Coleção pessoal de PensamentosRS
Além disso, nunca se deve prever o fim do mundo. Se o mundo acabar mesmo, não sobrará ninguém para nos dar razão. O que eu faço é prever constantemente que o mundo vai continuar.
(Ricardo Araújo Pereira)
O "eu te amo" deveria continuar tendo algum risco. Carregar uma mínima vertigem. Não ser dito como hábito, ser dito com menos frequência e mais perigo.
Acaso não tem nada a ver com o sobrenatural nem é o que não pode ser explicado hoje pela ciência e amanhã será conhecido. Acaso são fatos comuns, frequentes, que podem ocorrer a qualquer momento, sem avisar. A bola entra também por acaso.
Desde épocas remotas, o homem serviu-se de números para determinar as coincidências significativas, isto é, as coincidências que podem ser interpretadas. O número é algo de especial – poderíamos mesmo dizer misterioso.
Houve um tempo em que o mundo olhava com admiração para a universidade. Esse mundo está desaparecendo.
A ideia de que revoluções políticas seriam movidas por intenções generosas de melhorar o mundo é uma falha na análise do que a natureza humana revela na história.
O ser humano necessita da aprovação do outro, mas quando essa dependência é excessiva, torna-se patológica.
A superstição primitiva está presente também justamente sob a superfície dos indivíduos até mesmo mais esclarecidos, e são precisamente estes, que mais combatem contra ela, os primeiros a sucumbirem a seu poder de sugestão.
Crer que numa empresa a hierarquia escolha uns em detrimento de outros de modo racional, fazendo uso de uma racionalidade meritocrática, é a mesma coisa que crer em lobisomens.
É uma estranha inversão: antes da digitalização da vida humana, o retrato servia para recordar uma experiência. Hoje, as pessoas vivem experiências para justificarem o retrato.
Paradoxo: o STF converteu-se, aos olhos do público, em símbolo da ilegalidade impune. Quem nos salvará de nossos salvadores?
É frequente que políticos colham os louros por aquilo que não fizeram e que sejam cobrados por eventos aos quais não deram causa.
O jogo de futebol é um teatro da vida, mistura de alegria e tristeza, de razão e emoção, de planejamento e improvisação, de técnica e fantasia.
A busca contemporânea de felicidade e liberdade é, em grande medida, uma ilusão arquitetada pelo próprio ego, que teme o caos, a ambiguidade, a dúvida e o verdadeiro contato com o outro. Em uma sociedade que premia o individualismo e o egoísmo, ser "livre" muitas vezes significa isolar-se, competir e proteger o que é "seu".
A verdadeira liberdade, em sua essência mais profunda, talvez não seja a ausência de limites, mas a capacidade de abraçar conscientemente os próprios limites.
