Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov
EU SONHADOR
Olho pelo retrovisor da minha alma
E revisito com estranha calma
Meus momentos saboreados
Quando ainda, eu cheirava
A tinta fresca da vida.
Tinha, então, apurado o senso da alegria
E meus dias transbordavam de ternura
Entornava meus sons de amor por onde percorria
Da própria aventura
De ser gente.
Minhas noites eram carregadas de magia
Postada à porta uma imagem luzidia
Talvez fosse meu Anjo,
E me servia.
De espelho ali na minha frente.
Indecifrável e inteligente.
Que me guardava de mim mesma.
Onde está agora aquele ser
Quando mais dele preciso?
Por onde anda, por que não está mais comigo?
Não volta mesmo que eu implore de joelhos
Morreu?
Creio que não, apenas desistiu dos risos.
E perambula por ai tonto à espera.
De um final senão feliz, ao menos
De um sofrer menor.
Quem era?
Era o meu outro Eu, o sonhador.
SOU EU
Fiquei perdida entre as tuas coisas
Magníficas ou pequenas. Por pouco
Achavas o meu riso solto ou embrulhado
No papel que escrevias os teus versos.
De amor não pude tecer nosso namoro
Debruçada na janela da tua alma embebida
Nas paixões que entornaste toda a tua vida.
No trovejar da voz que soltas quando atinges
O ápice do amor. Então, navego por telepatia
Na mesma magia.
Não é comigo, mas atinjo, também, grande ironia
O auge de ser troca, ser o outro, ser um só.
E quando sentes o arrepio de uma alma que te busca e
Beija-te até secar todo o desejo.
Afaga-te tanto que desemboca noutro lampejo
De mais querer. E tudo se repete.
Infinitamente,
Em pensamento apenas, lamento.
Ai sou eu. Apenas eu.
Letargia
Laço apertado. Nó gigante. Amarrou a minha
Vontade de partir.
Buscar o quê?
Estática. Fico fitando nada.
Uma estranheza de não saber o que deixei passar
Sem pegar. Requisitar e nomear de meu.
E o vento chega enredando que é tarde.
Que nada volta pro lugar
Tudo é dinâmico.
Só a minha languidez é eterna
Meu estado de hibernação
Não desemboca
Pra nenhum acordar de esperança.
Se estou sem riso e sem siso
Também estão enxutos os meus olhos.
De lágrimas inexistentes que não rolam mais
Em face desfigurada e envelhecida
A viuvez de amores
Visitou-me e se instalou definitiva.
Na minha alma, no meu querer, na minha vida.
Só sei e sinto muito
Que a letargia me engoliu
Total. Inteira.
Milhões de amores
Tenho milhares de almas
Milhões de amores.
Milhares de bocas
Trilhões de beijos
De carícias.
De desejos.
Para quem confessaria o meu amor
Se apaixonada sou multidões
De mulheres
Todas gritando por liberdade.
Fisicamente um único ser
Sensível e indecifrável
Dentro de uma solidão incomensurável.
Todos os passantes pela minha vida
Piedade...
Pois se tenho todas as promessas do sim
Tenho de suportar, também, todas as renúncias.
E renunciar quando se ama, é morrer
Disse o poeta
Vim morrendo pela vida aos longos dos meus anos.
Morro todo o dia
Morro toda à hora.
Morro a todo instante.
E morro agora.
Às vezes, nos perguntamos o que é ser bom. Vejo que muitos dos intelectuais consideram "bom" quem se assemelha à máquina de 'O guia do Mochileiro das Galáxias': trabalha sem parar para responder à pergunta mais fundamental de sua "vida" e, depois de milhares de horas, dá uma resposta insignificante para o mundo. O discurso é 'sejas multi e serás bom', mas o que se julga é 'Sejas exatamente o que eu quero que serás bom, para mim'. Mas eu fiz uma escolha, há algum tempo. E tenho a vantagem de saber que minha escolha me dá vida, de fato.
Mais importante do que passar pelos momentos da vida, é fazer uma leitura honesta e realista deles. Assim, a utopia continuará existindo em nossos corações.
Somas e somes
Somas e somes
Despertas e desapareces.
Beijas e blefas.
Conquistas e calas.
Seduzes e secas.
Somas amor no meu coração e some da minha vida
Despertas alegria nos meus dias e desapareces do meu radar.
Beijas meus olhos minha boca e blefas no jogo da despedida.
Conquistas minhas muralhas e calas quando elas caem.
Seduzes e me desarma e secas meus oceanos quando vais.
Miligrama de verso XV
Nem mesmo por um segundo estiveste presente na minha vida.
Então, por que sou repleta de saudade como se vividos mil anos juntos?
Meu passista
Abro as avenidas do meu coração
Pra você desfilar com alegria nelas
Rei absoluto da minha emoção.
Venha para as minhas passarelas
Você é meu mestre-sala, sou porta-bandeira
Vamos desfilar juntos pela vida inteira.
Venha logo porque a vida é provisória
Que seja então intensa a nossa história
Seremos aplaudidos pela nossa evolução
Que terá como tema essa nossa canção.
Que fala do meu amor sincero para o mundo.
Monumental. Amor sincero. Amor profundo.
Escancaro as alamedas do meu coração.
Pra você sambar segurando a minha mão.
E nós dois juntinhos seguirmos pela vida.
E nossa união jamais ser interrompida.
Um grande amor, não se suporta tão somente no fator oportunidade. Na maioria de seus momentos, é preciso para ele vingar, paciência e coragem.
Paciência para entende-lo, e coragem para vive-lo no seu dia a dia por toda a vida.
A vida é uma constante,. Ora estamos felizes, ora nos desanimamos. O importante está em percebermos, ou seja, tomarmos consciência da fragilidade do ser humano, tanto nossas como daqueles que nos rodeiam.
Hélices do ventilador rompem o silêncio.
Esteira rolante numa velocidade de 8.5 km/h.
Pés, esquerdo e direito, intercalam-se em movimento acelerado.
Através dos vidros da janela, o céu negro.
Ventilador. Esteira. Pés. Escuro.
Cinco minutos no relógio digital.
Ideias. Lembranças. Emoções.
Pensamentos volitando no tempo/espaço.
Ventilador. Esteira. Pés.
Vinte minutos no relógio digital.
Porta aberta, brisa suave.
Através dos vidros da janela, uma linha cor de rosa define o horizonte.
Ventilador. Esteira.
Pés ansiosos em abandonar a esteira.
Olhos vibrantes diante tamanha beleza
Vinte e cinco minutos no relógio digital. Faltam cinco.
Ventilador e esteira desligados.
Avenida. Carros. Edifícios.
Por entre palmeiras, as cores suaves de rosa e azul claro sorriem entrecortadas por nuvens brancas.
Paz. Silêncio. Natureza.
O cantar dos pássaros insinua-se aos ouvidos.
A suave brisa da manhã infiltra-se pelas narinas.
O esplendor de cores no céu desfila aos olhos.
Paz interior. Recomeço. Vida. Alegria.
Priscilla de Carvalho
A vida é processo criativo em constantes mudanças. O mais importante é não vivenciarmos as “estações da vida” de qualquer jeito, pois um dia, elas serão as suas lembranças.
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