Como dizer pra Voce que Nunca Deixei de te Amar

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Raízes aladas do morro rasgam o solo seco, voando pro fundo do céu como samba enlouquecido no carnaval. Espelhos devoram sombras próprias, refletindo vazios que gingam frevo bêbado nas ladeiras. Flores de ipê brotam em bolsos de relógios parados, ticando silêncios eternos sob o sol de Copacabana. O peso de uma asa de papagaio esmaga galáxias de pó de purpurina, enquanto rios do Amazonas invertem o fluxo, subindo em espirais de névoa úmida. O eco de um pandeiro constrói muralhas de vidro frágil, como promessas de político em ano de eleição. De repente, o caos se aquieta no batuque da vida: essas raízes são os laços da favela ao firmamento, voando pro abismo celeste da alma brasileira. No fundo do céu, o samba-enredo revela o lar — frágil, mas eternamente nosso.

A chuva chegava sem pressa, como quem volta para casa depois de muito tempo. Cada gota parecia hesitar antes de tocar o chão, suspensa numa dúvida que só o céu entendia. E lá embaixo, as nuvens subiam do asfalto quente — não eram de vapor, eram de memória, de coisas que a gente deixa para trás sem perceber.
No meio dessa confusão de águas, havia um espelho velho, encostado em nada. Ele não refletia rostos, refletia saudade. Você olhava e via a versão de si que não escolheu, parada do outro lado, também te olhando. Doía um pouco. Doía bastante, na verdade.
E o relógio? Ele não tinha ponteiros, só tinha paciência. Marcava horas que a gente não viveu, minutos que escorregaram entre os dedos enquanto distraímos. Às vezes eu pegava ele no colo e sentia o peso do tempo perdido — não é culpa, é só... vida.

Há momentos em que o silêncio entra na vida como quem não quer nada, mas, pouco a pouco, ocupa todos os espaços. Ele se senta entre duas pessoas, paira sobre uma lembrança, repousa no canto de um quarto vazio e, sem dizer uma sílaba, revela o que nenhuma palavra consegue alcançar. O silêncio também fala, e muitas vezes fala com verdade do que qualquer discurso.
Ele se manifesta no olhar cansado de quem pede ajuda sem coragem de pedir, na pausa de quem guarda um sofrimento antigo, no abraço que dispensa explicações. Há silêncios que são muralhas, erguidas para proteger feridas. Outros são pontes, construídas com afeto, compreensão e presença. Em ambos, existe linguagem.
Ser humano aprender a escutar o que não foi dito. Nem todo silêncio é ausência; às vezes, é excesso. Excesso de dor, de amor, de medo, de saudade. Por isso, ouvir alguém vai além de prestar atenção às palavras: exige sensibilidade para perceber o que a alma sussurra quando a boca se cala. E talvez seja nesse espaço invisível que nascem as verdades profundas.

Honestidade, autenticidade, lealdade, caráter e respeito à diversidade são como raízes invisíveis que sustentam tudo o que há de mais bonito nas relações humanas. Em tempos em que tanta gente se esconde atrás de versões ensaiadas de si mesma, ser verdadeiro se torna um gesto raro e profundamente corajoso. A honestidade não mora apenas nas palavras certas, mas também nas atitudes limpas, na consciência tranquila e na delicadeza de não ferir o outro por interesse.


A autenticidade floresce quando alguém decide existir sem máscaras, sem moldar a própria alma para caber nas expectativas do mundo. Já a lealdade é presença que não abandona, é abrigo em dias difíceis, é permanência sincera quando tudo ao redor vacila. O caráter, por sua vez, é aquilo que a alma revela no silêncio das escolhas, quando ninguém aplaude e ninguém vê.


E respeitar a diversidade é compreender que o mundo só é verdadeiramente humano porque é plural. Cada pessoa carrega um universo dentro de si. Quando aprendemos a olhar o outro com respeito, empatia e abertura, deixamos de apenas conviver e começamos, de fato, a nos humanizar.

Dói tanto quando me olham sem me enxergar. Seus olhos varrem minha alma como vento frio, deixando-a exposta, nua, sem eco. Um joelho ralado sangra rápido, cura com band-aid e tempo; mas um coração partido? Esse fere devagar, sangra em silêncio, eternamente. Cada olhar vazio é uma faca cega, rasgando o que resta de mim. Prefiro a dor física, palpável, à essa ausência cruel que me apaga. Por que ver o corpo e ignorar a essência que implora ser notada?

