Coleção pessoal de testeteste123

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Eu guardo a minha empatia para quem é vítima da ignorância, não para quem escolhe se fingir de cego só porque a mentira do pastor soa bonita.

Muitas vezes me olharam e disseram que eu mudei.
Mudou mesmo.
Mas poucos perguntaram quantas dores foram necessárias para essa transformação.
Há versões de nós que não nascem de desejos, mas de sobrevivência. São armaduras forjadas em noites difíceis, em despedidas inesperadas e em batalhas que ninguém viu.
Eu tive que me tornar algo que nunca fui.
Mas, no fundo, ainda guardo a memória daquela pessoa que existia antes das tempestades.
Não para voltar a ser quem fui. Porque certas travessias não permitem retorno.
Mas para lembrar que, por trás de toda dureza que a vida me ensinou, ainda existe um coração que um dia acreditou que o mundo podia ser mais gentil.
E talvez essa seja a maior vitória:
não deixar que a necessidade de sobreviver apague completamente quem um dia fomos.

O inferno de vocês não passa de um produto criado por homens espertos para enriquecer vendendo chaves falsas de um céu que eles próprios não têm o direito de pisar.

CONSELHO


Lendo,
entendendo,
compreendendo,


ninguém
nasce
sabendo.


Busque,
mude-se,
informe-se.


Aja
com
sabedoria.


Fuja
dessa
rotina.


Se conselho
fosse
bom,


encontraria
todo
dia


em
cada
esquina.


Escute,
ouça,
escolha


o caminho
bom
e siga.


Não
pare
nunca.


Quem
acredita
alcança


essa
única
esperança:


levantar,
sonhar,
viver.


Assim
deveria
ser.


Sandro Sansão da Silva Costa

O estrangeiro, o diferente, o deslocado, carrega dentro de si um idioma secreto feito de ausências. E enquanto o mundo enxerga apenas alguém tentando seguir em frente, existe uma batalha silenciosa acontecendo entre quem ele era e quem precisa se tornar.
E o que ele repete para si mesmo todos os dias:
"Um dia isso não vai doer mais."
E, curiosamente, é essa mentira que muitas vezes o mantém vivo até que ela finalmente se transforme em verdade.
Porque nos seres humanos somos estranhos assim. Construimos pontes com ilusões temporárias para atravessar abismos reais. E, contra toda lógica, às vezes funciona.

DÚVIDA!..


De repente,
busquei as cores,
vi que são muitas,
assim como os amores.


Tantas que me encantam,
tantas e tantas mais;
muitas são
e a cena se refaz.


As cores, aos montes,
aparecem diante do olhar.
Fico na dúvida,
fico a pensar.


De repente,
novamente,
vejo-me aqui,
igual a você,


sem sair do lugar.


Sandro Sansão da Silva Costa

Palavras sem pensar ao vento,
Flecha solta que não volta.

Hoje decidi estar aqui
Pensei em novamente ser feliz
Te dar o que um dia eu sonhei...
Hoje decidi que quero mais momentos juntos a você que me trás paz
Lidar com tudo o que nunca tentei

Um sonho essa noite me fez acordar
Senti a vida feita para amar
Mas quando abri os olhos e nao vi Hoje ali...

Te peço perdão por tudo que te fiz
Momentos que poderíamos ser feliz
Deixei passar com um grão de areia se perde no mar...
Mas como eu te amo ja nem sei..
Só quero viver tudo outra vez..
Será que voce me dá a chance de te fazer feliz...

"O aprendizado diário é a poesia da evolução humana: escrevemos um verso pequeno por dia que, com o tempo, compõe a nossa história mais bela."

É engraçado ver o fiel orando por um milagre financeiro enquanto financia o jatinho particular e a mansão do líder da igreja.

Enfim Casados!


Enfim, o repouso
Tão merecido ao teu lado.
Como é bom
Contigo estar casado.


Desfrutar do desejo,
Teu presente sagrado.
Sou mesmo este homem?
Tu me fazes sentir honrado.


Não quero farra,
Não quero nada;
Quero apenas estar
Ao teu lado.


Não me sinto casado,
Sinto-me um eterno
Enamorado.


Sandro Sansão da Silva Costa

A hipocrisia evangélica adora pregar sobre o amor ao próximo, desde que o próximo vote igual, pense igual e não questione a liderança.

ANTES E AGORA


Houve um tempo de passos demorados,
de pensamentos sobre a imensidão,
onde os gestos eram bem cuidados
e amadureciam na reflexão.


