Coleção pessoal de pensador

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É uma miragem fascinante
Dá asa a imaginação
É impetuosa em si
Desassossego
Molha feito calor do sol
Em mim

Mesmo assim o meu coração
Sem razão
Se deixa seduzir
E se entregar
Eu quero mais um amor real
E que seja em paz

Não fecha a conta
A cota é pouca
E o corte é fundo
E quem estanca
A chaga o choque
Do terceiro mundo?

De vez em quando
Um abre a boca
Sem ser oriundo
Para tomar pra si
O estandarte
Da beleza, a luta e o dom
Com um papo
Tão infundo

Por que tu me chama
Se não me conhece?

Sempre que algum contexto de racismo ou machismo me enfraquece, olho para dentro e vejo que tem algo muito mais brilhante e especial dentro de mim. Sou uma mulher com potência energética e acho que devo isso à minha ancestralidade, que é uma história de luta, mas nobre.

Muitas marcas ainda pensam que o corpo negro não vende ou que dinheiro não combina com a cor.

O som atravessa imensidões cósmicas. A voz é uma força da natureza.

Não dá para falar em consciência humana enquanto pessoas negras não tiverem direitos iguais e sequer forem tratadas como humanas.

Aqui no Brasil, como se criou esse mito da "democracia racial", de que todo mundo se ama e todo mundo é legal, muitas vezes o próprio sujeito negro tem dificuldade para entender que nossa sociedade é racista.

Os padrões de beleza são totalmente nocivos para a construção da autoestima da criança negra e por isso é importante outros referenciais, entender que pessoas negras também pensam o mundo e que fazem parte da construção da sociedade.

Precisamos ter consciência de que muitas mulheres morreram para que pudéssemos ficar vivas, termos liberdade de escolher e fazer o que quisermos.

Sou eu quem carrega essa bandeira há anos no Brasil, durante toda a minha trajetória. Não tem ninguém mais que fale de mulher, de negritude. E não falam porque é uma doença, uma doença chamada “medo”.

A gente é criada para ser assim, mas temos que mudar. Precisamos ser criadas para a liberdade. O mundo é grande demais para não sermos quem a gente é.

Você não pode ser meiga, porque está dando entrada. Não pode falar baixo, porque você é fraquinha. E assim vai. Se você se arruma é porque tá querendo, se se pinta tá indo pra guerra. A gente tem que lutar contra nossa própria essência feminina para poder ser respeitada. Isso é uma tortura.

A mulher negra da periferia sempre foi feminista. Por que? Porque a gente faz tudo, mas só não temos consciência disso. Minha mãe criou quatro filhos, de quatro homens diferentes. Ela sempre foi independente, sempre fez as coisas dela. Ela nunca se submeteu a nada, ela nunca ficou, nas palavras dela, sob o pé de ninguém. Ela criou três filhas dessa forma. Somos três mulheres e um homem. Às vezes lutamos de uma forma mais silenciosa, outras vezes a gente vai pra cima, mas a gente luta.

A gente tem que ter coragem de dizer "eu quero!".

O racismo é um sistema de dominação, exploração e exclusão que exige a resistência sistemática dos grupos por ele oprimidos, e a organização política é essencial para esse enfrentamento.

Ser mulher negra é experimentar essa condição de asfixia social.

O pessoal da orientação sexual não vai retroceder em suas lutas, as mulheres não vão recuar nas suas agendas; nós não vamos voltar para a senzala. E isso está colocado. Vai ter luta!

Nós, mulheres negras, somos a vanguarda do movimento feminista nesse país; nós, povo negro, somos a vanguarda das lutas sociais deste país porque somos os que sempre ficaram para trás, aquelas e aqueles para os quais nunca houve um projeto real e efetivo de integração social.

Somos seres humanos como os demais, com diversas visões políticas e ideológicas. Eu, por exemplo, entre esquerda e direita, continuo sendo preta.

Resistir é visibilizar o que a gente vem fazendo.