Coleção pessoal de pensador
O mistério da existência humana não está apenas em permanecer vivo, mas em encontrar algo pelo qual viver.
Eu queria que eles pensassem bem sobre um sistema que permite ao Estado matar qualquer escritor, qualquer intelectual - até mesmo meteorologista - com quem eles discordassem.
Nós nos revelamos nos pedaços que queremos que os outros saibam, mesmo aqueles mais próximos de nós. Todos nós temos nossos segredos.
Poetas, romancistas e dramaturgos se dedicam, contra terríveis resistências, a entregar o que o resto de nós mantém trancado em segurança em nossos corações.
O que confere autenticidade e vitalidade ao jornalismo é a tensão entre a auto-absorção cega do sujeito e o ceticismo do jornalista.
O conceito de psicopata é, de fato, uma admissão da falha em resolver o mistério do mal - é apenas uma reafirmação do mistério - e oferece apenas uma válvula de escape para a frustração sentida por psiquiatras, assistentes sociais e policiais, que diariamente encontram sua força.
É isso que o artista deve fazer. Arte é roubo, arte é assalto à mão armada, arte não está agradar a sua mãe.
Todos nós inventamos a nós mesmos, mas alguns acreditam mais que os outros na ficção de que somos interessantes.
A vida, é claro, jamais captura toda a atenção de alguém. A morte é sempre interessante e nos atrai. Assim como o sono é necessário à nossa fisiologia, a depressão parece ser necessária à nossa economia psíquica. De alguma forma secreta, Tânatos, além de se opor a Eros, também o nutre. Os dois princípios atuam em oculta harmonia; embora Eros predomine na maioria de nós, em ninguém Tânatos está totalmente subjugado.
O médico disse que era estresse. Sempre é. Estresse. Aquele tremor no olho, e quatro horas de sono a menos que o recomendado. E a ansiedade, era estresse também? Você precisa relaxar, ele disse, e a palavra soou leve, como fumaça de incenso. Listou uma série de atividades que poderiam me deixar mole como sua fala enquanto receitava alopatia, pra garantir. A ideia de precisar relaxar me deixava ligeiramente histérica. Quem é que relaxa — e como? — nesses tempos?
Chego em casa faminta e minha geladeira me lembra que tenho 130 anos, me oferecendo prateleiras de brócolis, couves e que tais, não mais um carregamento de bem-casados que se amassavam nos bolsos dos paletós dos meninos e que eram divididos entre todos que rachavam o táxi da volta. Eu devia ter me casado, penso. Com sorte ele também seria avesso à ideia de filhos e teria uma lesão nos joelhos. Levaríamos uma vida desanimada revezando a bolsa de água quente. Teríamos um jogo de tupperwares de vidro, presente de alguma tia, e cuidaríamos para preservar todas as tampas.
E acho que tem uma expectativa quando você é mais jovem de que aos 35 você já vai ter uma estabilidade, uma carreira, uma independência e, de repente, a gente se vê nesse cenário muito árido.
Não acho que deveria haver uma leitura obrigatória, acho inclusive que o método compulsório de leitura pode atrapalhar um pouco o caminho dos leitores.
