Coleção pessoal de SabrinaNiehues

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Eu nunca fiz questão de existir
Não queria incomodar.

Fácil de falar, difícil fazer.

Nunca reclamar
Só agradecer
Tudo o que vier eu fiz por merecer.

Um dia eu vou morrer
Um dia eu chego lá
E eu sei que o piloto automático
Vai me levar.

Eu nunca fiz questão de estar aqui
Muito menos participar

Não querer lidar com pessoas é proteção pra você nunca se machucar.

Bendito aquele que semeia livros e faz o povo pensar.

Eu já não tenho mais vida!
Tu já não tens mais amor!
Tu só vives para o riso,
eu só vivo para dor.

Índios

Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do inicio ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta pra mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

Quem me dera, ao menos uma vez, acreditar por um instante em tudo o que existe. Acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes.

Não julgo alguém por ser medroso. Quem nunca sentiu medo?

Eu não sou doente mental. Só tenho dificuldade de aceitar a realidade. E a realidade não me agrada. Porque tudo aqui é ruim. E eu não sou estranha. Quantas vezes vocês quiseram desistir também? Eu sei que sim, não mintam. Vocês quiseram, sim. Vocês também pensam que o fim pode ser uma boa ideia. Vocês só não admitem porque tem medo dela. Medo da morte. Vocês são medrosos. Tem medo do inevitável. Vocês tem medo de pedir ajudar psicológica porque vocês tem medo de reconhecer que também são doentes. Vocês tem medo de si mesmos. Eu também tenho. Mas eu busquei por ajuda. Uma parte minha foi mais forte pra isso. Eu não tive medo de admitir isso. E, sabem, eu fiz isso sabendo das consequências. Sei que machuquei minha família ao admitir que precisava de ajuda. Mas eu fui atrás de algo melhor... Eu admiti minha loucura. Admito que sou louca. Mas não mais que vocês, humanos sem caráter.

Canto para Minha Morte

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Não quero que o desespero, que minha mente doente me leve ao fim. Eu ainda quero viver, é. Eu ainda sou esperta o bastante para aproveitar a vida.

Eu não quero que minha esperança seja alucinação. Eu quero que um dia, mesmo que o tempo me custe a vida, ela se concretize. Minha esperança. A que me alimenta a vida. O amor.

Ela está em todos os lugares
Todas as esquinas e bares
Está na minha mente e alma
Está dentro e fora
Está em mim por inteira
Me usa e abusa
Me consome
Me ama
Ah, vê se me deixa
Solidão.

Antigamente, não gostava dela. Hoje, já é rotina. Aprendi a me acostumar com sua presença. Aprendi a apreciá-la. Eu sei que ela me ama. Ela vive no meu pé. Ela fica comigo mesmo na presença de outras pessoas. Em todos os lugares e momentos. Acho que ela me ama. Se não me amasse, não viveria comigo. Bom, talvez isso não signifique nada. Afinal, eu não a amo e vivo com ela mesmo assim. Não acho que eu seja capaz de amá-la. Talvez eu só goste dela. E só às vezes gosto. Mas quando ela vem, eu sei apreciar sua presença. Ela é minha companheira. Acho que sempre será. O nome dela? Solidão.

Só é forte quem enfrenta as dores e cura as cicatrizes que tem no coração.

Com todas as mentiras que estão disputando a atenção nesse momento, escolho as minhas verdades, os meus valores, o que aprendi que é certo e o que escolhi como certo para mim. E por isso é preciso muito cuidado, pois há flechas voando por todos os lados. Acertando culpados e inocentes.

Vívido na madrugada, pensando muito mais do que queria pensar. Principalmente nos outros. Outros que sequer sabem da minha existência, mas que me preocupam. Porque me preocupo com o que não é problema meu e essa talvez seja uma das maiores angústias que carrego.
Tudo bem. Tomo minha pílula para acalmar os pensamentos. Essa é indicação médica, liberada e vendida nas drogarias, então pode. Tento fazer com que meus pensamentos parem de esmurrar a parede da minha caixa craniana.
Em vão.
Não há forma melhor de expulsar tudo que me abafa que não vomitando meus impulsos nervosos materializados em palavras escritas. Sempre foi o meu melhor caminho.