Coleção pessoal de Vinischuartz
– Isso ainda acontece, de você produzir alguma coisa e rasgar?
– Eu deixo de lado... não, eu rasgo sim.
– É produto de reflexão ou deuma emoção?
– Raiva, um pouco de raiva.
– De quem?
– De mim mesma.
– Por quê, Clarice?
– Sei lá, estou meio cansada.
– Do quê?
– De mim mesma.
– Mas você não renasce e se renova a cada trabalho novo?
– Bom, agora eu morri, mas vamos ver se eu renasço de novo. Por enquanto eu estou morta. Estou falando do meu túmulo.
– Em que medida o trabalho de Clarice Lispector no caso específico de Mineirinho pode alterar a ordem das coisas?
– Não altera em nada. Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa.
– Então por que continuar escrevendo, Clarice?
– E eu sei? Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas, está querendo desabrochar de um modo ou de outro, né?
– Se você não pudesse mais escrever você morreria?
– Eu acho que, quando não escrevo, estou morta. (...) É muito duro, esse período entre um trabalho e outro, e ao mesmo tempo é necessário para haver uma espécie de esvaziamento para poder nascer alguma outra coisa, se nascer. É tudo tão incerto…
– Clarice, a partir de qual momento você efetivamente decide assumir a carreira de escritora?
– Eu nunca assumi.
– Por quê?
– Eu não sou uma profissional, eu só escrevo quando eu quero. Eu sou uma amadora e faço questão de continuar sendo amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever. Ou então com o outro, em relação ao outro. Agora eu faço questão de não ser uma profissional para manter minha liberdade.
Resgatar antigos conceitos, conselhos... me apego aos meu apelos, por aquilo que aquece minha alma; me cura do trauma; são pessoas vivendo uma vida coletiva de forma individualista, pega e coloca na sua lista suas prioridades de vida. Ninguém se importa com quem está no fundo do poço. Prefiro ser verdadeiro, reflexivo, emocional; faço de cada frase meu livro sagrado, cápsula temporal, atemporal, meu manual. Escrito no milênio da mudança; esperança só é valida se existir um horizonte na rota - se for pra viver pra fazer foca bater palmas, prefiro acabar com tudo, quem sabe um dia sintam a tristeza do mundo.
Por que é certo um animal matar outro animal, ou um homem matar um animal, e é errado um homem matar outro homem?
Tem horas que cansa sorrir e fingir que está tudo bem, não, não estou bem e vou expor para o mundo: porque a culpa não é só minha e eu não vou carregar esse fardo sozinho.
Enquanto o objetivo do casamento for à estabilidade financeira, para a parte com recursos limitados a melhor opção será o: divórcio.
Filosofia é igual arte, não há como explicar uma obra prima, é tudo muito subjetivo, no caso da arte é quase sempre abstrato.
Enquanto o objetivo do casamento for a instabilidade financeira, para à mulher a melhor opção será o divórcio.
Tem horas que cansa fingir que está tudo bem e sorrir, não, não estou bem e vou expor para o mundo: porque a culpa não é só minha.
