Coleção pessoal de pensador

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Durante as belas noites de tempestade os relâmpagos tiram radiografias da paisagem.

O crítico é um camarada que contorna uma tapeçaria e vai olhá-la pelo lado avesso.

O fato é um aspecto secundário da realidade.

As lagartas não podem acreditar na lenda das borboletas – tão antiga entre o seu rastejante e esforçado povo... mas sua felicidade consiste em relembrar, às vezes, o absurdo e maravilha desse velho sonho: o de se transformarem, um dia, em borboletas.

Talvez a poesia não passe de um gênero de crônica, apenas: uma espécie de crônica da eternidade.

O mais difícil na morte é acomodar-se a gente aos novos hábitos.

Conhecer o mundo não adianta nada: as viagens apenas complicam a ignorância.

Meu Deus, por que será que nos sentimos tão culposos diante desse olhar interrogativo que nos lançam, às vezes, os cães? Mas culposos de quê?

O bom das filas é nos convencerem de que afinal esta pobre vida não é tão curta como dizem.

Fazia tanto calor que as sombras se ocultavam debaixo da barriga dos cavalos e da copa das árvores.

Preocupar-se com a salvação da própria alma é indigno de um verdadeiro gentleman.

Os chinelos são um par de gêmeos obedientes, sempre juntinhos ao pé da cama, pacientemente à espera do papai, que às vezes custa tanto a chegar.

Proletário

Sujeito explorado financeiramente pelos patrões e literariamente pelos poetas engajados.

Haverá coisa escrita que não seja póstuma? Tudo que sai impresso é epitáfio...

A única coisa que nos diferencia de peixes num aquário é que temos consciência dos limites de nosso mundo…

Quando dês opinião, nunca deixes de escrever a data...

Se a tua vida não puder ser uma tragédia grega – por amor de Deus! – não a faças um tango argentino...

Todo esse apego do homem ao cachorro é porque o cachorro considera o seu dono o primeiro homem do mundo...

O que mais me revolta nas matemáticas são as suas aplicações práticas.

Delícia de fechar os olhos, por um instante e assim ficar, sozinho, fabricando escuro... sabendo que existe a luz!