Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov
Para alguns, a verdade é pesada como chumbo e a mentira, leve como plumas! Cuidado para não ser chumbado ao solo e ser sufocado pelas plumas!
Deus me vê
Deus me vê. Eu sei disso e ainda assim finjo que não sabes de tudo, como se um coração pudesse esconder-se de quem o formou.
Mas não posso. Não há canto em mim que o Senhor desconheça, por mais que eu insista em cobri-lo.
O que não compreendo é que, vendo tudo, ainda me desejas. Me desejas como estou agora, não no que eu poderia ser um dia. Este que sou agora, quebrado como estou, é o que queres.
Como Adão, que temeu porque se viu nu diante de ti, e cobriu-se de folhas que nada escondiam. Também eu sou assim. Teço as minhas próprias folhas, e sei que és tu quem as vê murchar antes mesmo de eu terminar de costurá-las.
E quando a vergonha tenta afastar-me de ti, corro; mas para onde correria eu, que não estivesses lá primeiro?
Esperei que fosses embora. Tu ficaste. Sempre ficaste.
Não sei o que o amor contém, nem tenho palavra que o alcance por inteiro. Só sei que és tu quem o define, e que ainda que eu tente me esconder de quem me formou, nunca encontrei lugar algum onde já não estivesses primeiro esperando por mim.
Como uma planta que luta para sair das profundezas, rompendo a terra, procurando calor e luz do sol, busquemos o conhecimento!
Um dia eu estava conversando com um anjo e um demônio
O anjo me falava como somos importantes como fazer o bem nos fazia feliz
Do outro lado o demônio me dizia o prazer que é a vida na escuridão da alma prazer sem limites a vida sem regras sem lei somente o prazer de viver a vida na liberdade
O anjo veio e me diz que graças tem uma vida sem lei sem coordenação do bem e do mal onde você pode ser o rei mas um rei solitário um rei sem súditos um rei sem amigos apenas um rei de mim mesmo onde eu seria o rei o bobo da côrte o juiz o rel o carrasco e no fim seria julgado por mim mesmo e seria condenado e executado e morto por mim mesmo ou apenas pegaria uma pena leve de apenas uma vida toda na escuridão dos meus pensamentos o de o maior demônio sou eu mesmo e no fiz eu iria ver que existe regras e lei até mesmo no inferno da minha própria mente
DHP
O Eco dos Que Se Fingem Cheios
Há pessoas que colecionam “amigos”
como quem coleciona vitrines. Abraçam todo mundo, beijam todo mundo, fazem questão de serem vistas em todos os lugares possíveis, como se presença fosse prova de valor.
Perguntam da sua família, do seu trabalho, até da loja onde você comprou a roupa, como se interesse fabricado fosse sinônimo de afeto.
Vivem famintas por rostos, forçando vínculos que parecem naturais, mas que sempre cheiram a mentira; manipulam com facilidade, moldando a própria imagem como quem esculpe uma versão vendável de si.
Mas basta olhar de perto, bem de perto pra enxergar o vazio. Um buraco fundo, frio, incômodo, de quem quer abraçar o mundo inteiro enão sustenta ninguém.
Gente que fala com todos pra não ter que conversar consigo. Gente que sorri demais para quem chega e pra esconder o silencio que dói. Gente que parece cheia, mas se desmonta quando fica só.
No fim, essas pessoas fazem parte de multidões ambulantes com almas desertas: muita festa por fora, nenhum lar por dentro.
Saciar a sede de informação em fontes contaminadas pela mentira é como beber de um poço que já secou!
A língua é como um rio que se renova, enquanto a gramática normativa é como a água do igapó, que envelhece, não gera vida nova a não ser que venham as inundações.
Tratar o fácil como se fosse difícil, e o difícil como se fosse fácil. De modo a não ficar confiante no primeiro nem desencorajado demais no segundo. Para que algo não se realize, basta considerá-lo feito. Mas o esforço vence a impossibilidade. Em momentos de grande perigo, nem sequer pense, simplesmente aja. Não empreste importância às dificuldades, para que não o
intimidem.
" Com efeito, como poder-se-ia vencer o mal, o erro, a injustiça no mundo se não se começar a vencê-la em cada ser em particular?"
"Trate as crianças como seres pensantes nas suas diferentes fases, e não como bobinhas por toda esta etapa da vida."
“Minha alma é livre como meu pensamento; podem aprisionar meu corpo, me supliciarem e até mesmo me matarem, mas continuarei pairando sobre os opressores.”
