho
Cerrado goiano
A VOZ DA POESIA (soneto)
Em uma imaginação onusta e calada
Refúgio ignoto e sacro da inspiração
A ampla magia da ilusão em sedução
Sangra o verbo de uma agrura velada
E quando a privação se faz desvairada
Se embebe às vezes de total solidão
Dela rompe uma voz, arcana, um tufão
Que murmura quimeras entrecortada
É a voz da poesia, que, assim falando
Na audição da criação em manuscritos
Narra as histórias dos distintos causos
E traz com eles, atuardas e infando
Amores sumidos, sucedidos aflitos
Vendavais de sensações e ausos...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2019, 05 de fevereiro
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Lendo o seu olhar, encontrei uma história fantástica com as palavras mais bonitas que alguém poderia usar...
Quer saber como é ser intenso?
Alguns acham isso uma poesia, algo bonito, uma qualidade. A intensidade está, infelizmente, disfarçada de um sentimento comum e admirável. Não chega nem perto disso. Demorou para que eu entendesse a causa da minha intensidade.
Percebi que, quanto mais eu buscava por conhecimento, mais fundo eu chegava para descobrir a verdade. A inteligência é cobiçada, mas não é entendida. Quando eu olhei para o abismo, ele olhou de volta. A Intensidade não é bonita. Ela é uma substância enraizada na mente de pessoas “privilegiadas” que quando entra em contato com a verdade, se torna inflamável e acaba a explodir, e você é traído por si mesmo nesse momento.
A incontrolável vontade de arrancar do peito o coração e esmagá-lo, a vontade de correr até se afogar no próprio nó da garganta, os olhos fitados no nada transbordando agonia contínua por uma simples incerteza. Não, a intensidade não é de todo bom.
O serviço público precisa ser visto como uma oportunidade de contribuição de valores, entrega extraordinária para obtenção de resultados coletivos extraordinário.
Quando nossa vida vira do avesso ficamos sem chão.
Mas nesta hora nos impulsionamos como uma fênix
para surgir como um recomeço!
O meu marido
saiu de casa no dia
25 de Janeiro. Levava uma bicicleta
a pedais, caixa de ferramenta de pedreiro,
vestia calças azuis de zuarte, camisa verde,
blusão cinzento, tipo militar, e calçava
botas de borracha e tinha chapéu cinzento
e levava na bicicleta um saco com uma manta
e uma pele de ovelha, um fogão a petróleo
e uma panela de esmalte azul.
Como não tive mais notícias, espero o pior.
Quem tem uma estrela brilhante assim como você nem precisa de uma constelação para iluminar e encantar as noites...
