Coleção pessoal de swamipaatrashankara
Não idealize nada cujo sonho contenha outra pessoa. Nem sempre o que desejamos é o que a outra deseja. Amor acontece de forma inesperada, sem aviso, não há como acontecer nada sem acontecer.
Ok, cansei. Você finge que fala a verdade e eu finjo que acredito. Nenhum de nós vai chegar a lugar algum, mas se é isso que temos para o momento, que seja.
Às vezes acreditamos unicamente naquilo que queremos ou precisamos acreditar. Nos dois casos fatalmente terminará em choro e ranger de dentes. A realidade nos faz chorar também, mas é a única coisa que podemos viver.
Enquanto você ficar falando sobre o aconteceu de ruim na sua vida, não vou escutar mais. Ruim para você, bom para outros. A experiência humana pode ser parecida, mas nunca igual para mentalidades diferentes. Não se vive de passado. O minuto de agora, ou o segundo, é o único momento que pode viver. Sequer existe futuro, apenas o que pretende fazer com ele e também não sabe se dará certo ou estará vivo para isso. Viva o agora. Quem gosta de passado é arqueólogo, como disse Agatha Christie.
Acha sua vida repetitiva? Se repete por que as pessoas são iguais e quando digo iguais, nós também somos. Quer mudar alguma coisa? Pelo menos mude você. Outros, apenas eles mesmos.
Não é uma arma de fogo que mata e sim a bala. Não é a bala nem a arma de fogo que mata e sim que a empunha. Não é a bala nem a arma de fogo que mata e sim quem a empunha e puxa o gatilho. Não é a bala nem a arma de fogo que mata e sim quem a empunha, mira em alguém e puxa o gatilho. Não é a bala nem a arma de fogo que mata e sim quem a empunha, mira em alguém e puxa o gatilho e acerta. Não é a bala nem a arma de fogo que mata e sim quem a empunha, mira em alguém e puxa o gatilho e acerta em um local fatal do corpo de alguém. Tudo na vida é uma questão de interpretação. Poderia ser simples dizer que armas não matam pessoas, e sim pessoas matam pessoas. Ou se matam. Ainda assim, uma questão de interpretação. Há várias formas de interpretar a mesma coisa, portanto seria salutar sempre ler várias vezes um texto até entender o que realmente o autor quis dizer com aquilo. MInimizar as coisas por falta de zelo nesse quesito é uma questão pessoal. Apenas não muda nada na ideia original, pois essa, já foi escrita.
Se você usa a sua religião ou o seu "deus" para odiar o próximo pelo que acredita ou te fizeram acreditar... Pare de usar isso como justificativa. Deve ser mais difícil para quem não tem um escudo que existe apenas na mente, mas pelo menos será mais humano que certos seres humanos.
Na duvida em fazer alguma coisa lembre-se que o "não" já está dentro de si. Se fizer e dar certo, parabéns. Se não der certo fica com o que já tinha. Como se pode ver, ninguém perde nada por tentar. Pode não se ganhar o que queria, mas ganha experiência que é um caminho da sabedoria. A ação sempre tem um ganho. A sabedoria popular é inteligente: "Pedra que não rola cria limo". A pedra fica cheia de limo quando permanece apegada a um lugar. O mesmo se aplica a nós. Quando permitimos que o apego a pessoas, coisas e sensações prevaleça, a mente fica contaminada pelo limo dos pensamentos e das memórias, que passam a governar nossa vida. As percepções se turvam, tornam-se estreitas e limitadas. Blavatsky recomenda: “Luta com teus pensamentos impuros antes que eles ganhem poder sobre ti, pois se lhes deres folga e eles crescerem e tomarem raiz, sobrepujarão a ti e te matarão.” Mesmo assim sair da zona de conforto que o limo produz alguma experiência vai adquirir, queira ou não. Não só de sucessos se constroi um caráter e nem define a personalidade. Somos e sempre seremos uma síntese de sucessos e fracassos. Esqueça o "não".
Esopo escreveu no seu conto: "Pensando em conseguir de uma só vez todos os ovos de ouro que a galinha poderia lhe dar, ele a matou e a abriu apenas para descobrir que não havia nada dentro dela". Assim nos é: podemos não ter ouro dentro de nós e essa latência não nos impede de tentar mostrar o que não somos. Somos sempre um nada a ser preenchido. A vida nos preenche. As ideias nos preenchem. O problema não está como estamos preenchidos, mas a forma como isso sai. Ouro ou o quê? Cada vez que damos nossa opinião, cada vez que escrevemos o que pensamos, começamos a ser interpretados. Nem mesmo o ouro é compreendido, que dirá outra coisa.
Sempre que apontamos um defeito alheio é porque é alheio em nós mesmos esse defeito. Somente com a compreensão de nós mesmos, desintegra-se aos poucos esse mau hábito.
A serenidade caminha ao lado do imparcial e não do apático. Ter serenidade é pensar antes de agir. Algo que num estágio mais avançado nada mais é do que a meditação. A sabedoria está em não colocar a imaginação no meio do processo de análise e em saber esperar sem ansiedade. Na prática, a pessoa serena criaria sempre um espaço de tempo entre a ação e a reação. Tempo para analisar a situação com parcimônia, pensar nas consequências da sua reação e encontrar formas de resolver o problema e não de piorá-lo.
A incerteza do que pode acontecer no próximo momento - o sujeito pode perder a vida ou o emprego, a mulher ou a fortuna a qualquer momento - ajuda-o a sofrer menos com os revezes da vida. E a se apegar menos às coisas e às pessoas que ama, dependendo menos delas para ser feliz. Por outro lado, a noção da própria impermanência faria com que o workaholic que passa 16 horas por dia no escritório revisse suas prioridades ao perceber que o seu cargo não vai durar para sempre. E que o marido que há mais de ano não reserva tempo para namorar a esposa percebesse que ela não vai ficar do seu lado para sempre. E que o sujeito que há décadas tem um pedido de desculpas entalado na garganta finalmente verbalizasse o seu arrependimento, porque nem ele e nem o seu antigo desafeto vão durar para sempre.
A única certeza que um ser humano pode ter é a de que vive o momento presente e de que pode morrer a qualquer momento. Por mais catastrófica que essa ideia possa parecer ela é uma verdade incontestável e um motivo de alegria. Significa que se as coisas boas podem ficar ruins de um momento para o outro, as coisas ruins também podem ficar boas de repente. Essa certeza também serve para que preparemos o que ele chama de "boa morte" - a tentativa de manter um saldo positivo na própria existência - ou pelo menos zerar a contabilidade entre as atitudes boas e más de que inevitavelmente se compõe uma vida.
A compulsão de querer controlar a vida alheia é fruto do nosso orgulho. O ser amadurecido não controla, mas sim coopera com o amor e com a liberdade das leis naturais.
A verdade sempre será relativa e perceber que não há axiomas inquestionáveis e tentar enxergar as situações sob todos os ângulos antes de tomar uma atitude é fundamental. Isso leva tempo e requer exercícios pois a mente humana tem tendência de elevar as próprias ideias à condição de verdades inexoráveis. Diante de uma situação de discórdia as pessoas se enchem de argumentos que as levam a tomar determinadas atitudes a partir do seu ponto de vista unilateral, desconsiderando a trajetória dos outros envolvidos, mas o que é a verdade?