Chovia como se o céu abrisse uma ferida antiga sobre a cidade, e cada gota trouxesse consigo um fragmento daquilo que ainda não aconteceu. Eu caminhava dentro desse rumor líquido com a sensação estranha de estar tocando a quarta dimensão, como se o tempo deixasse de ser linha e se tornasse um quarto secreto dentro do peito. Havia, na parede de uma casa esquecida, um relógio sem ponteiro. Ele não marcava horas; marcava ausências, retornos, aquilo que a memória inventa quando a saudade precisa sobreviver.
No bolso, eu carregava uma bússola de areia. Ela não apontava para o norte, mas para dentro, para esse lugar onde seguimos olhando o futuro reescrevendo o passado, sem perceber que ambos se misturam na mesma água escura. Talvez viver seja isso: atravessar a chuva sem querer secar demais, aceitar que o destino também hesita, e compreender que o amanhã nem sempre vem à frente. Às vezes, ele chega ontem tocando nossas cicatrizes, mudando o nome das antigas dores e devolvendo sentido ao que parecia perdido antes que a alma aprenda a chamá-lo casa.

A bússola gira e não aponta; o vento traz memórias que se despedem como barcos. No centro de um lago imaginário, a flor de lótus abre feridas de luz e guarda perguntas antigas. Um espelho quebrado espalha reflexos que insistem em voltar para casa, cada estilhaço um mapa de escolhas não feitas. Chove sobre o mar — água da chuva no mar — e as gotas se dissolvem numa conversa com o horizonte: lembranças que se perdem para se tornarem sal. Sete de copas dança nas mãos de um jogador sem rosto, oferecendo espelhos, sombras, promessas de estrada. A ampulheta de açúcar pinga lentamente, cada grão doce um minuto fugindo para a língua do tempo. Nada é coerente; e por isso tudo existe, coerente na sua falta de explicação. Aqui o sentido se esconde nas pequenas falhas: no estalo de um reflexo, no sabor de um minuto, no sopro que desloca a bússola. O acaso organiza-se em silêncio, e a flor fecha-se como se guardasse um segredo que só se conta quando ninguém mais acredita em mapas. Ainda assim, tudo tem o real sentido de ser.

Chovia devagar, como se o céu quisesse tocar a memória sem machucá-la. Sobre a mesa da varanda, uma flor de plástico enfrentava a chuva com sua beleza imóvel: perfeita por fora, incapaz de sentir por dentro. Ao lado dela, havia uma ampulheta de sal, derramando grãos úmidos como se o tempo, naquela tarde, tivesse aprendido a se dissolver.

Dentro de casa, o espelho como um portal devolvia mais do que um reflexo. Quem o olhasse com calma via passagens para versões antigas de si mesmo, para ausências ainda acesas, para afetos que nunca souberam ir embora. E, acima do telhado, a estrela parecia vigiar tudo em silêncio, como uma testemunha paciente das coisas que só o coração entende.

Então veio a compreensão: viver é isso. Ser, ao mesmo tempo, chuva e permanência, delicadeza e artifício. Somos também um mar em que a água é doce, vasto e contraditório, onde a dor e a ternura se misturam sem pedir explicação, e mesmo assim fazem sentido. Porque a alma humana floresce quando aceita o impossível e aprende, com humildade, a morar no mistério.

**"Lutar sem saber por quê: a alienação como projeto, não como acidente"**


Conta-se uma antiga história de um cavalo de circo que gira em torno de um poste a vida inteira, mesmo depois de removida a corda que um dia o prendeu. Ele continua girando porque aprendeu que aquilo era o mundo. Muitos de nós somos esse cavalo: lutamos, corremos, competimos, sem perguntar quem amarrou a corda primeiro.


A alienação não nasceu por acaso. Ela foi desenhada, testada, refinada ao longo de séculos, como um projeto de engenharia social. Ensinam-nos a competir pelo pão antes de nos ensinarem a perguntar por que o pão é escasso. Ensinam-nos a admirar o dono da fábrica antes de nos ensinarem a questionar quem construiu os muros dela.


É como uma peça de teatro em que decoramos o papel sem nunca ler o roteiro inteiro. Aplaudimos o enredo, choramos no final combinado, sem saber quem escreveu o script nem por que ele sempre termina do mesmo jeito.


Lutar sem saber por quê não é ingenuidade pura, é resultado direto de um sistema que lucra silenciosamente com nossa distração. Acordar, aqui, significa parar de girar em torno do poste e, enfim, perguntar com coragem quem prendia a corda desde o começo.

Liberdade como máscara: o psicopata social.


A liberdade que muitos celebram às vezes é só um disfarce. Há quem use autonomia como licença para moldar-se ao gosto alheio, manipulando sorrisos e histórias para escapar de responsabilidades. Esse é o “psicopata social”: não o monstro das manchetes, mas a pessoa que vê relações como tabuleiro, onde empatia é peça descartável. Sua liberdade parece arrojada — viver sem amarras, seguir só o próprio desejo — mas é uma liberdade vazia, construída sobre a negação do outro.
Ao transformar escolhas em espetáculo, confunde-se autonomia com impunidade. Quem observa sente o perigo: a confiança se rompe, e a comunidade perde terreno. A verdadeira liberdade não é ato solitário; é contrato silencioso de cuidado. Reivindicar espaço não autoriza ferir; ser livre implica reconhecer que minha liberdade encontra limite no corpo e na alma do outro. Só assim a autonomia deixa de ser máscara e vira compromisso: viver plenamente sem destruir, criar sem manipular, respeitar sem desculpas.

