Coleção pessoal de TiagoScheimann

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O tempo é um ladrão que nos rouba a juventude, a saúde e os amigos, mas que, ironicamente, nos deixa a sabedoria de que nada disso nos pertencia de fato. Somos apenas guardiões temporários de tesouros que a terra acabará por reclamar para si no final da jornada.

A depressão é como um nevoeiro que entra pela janela aberta e apaga as cores do jardim, deixando tudo com um tom de cinza-hospitalar que nos tira o apetite de viver. A gente aprende a tatear os móveis e a caminhar no escuro, esperando que o sol decida voltar das suas férias eternas.

Sinto que minha vida é um filme em preto e branco passando em uma sala de cinema vazia, onde eu sou o único espectador que não consegue ir embora antes dos créditos finais. A beleza está no contraste, na forma como a sombra define a luz e a ausência define o que restou.

Meus olhos já viram tanta coisa desmoronar que hoje eu desconfio até das montanhas, esperando que elas também revelem sua natureza de areia a qualquer momento. A impermanência é a única constante, a única verdade que o tempo não consegue desmentir com suas promessas de eternidade.

A solidão é o preço que se paga por ter uma alma que não aceita imitações e que prefere o isolamento à companhia de quem só sabe falar do que é superficial. É um custo alto, mas a vista do deserto é muito mais honesta do que a da cidade iluminada por luzes artificiais.

O mundo é um moinho que tritura nossos sonhos até que eles virem farinha para o pão de cada dia, uma massa insossa que comemos apenas para sobreviver. Eu tento temperar essa massa com um pouco de poesia amarga, para que o sabor da existência não seja totalmente esquecível.

Há um ranger de tábuas velhas em cada pensamento meu, um eco de presenças que partiram e deixaram apenas o vácuo como inquilino da minha memória. Eu converso com as sombras, não porque perdi o juízo, mas porque as sombras são as únicas que sabem ouvir sem interromper.

Minha escrita nasce da dor e da fé, desse atrito constante entre o que eu perdi e o que eu ainda espero encontrar em algum lugar além do horizonte. É o fogo que surge do choque entre a pedra da realidade e o aço da minha vontade de continuar sendo.

A vida não é sobre chegar ao topo da montanha, mas sobre o que você escreve nas pedras enquanto está tentando não escorregar no barro da encosta. O topo está sempre nublado, a beleza está no esforço da subida e nas feridas que o caminho nos deixa de presente.

O coração é uma caixa de música quebrada que, de vez em quando, solta uma nota perfeita no meio do ruído de engrenagens emperradas. É por essa nota que eu ainda luto, por esse lampejo de harmonia que justifica todos os anos de dissonância existencial.

A tristeza é um mar calmo onde a gente pode afundar sem fazer barulho, deixando que a pressão da água nos abrace até que não sintamos mais o frio da superfície. É um refúgio perigoso, um abraço de ferro que nos protege do mundo ao custo de nos tirar o ar.

Sou feito de insônias e cafés frios, de orações sussurradas para um teto que nem sempre responde, mas que serve de anteparo para os meus medos. A fé é esse diálogo com o silêncio, onde a resposta não é uma voz, mas a força para aguentar mais um dia.

O amor verdadeiro é aquele que permanece quando a beleza se vai e a saúde se despede, deixando apenas dois espíritos cansados se apoiando um no outro. É a caridade do olhar que não julga a falha, mas acolhe o que restou de humanidade no outro.

Minhas cicatrizes criaram relevos na minha pele que funcionam como o Braille da minha história, permitindo que eu me leia no escuro quando perco a visão do futuro. Cada marca é um capítulo, cada mancha é um erro que eu não trocaria por perfeição nenhuma.

A alma é uma casa abandonada onde o vento sopra entre as frestas de memórias que eu deveria ter enterrado há muito tempo. Mas eu gosto do barulho do vento, ele me lembra que, embora a casa esteja vazia, ela ainda respira a poeira do que foi vivido.

O destino não é o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos sobra depois que o pior já passou e o silêncio se instalou na sala. É a reconstrução paciente de um vaso quebrado, sabendo que as marcas da cola farão parte da sua nova identidade.

A felicidade é um visitante que nunca traz malas, fica apenas o tempo de um café e sai sem se despedir, deixando apenas a louça suja da saudade. Já a tristeza é aquela visita que chega com caminhão de mudança e decide que o sofá agora é o seu lugar permanente.

Há dias em que a única coisa que me mantém de pé é a curiosidade de saber como será a próxima frase que a minha dor vai ditar para a minha mão. Sou o primeiro leitor da minha própria tragédia, assistindo ao espetáculo com a fascinação de quem não sabe o final.

A escrita é o meu suporte de vida, o oxigênio que inalo quando o real tenta me sufocar com sua mediocridade e falta de sentido. Sem as letras, eu seria apenas um corpo ocupando espaço, com elas, sou um universo em expansão, mesmo que em direção ao vazio.

Gostaria de saber transformar minha dor em lucro, como fazem os palestrantes de palco, mas minha melancolia é um artigo de luxo que não está à venda. Ela é o que me mantém humano em um mundo que quer nos transformar em algoritmos de consumo e produtividade.