Coleção pessoal de pensador

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O que mais enfurece o vento são esses poetas inveterados que o fazem rimar com lamento.

Uma alma sem mistério nem seria alma... Da mesma forma que um Deus compreensível não seria Deus.

Conversa de velho é cheia de parênteses e esses parênteses são cheios de parentes.

Diálogo inútil

– Mas por que tu não fazes um poema de amor?
– Todos os poemas são de amor.

Os filhos são um subproduto do amor.

Essas distâncias astronômicas não são tão grandes assim: basta estenderes o braço e tocar no ombro do teu vizinho.

Mas só Deus – que é único, que não tem par – poderia dizer o que é a solidão.

Um poema só termina por acidente de publicação ou de morte do autor.

O primeiro sinal da incompreensão é o riso; o segundo, a seriedade.

Por que será que as pessoas virtuosas parece que estão sempre representando?

O leão é um animal tão belo que ser devorado por ele é melhor do que ser devorado por um crocodilo... Diante da sua arremetida, bem sei que se pode morrer de puro medo... porém nunca de horror.

Já repararam? A má reputação sempre fez parte da fama...

O mais triste das dedicatórias são as datas.

Meditação para o dia de Natal

Ah! Aquela confiança que tem uma criança rezando... Inocente confiança. Alegria. Quem é de nós que reza com alegria? Parece que só existe mesmo o Deus das crianças... Deus é impróprio para adultos.

Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.

A vida era muito mais intensa quando não passava, na média, de quarenta anos. Agora é um longo, um interminável arrastar de correntes: nós somos as almas penadas deste mundo.

Às vezes eu pesco um leitor. Outras vezes o leitor me pesca. Entre uma coisa e outra, as águas vão passando.

A primavera, entre nós, é uma licença poética.

Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco por aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.

Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.