Como dizer pra Voce que Nunca Deixei de te Amar

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Um filósofo só serve para machucar os sentimentos de alguém.

"— Também tenho uma flor
— Nós não anotamos flores - disse o geógrafo.
— Por que não? É o mais bonito...
— Porque as flores são efêmeras.
— Que quer dizer efêmera?
— Os livros de geografia — disse o geógrafo — são os mais exatos. Nunca ficam ultrapassados. É muito raro

que uma montanha mude de lugar. É muito raro um oceano secar. Nós escrevemos coisas eternas.
— Mas os vulcões extintos podem voltar à atividade — interrompeu o pequeno príncipe — que quer dizer

"efêmera"?
— Que os vulcões estejam extintos ou não, isso dá no mesmo para nós - disse o geógrafo. - O que nos

interessa é a montanha. Ela não muda.
— Mas que quer dizer "efêmera"? Repetiu o principezinho, que jamais desistira de uma pergunta que tivesse

feito.
— Quer dizer "ameaçada de desaparecer em breve".
— Minha flor está ameaçada de desaparecer em breve?
— Sem dúvida.
"Minha flor é efêmera", pensou o pequeno príncipe, "e não tem mais que quatro espinhos para defender-se do

mundo! E eu a deixei sozinha!
Esse foi seu primeiro gesto de remorso. Mas retomou a coragem:"

"Deus nos ama assim, porque consegue enxergar o que a gente ainda não é, mas o que a gente ainda pode ser."

Estudante, que é estudante, estuda!

A vida é só um jogo de sobrevivência, logo é game-over

Nós somos a nossa grande barreira. Quebrar medos e paradigmas é derrubar nossa Muralha da China.

Se jogue. Se lasque. Se arrebente. Se foda.
A única coisa que precisa permanecer intacta é o seu sonho.

Quando está tudo parado uma brisa vira uma ventania!

O passado precisa ser reciclado

Somos lindas almas caminhantes neste plano á serviço do bem maior.
Não existe lugar mais bonito que nossa alma e nosso coração revestidos de simplicidade.
É por isto que tudo que mais necessitamos só pode ser encontrado dentro de nós mesmos...
Somos uma fonte inesgotável de tudo que há de mais bonito e sagrado... e na maioria das vezes só necessita ser buscado e descoberto.

Coração e charuto são símbolos um do outro; ambos se queimam e se desfazem em cinzas.

Machado de Assis
O protocolo. In: Teatro de Machado de Assis. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Sentimentos De Um Palhaço

O espetáculo
Já vai começar
Então pule o obstáculo
E vem ver o palhaço dançar
Hoje o circo está lotado
A família está completa
Só me falta alguns amigos
E sem eles não se completa
Já me basta a menina
Que perdeu o seu namorado
Só porque olhou pro lado
E se apaixonou pelo atleta
O palhaco estava engraçado
E muitas vezes ele sorria
Mas por dentro ele chorava
Porque a tristeza lhe consumia
E por ter de tudo dentro guardado
Água dos seus olhos se escorriam.

A vida é tão maravilhosa porque também é feita de colos, de feridas que cicatrizam, de amigos que celebram ou choram junto, (...) pessoas apaixonadas e apaixonantes, possíveis e impossíveis, pessoas que se entregam, pessoas que se privam, pessoas que machucam, pessoas que chegam pra curar.

Quem esquece de onde veio não se lembra para onde vai!

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;

Segredos naturais

Que segredo esconde
A mãe-natureza?
Com tanta beleza
E tanta riqueza

Que segredo revela
O sol na janela?
Essa coisa singela
E tão bela

Que verdade há
Por trás desse ar?
Que embrenha na alma
E te faz respirar

E o que diz da chuva
Que veio pra molhar?
Essa terra fértil
O que faz pra plantar?

E do barulho do mar
O que tem pra contar?
Que mistério tem o vento,
Que inventou o ventar?
E o tempo quem inventou passar?

De onde vem toda essa magia?
Quem explica toda essa alegria
Contida com essa harmonia
Nas flores desse jardim?
Fazendo todo universo
Alegre, fiel e sem fim.

O medroso

A assombração apagou a candeia
Depois no escuro veio com a mão
Pertinho dele
Ver se o coração ainda batia.

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971

Fim e começo

A noite caiu com licença da Câmara
Se a noite não caíse
Que seriam dos lampiões?

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971

Poema da cachoeira

É a mesma estação rente do trem
Toda de pedra furadinha
Meu pai morou alguns anos aqui
Trabalhando
Um dia liquidou
Ativo passivo
Cinco galinhas
E deram-lhe uma passagem de presente
Para que eu nascesse em São Paulo
Como não houvesse estrada de rodagem
Ele foi na de ferro
Comprando frutas pelo caminho

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971

Digestão

A couve mineira tem gosto de bife inglês
Depois do café e da pinga
O gozo de acender a palha
Enrolando o fumo
De Barbacena ou de Goiás
Cigarro cavado
Conversa sentada

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971