"Eu era como a chuva serena que caía em silêncio. Mas algo mudou, e a calmaria deu lugar a uma tempestade cheia de raios e relâmpagos."
equiparo as cicatrizes como marcas
marcas que fisicamente se eu olhar, consigo sentir exatamente a dor do que lhe causou
olho para o meu joelho e ela está lá aparente
as vezes, e na maioria das vezes, esqueço que ela está lá, mas quando a olho consigo sentir naquele instante tanto o motivo, quanto a dor.
existem cicatrizes que não conseguimos olhar, como essa do meu joelho, mas analisando a situação, consigo sentir intrinsecamente exatamente onde dói, geralmente a lembrança da dor tem olhos lindos, aqueles que um dia já jurei admirar para o resto da minha insignificante vida.
acho que cicatriz é sobre isso, é sobre saber que existe e que deixou marcado, foi vivido, foi real e a marca muito das vezes deixa uma feridinha, que se você cutucar porque as vezes por instinto temos essa intenção, ela pode sangrar novamente, ou, se você esquecer por bastante tempo ela pode sarar de vez e só virar uma marca.
refletindo sobre cicatriz, percebo que meus domingos que eram melancólicos agora estão se tornando apenas “domingos de descanso”, um corpo para se entrelaçar, sentir o cheiro, dar um beijo na testa de eu to aqui cuidando de você, e acordar de madrugada somente para admirar o rosto da pessoa em calmaria dormindo, virou o “pô, tenho bastante espaço pra dormir e liberdade aqui”.
o que era sufocante causado por uma falha na história, e que causava carência pela falta, está virando a parte normal da vida. e sabe o que é mais louco? não deixo de sofrer nenhum momento, tanto quanto sofria pela falta, como agora acostumando com ela.
talvez as cicatrizes não deixam eu esquecer que tenho alma, mesmo a deixando em segundo plano, talvez tudo o que a gente tenha se transformado ecoe na minha cabeça as vezes, mas tudo bem porque você está bem, não é?
eu não preciso estar bem, somente devo pagar com juros o que eu lhe devo, e estou pagando com correção monetária e impostos.
te deixar ir daqui de dentro também é desesperador e olha só que irônico, o que eu mais pedia pra acontecer está acontecendo e eu não gosto dessa ideia, achei que nosso adeus não seria tão prévio.
carta aberta para mim
você entra em uma sala como quem procura saídas de emergência.
não porque queira fugir de mim, mas porque alguém fez do amor um incêndio e, desde então, qualquer faísca parece suficiente para reduzir tudo às cinzas.
eu percebo isso na maneira como você demora para acreditar em um elogio, como transforma carinho em coincidência, como espera que eu vá embora mesmo quando acabei de chegar.
quem foi que te ensinou que afeto sempre cobra um preço?
quem foi que fez você acreditar que toda gentileza esconde uma intenção e que toda promessa nasce com prazo de validade?
às vezes eu tenho vontade de pedir que você descanse.
não nos meus braços.
na ideia de que, desta vez, talvez ninguém esteja tentando vencer uma disputa invisível. talvez ninguém queira moldar você até caber nas próprias expectativas. talvez existir ao lado de alguém não precise ser um jogo onde sempre há um perdedor.
você não precisa me amar hoje.
nem amanhã.
eu só queria que, por um instante, você parasse de conversar com o passado como se ele ainda tivesse direito de responder pelo presente.
porque eu não sou as portas que bateram.
não sou as palavras que diminuíram você.
não sou os silêncios usados como castigo.
e seria uma injustiça comigo carregar a culpa por mãos que nunca foram minhas.
é estranho…
às vezes quem mais precisa de amor é justamente quem menos consegue reconhecê-lo quando ele chega. não por falta de coração, mas porque passou tempo demais aprendendo a sobreviver. e quem vive sobrevivendo esquece que carinho não precisa ser uma negociação.
eu não quero convencer você de nada.
o amor que precisa de provas o tempo inteiro acaba se tornando um tribunal.
eu só queria que um dia você olhasse para mim sem esperar a parte em que eu decepciono.
como quem finalmente entende que nem toda história precisa repetir o mesmo final.
e, quando esse dia chegar, talvez a pergunta deixe de ser “quem foi que te machucou?”
e passe a ser:
quem foi o primeiro que fez você acreditar que ainda era possível não se machucar?
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