Coleção pessoal de pensador

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Escrever é um dos modos de fracassar.

Nem sempre esmiuçar demais dá certo.

A primavera me dá coisas. Dá do que viver. E sinto que um dia na primavera é que vou morrer. De amor pungente e coração enfraquecido.

A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.

Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança.

O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer.

Não, quem tem razão é este meu coração indireto, mesmo que os fatos me desmintam diretamente.

Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida.

Só escrevo o que quero, não sou um profissional.

Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.

Cada coisa é uma palavra. E quando não se a tem, inventa-se-a.

Não, nunca fui moderna. E acontece o seguinte: quando estranho uma pintura é aí que é pintura. E quando estranho a palavra é aí que ela alcança o sentido. E quando estranho a vida aí é que começa a vida.

A realidade não tem sinônimos.

Não cumpro nada: apenas vivo.

Sem uma palavra de amor. Sem uma palavra. Mas teu prazer entende o meu. Nós somos fortes e nós comemos. Pão é amor entre estranhos.

Nada existe que escape à transfiguração.

Ah, mas se por um instante eu entender que a fúria é contra os meus erros e não contra os dos outros, então esta cólera se transformará nas minhas mãos em flores, em flores, em coisas leves, em amor.

Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes em que, por ter tido a doçura de pedir, não me deram.

Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro, e a lembrança é em carne viva.

Como conseguirei saber do que nem ao menos sei?