Coleção pessoal de TiagoScheimann
Sou o sentinela e o prisioneiro de uma guerra que nunca cessa. No tribunal noturno da mente, cada lembrança esquecida retorna como testemunha hostil, expondo minhas feridas com uma precisão cruel. O silêncio, esse juiz disfarçado de paz, sentencia-me a reviver o que tentei enterrar. Quando os pensamentos se libertam, tornam-se lâminas: cortam sem aviso, rasgam o que o tempo tentou cicatrizar. A sombra, paciente, estende sua mão, prometendo descanso em troca da rendição. Mas há em mim uma centelha teimosa, um lampejo que recusa a dissolução. Assim sigo, numa vigília interminável, onde a lucidez é tanto escudo quanto lâmina. Cada instante é um duelo, e cada suspiro, um veredito suspenso entre a luz que sangra e a escuridão que observa.
A verdadeira resiliência não é parar de sentir, mas aprender a caminhar com o chão ainda úmido das lágrimas.
O corpo cansa, mas a alma só se exaure quando a fé na mudança se torna mais leve que o peso do passado.
As feridas que a vida não cicatriza se tornam lições silenciosas, escritas na profundidade do nosso ser.
O fardo mais pesado não é o que carregamos, mas a ilusão de que temos que carregá-lo sozinhos e sorrindo.
A luta mais solitária é aquela em que você precisa convencer a si mesmo de que ainda vale a pena resistir.
O tempo não cura, ele apenas te obriga a conviver com a ausência e a transformar a falta em presença interna.
Perdemos a vida tentando mapear o oceano da nossa alma para quem só possui a capacidade de navegação em águas rasas.