A saudade é como um moinho que gira lentamente dentro do peito, movido pelo tempo que insiste em passar, enquanto a chuva fina lá fora derrama gotas serenas sobre as flores do jardim que antes vimos juntos. Cada instante agora é um suspiro, uma recordação suave e persistente, como o som cadenciado da água que bate nas pedras, chamando-me de volta para o silêncio dos dias em que sua presença preenchia o ar.No ritmado murmúrio do moinho, sinto o tempo corroer a distância, mas não o espaço que você ocupa em mim. A chuva, serena e constante, é o abraço frio que lembra a ausência e ao mesmo tempo rega as flores da memória, fazendo brotar esperança em meio à espera. Saudade não é só dor; é o perfume das flores que você deixou e que nunca deixarei de sentir.

No silêncio onde o medo floresce, vivem os loucos; como o Cazuza exagerado, que rompeu limites em busca de verdades maiores. Essas flores não são fraqueza, mas pontes para a profundidade do ser. Jonas, engolido pela grande baleia, simboliza o mergulho no abismo necessário para a transformação. A esperança de um amanhã melhor é mais que desejo; é a coragem de enfrentar o medo e deixar que as flores da alma cresçam. A verdadeira libertação nasce quando a loucura do exagero encontra o amor e a consciência.

Flores, Espinhos e a Luz de Tutancâmon


A saúde mental floresce como lótus no Nilo antigo, mas carrega espinhos que ferem a alma. Tutancâmon, menino-faraó de ouro e maldições, viveu frágil e real ossos tortos, intrigas palacianas, provando que viver é melhor que sonhar; Sonhos são vapores, de névoa; a vida, com espinhos, corta fundo, mas liberta.
Liberdade não é palácio vazio, ecoando ausências. É escolher espinhos para colher flores: enfrentar ansiedade, restaurar a mente com coragem cotidiana. Neste Natal, sob luzes como estrelas do deserto, celebramos a vida palpável, dor e graça, onde esperança brota entre provações. Viver é erguer-se, livre e inteiro.
Cuide da mente como uma coroa, colha flores sem temer espinhos.

Sob o céu azul que se estendia como um véu esquecido, as laranjeiras sussurravam segredos ao vento, suas frutas maduras pingando sumo dourado sobre a terra seca. A tristeza pairava, invisível, entre os pinheiros altos e sombrios, cujas sombras alongadas devoravam o chão como dedos de um gigante adormecido. Eu carregava um cesto de trigo vazio, colhido de memórias que o tempo ceifou, e seguia vivo aonde ninguém mora e um ermo de silêncios eternos, onde o eco de risos antigos ainda tremia no ar. Ali, no coração desse nada povoado apenas por fantasmas de folhas, brotou uma planta que nasceu hoje, frágil e teimosa, suas raízes finas rompendo a crosta do solo. Sua semente, no entanto, será plantada amanhã um mistério cíclico, onde o fim precede o começo, e a vida dança no limiar do impossível.

⁠Nem todos sabem como é a vida, somente aqueles que refletem sobre ela.

É quase como uma assembleia silenciosa no céu.
Nenhum fala.
Nenhum se aproxima.
Nenhum voa.
Eles simplesmente estão ali.
E você está sendo observada.

Como escapar da Roda de Samsara? Faça uma bicicleta com a Roda e siga com ela para o Nirvana.

"Certa vez me perguntaram: Como medir o imensurável? Eu respondi de forma simples, dizendo que se você quer saber o tamanho de tal coisa, olhe para o céu a noite, veja como é repleto de milagres sem fim. Medir o imensurável é conhecer unicamente uma coisa, O Cosmos".

"O Jurista ao manejar o direito como aplicador da ordem se torna um 'arquiteto' tentando construir um castelo de cartas no meio de uma tempestade".

Sonhei que eu trabalhava em um escritório, como assistente, para uma antiga patroa do meu ex marido, havia algumas meninas trabalhando junto de mim e eu senti fome e resolvi sair pra comprar algum lanche, passei em dois lugares e não comprei por achar o valor muito alto, olhei em minha carteira e havia muito dinheiro, mas eu pensei em outras necessidades maiores e voltei para o trabalho sem comprar nada. Quando cheguei na minha mesa, alguém havia escrito em uma folha "saiu e não avisou" eu fiquei muito chateada, porque as letras estavam tomando todo o espaço de uma folha A4 e me senti muito triste, com alguém que tentava me prejudicar. Desconfiei de uma garota que trabalhava lá há muito tempo, olhei pra ela e ela me olhava também, ela estava meio gordinha e grávida.




Julho de 2023