Coleção pessoal de TiagoScheimann
As feridas não precisam ser escondidas, são mapas de onde o amor passou. Deus não apaga cicatrizes, Ele as transforma em constelações. Quem atravessa a dor com fé se torna luz para outros caminhos.
Nem tudo o que pesa é fardo, às vezes é missão. O amor não retira o peso, mas dá sentido ao que se carrega. A leveza vem quando entendemos que até a cruz tem propósito.
Há um instante em que o dia se despede e a alma agradece. O descanso não é o fim da jornada, é o recomeço em paz. Quem foi achado pelo amor aprende que o lar é o próprio coração.
A noite testa a coragem, a aurora revela o rosto da esperança. Onde a alma clama, nasce um caminho, ande, que há um propósito esperando.
Caminha sem pressa, Deus abre estradas ocultas sob teus pés, passo a passo, o deserto se inventa caminho.
A justiça que cura não busca vingança, ela restaura o que foi quebrado e acalma o coração em ruínas.
Há um eco que rasga a montanha, é o som do amor em busca. Nenhuma noite é tão densa que impeça a voz de chegar. O pastor caminha, cansado, mas a fé o guia, mansa, até que o pranto se cala no peito que volta a pulsar.
O vento traz um nome esquecido, sussurra entre pedras e vales. A alma, ferida, se move, lembrando o que era abrigo. Não há culpa, só saudade, só o desejo de voltar. E na curva do silêncio, o amor começa a falar.
Entre espinhos, passos lentos, um cajado toca a solidão. Cada ferida acende o caminho, cada lágrima mostra o chão. Quem busca o que ama, sangra, mas o sangue é oração. E o perdido, ao ser achado, vira luz na escuridão.
O vale repete o nome daquilo que se perdeu. Mas o eco não é lamento, é promessa que cresceu. Toda distância é caminho pra quem ama e não esqueceu.
Pés despidos na pedra fria, olhos que sabem de dor. Mas há no rosto cansado a chama viva do amor. Quem carrega o que é amado não sente o peso que levou.
O paradoxo revela a dor de existir sabendo que a própria presença ou ausência não altera o curso do mundo. É a consciência da própria irrelevância diante de um universo indiferente, onde o desejo de significado colide com a certeza do esquecimento. A ferida nasce do conflito entre querer importar e perceber que, no fundo, o vazio permanece o mesmo.
