Coleção pessoal de pensador
Mesmo o fanático digital mais obstinado não consegue escapar do simples fato de que cada hora passada na frente de uma tela, por mais maravilhosa ou benéfica que seja, é um tempo que se passa sem segurar a mão de alguém, nem sentir o cheiro da brisa do mar. Talvez até mesmo o ato de ficar à vontade e contente, em perfeito silêncio, venha a se tornar uma commodity rara, que, em vez de fazer parte do repertório humano, será encontrada em uma futura lista de desejos melancólica.
A tecnologia pode ser empoderadora e nos ajudar a forjar vidas mais plenas, mas isso só ocorrerá, de fato, se nós mesmos tomarmos a frente e contribuirmos para o cumprimento dessa tarefa.
Embora a moderação possa ser a chave, a tecnologia não vem, necessariamente, sendo utilizada dessa forma.
Se um único indivíduo pode ser capaz de alcançar uma mescla ideal entre o virtual e o real, isso não significa automaticamente que os demais são capazes de ter o mesmo controle e o mesmo bom senso.
Se o desenvolvimento é a marca registrada de nossa espécie, onde quer que nos encontremos, então as tecnologias digitais poderiam muito bem trazer à tona o que há de pior na natureza humana, ao invés de se revelarem inofensivas.
As organizações constroem narrativas sobre si próprias sem considerar a pluralidade da população com a qual se relacionam, que utiliza seus serviços e que consome seus produtos. Muitas dizem prezar a diversidade e a equidade, inclusive colocando esses objetivos como parte de seus valores, de sua missão e do seu código de conduta. Mas como essa diversidade e essa equidade se aplicam se a maioria de suas lideranças e de seu quadro de funcionários é composta quase exclusivamente de pessoas brancas?
Não havia por que se envergonhar por ter antepassados escravizados, ao contrário, apenas ter orgulho do que construíram, apesar das adversidades.
Queria ver se o cinzento de suas palavras conseguia embaçar meus vinte e dois anos e a clara tarde de verão.
Quando tomei posse da vontade de escrever, vi-me de repente num vácuo. E nesse vácuo não havia quem pudesse me ajudar. Eu tinha que eu mesma me erguer de um nada, tinha eu mesma que me entender, eu mesma inventar por assim dizer a minha verdade.
Nenhum ser humano me deu jamais a sensação de ser tão totalmente amada como fui amada sem restrições por esse cão.
