Coleção pessoal de PensamentosRS

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Os militares brasileiros parecem se atrapalhar com as armas sem guerras para combater. Assim, no tédio das casernas, sonham com poderes políticos.

Seria possível contar a história das forças armadas no Brasil como a história dos golpes de Estado fracassados ou bem-sucedidos.

É lamentável para qualquer um ter que ser si mesmo (e ainda mais, ser forçado a se vender). A cultura e a análise da cultura sãovaliosas na medida em que permitem uma fuga de nós mesmos.

A inteligência mais afiada é a que chega de mãos dadas com a ternura.

Ser cronista é praticar atenção plena. O material está na esquina, no vizinho, na planta teimosa que emerge do asfalto. É meditação em movimento, coleção de insignificâncias que, juntas, revelam o mosaico da vida.

O tempo não perdoa.

Conhecimento vai muito além da informação. É preciso analisar bem e saber ver.

“Quem precisa de mim?” é uma questão de caráter que sofre um desafio radical no capitalismo moderno. O sistema irradia indiferença.

A humanidade é sempre mais interessante quando em silêncio – quando abre a boca, pode decepcionar.

A ligação social nasce, de forma mais elementar, do senso de mútua dependência.

Lugar é geografia, um local para a política; comunidade evoca as dimensões sociais e pessoais de lugar. Um lugar se torna uma comunidade quando as pessoas usam o pronome “nós”.

As pessoas sentem falta de relações humanas constantes e objetivos duráveis.

A morte é uma sacanagem. Sou cada vez mais contra.

O fracasso é o grande tabu moderno.

Na era da memória digital, a própria perda está perdida.

Rede social: ambiente tecnológico associal em que nenhuma conexão humana prospera.

Música sertaneja: gênero escolhido por pessoas que sempre viveram na cidade, mas ganham dinheiro suficiente para comprar uma fazenda em Goiás.

Futebol: tentativa de resolver com os pés o que não foi possível com as mãos.

Diplomacia: arte milenar de continuar falando de paz quando a guerra já devastou tudo e só resta fazer as contas dos estragos, das perdas, das mortes e das terras que serão roubadas pelo vencedor.

Neoliberalismo: novo liberalismo sem a sabedoria e a eficiência do velho, mas com a falta de compostura que caracteriza a acumulação primitiva do capital e as pilhagens depois que a terra foi arrasada e a ética morreu, o que permite taxas de acumulação diretamente proporcionais à barbárie usada.