O antes tinha sonhos compassados,
tecidos pela mão da intenção;
colhia-se o saber dos dedicados
caminhos da paciente construção.


Agora, na rapidez dos segundos,
surgem atos ligeiros neste mundo,
sem raízes além da aparência.


Perde-se, às vezes, o valor da espera,
na veloz passagem desta era,
ofuscando o brilho da experiência.


Sandro Sansão da Silva Costa

Existe a vontade de chegar, mas sem ter destino.

De fora para dentro,
o observador desperta.


E quando desperta,
não se contenta mais com a superfície das coisas.
Ele começa a investigar a memória da própria autoconstrução,
questiona a base dos seus valores,
o edifício do moralismo,
as projeções de objetivo, sucesso e pertencimento.


Então o desconforto jorra,
às vezes agressivo,
às vezes brutal,
porque toda consciência que amadurece
precisa encontrar a sombra antes de encontrar a paz.


E a sombra aparece com suas facetas amedrontadoras:
medos herdados, desejos negados, culpas mal nomeadas,
ambições disfarçadas de virtude,
feridas vestidas de personalidade.


A partir daí, nasce uma cegueira ao antigo e uma sede de perguntas para a vida.


O olhar fica frio, não por falta de alma,
mas por excesso de lucidez.
A realidade perde a maquiagem.
O véu de Maya cai.
E aquilo que antes parecia destino
começa a parecer condicionamento.


Mas o observador não tenta apenas ressignificar tudo.
Ele entende que algumas ruínas não pedem reforma,
pedem demolição consciente.


Então ele cria o novo.


Não um novo aprovado pelas vitrines do todo social,
não um novo domesticado pela moral dos outros,
não um novo feito para caber no aplauso alheio.


Mas um novo mais próximo do eu real,
um eu que não foge da sombra,
dialoga com ela.


Um eu que aprende a transformar desconforto em linguagem,
queda em arquitetura,
solidão em escuta,
e criatividade em afinação profunda da existência.


Porque talvez amadurecer seja isso:
deixar de decorar a cela
e começar a desenhar a chave.

“nada ainda foi degustado, mas tudo já foi bebido na experiência do beber”.


Antes do ato, já existe a memória do ato. Antes do primeiro gole, o corpo já atravessou outros cafés, outras tardes, outras versões de si. O tempo deixa de ser linha reta ou escada a ser vencida, e se torna uma rede cheia de nós, lembranças e retornos. Afinal, o relógio mede o instante, mas não mede o impacto silencioso daquilo que nos transforma por dentro.

Ainda sobre olhar e olhares...

Existem olhos que apenas olham, e existem olhares que verdadeiramente enxergam.

Olhares que transcendem a superfície e alcançam lugares que as palavras nem sempre conseguem tocar. Olhares que acolhem a alma sem interrogá-la, que compreendem sem exigir explicações e que permanecem atentos aos detalhes que quase todos deixam escapar.

São olhares que registram mais do que imagens. Registram silêncios, ausências, cicatrizes, alegrias discretas e sentimentos que não encontram voz. Não se limitam ao que está diante deles; percebem o que habita por trás dos gestos, entre as pausas e dentro das emoções.

Mas também existem olhos que olham e não veem. Que atravessam pessoas, histórias e sentimentos sem realmente encontrá-los. Olhos que se detêm na aparência, mas não alcançam a essência. Que observam a forma, mas desconhecem a profundidade.

Talvez porque enxergar seja mais do que um ato da visão. Enxergar exige presença. Exige sensibilidade. Exige disposição para encontrar no outro algo além daquilo que está exposto.

Os olhares são espelhos e portais da alma. Espelhos porque revelam aquilo que carregamos dentro de nós. Portais porque permitem acessar mundos que não podem ser tocados pelas mãos.

E há uma beleza rara nos olhares que permanecem. Naqueles que não apenas veem quem somos, mas nos fazem sentir vistos. Porque, às vezes, o maior encontro entre duas almas acontece em silêncio, no breve instante em que um olhar reconhece o outro e decide ficar.

O relâmpago é a alquimia do cosmos: fogo, água e ar em pacto com a terra.

O amor genuíno é nos dar vida e dar Sua vida por nós.

CONFISSÃO


Novamente,
o brilho cintilante
das estrelas dos teus olhos
faz meu coração se encantar.


Por isso,
nunca me canso;
a cada novo dia,
procuro teu olhar.


Pois há em ti
uma luz tão serena
que me faz, sem perceber,
apaixonar-me outra vez.


Sandro Sansão da Silva Costa