Coleção pessoal de PensamentosRS
Quanto mais convivemos com os homens, mais nossos pensamentos se obscurecem; e quando, para aclará-los, voltamos à nossa solidão, encontramos nela a sombra que eles projetaram.
Cada um com sua loucura: a minha foi julgar-me normal, perigosamente normal. E como me parecia que os outros estavam loucos, acabei ficando com medo, medo deles e, o que é pior, medo de mim mesmo.
Quando, liquidados os motivos de revolta, já não sabemos contra o que nos insurgir, somos tomados de tal vertigem que daríamos a vida em troca de um preconceito.
Um doente me dizia: “Para que sofro minhas dores se não sou poeta para vangloriar-me ou servir-me delas?”
Há almas que nem o próprio Deus poderia salvar, ainda que se pusesse de joelhos e rezasse por elas.
Nos empenhamos em abolir a realidade por medo de sofrer. Coroados nossos esforços, é a própria abolição que se revela fonte de sofrimentos.
Nos sonhos manifesta-se o louco que há em cada um de nós; após haver governado as nossas noites, adormece no mais profundo de nós mesmos, no seio da Espécie; de vez em quando, no entanto, o ouvimos roncar em nossos pensamentos...
Minha avidez de agonias me fez morrer tantas vezes que me parece indecente abusar ainda de um cadáver do qual já não posso extrair nada.
Quando me lembro que os indivíduos são apenas gotas de saliva que a vida cospe, e que a vida mesma não vale muito mais em comparação com a matéria, dirijo-me ao primeiro bar que encontro com a intenção de nunca mais sair dele.
Quem, buscando-se em um espelho em plena obscuridade, não viu refletidos nele os crimes que o esperam?
Por mais bizarras que sejam as crenças dos eleitores, sempre haverá algum político querendo defendê-las.
Todas as calamidades – revoluções, guerras, perseguições – provêm de um equívoco inscrito sobre uma bandeira.
