Coleção pessoal de pensador
Não escutarmos um ao outro diminui o que podemos alcançar e, dessa forma, também pode ser visto como uma falha moral. Nós não estamos apenas falhando um com o outro como indivíduos, mas também não prosperamos como sociedade.
A lição mais valiosa que aprendi como jornalista é que todo mundo é interessante se você fizer as perguntas certas.
A verdade é que só nos tornamos seguros em nossas convicções ao permitir que elas sejam desafiadas. Pessoas confiantes não se irritam com opiniões diferentes das suas...
No quinto dia, domingo, choveu muito. Eu gosto quando chove forte. Parece que há um ruído branco em todo lugar, que é como silêncio, mas não é vazio.
Acho que as pessoas acreditam no céu porque não gostam da idéia de morrer, porque querem continuar vivendo e não gostam da ideia de que outras pessoas vão se mudar para a casa delas e colocar suas coisas no lixo.
fosse as contas, contratos, horários
fosse o abuso, a flacidez, as jornadas
contra a menina na janela
que conta os carros do pátio
tenta adivinhar seus donos, marcas, destinos
ela respira o nublado do apartamento no primeiro andar
seu pulmão neblina
ela sabe que o tempo
condensa trajetos
precipita
e por nunca acertar o ponto de corte do abacate.
é sempre um madurou, não madurou, madurou, não madurou, o caroço ainda não balança, vai ficando meio mole, bate um medo de estragar
e fica um gosto de cica na boca.
tem uns poetas que são grandes
grandes poetas
enormes
enormíssimos, li outro dia
eu quero ser pequena
minúscula
nanopoeta
penso que não precisamos dar nome
ao que sentimos
ao que não sabemos
você olha pra mim e pensa
em girassois e em amarelo
você pensa em pescoço
você pensa em fogo
você pensa em palavra
e eu fecho os olhos pra você
e eu fecho os olhos pra dançar com você
e eu fecho os olhos pra dançar com você e já esqueço
qual o meu cangote qual o teu cangote
qual a música qual o dia da semana
que a vida continua que o brasil sangra
que talvez seja possível respirar após a morte
o prefeito de gravata borboleta
rapidamente desviou o olhar
do próprio umbigo
a fauna e a flora
gritaram
enquanto os jovens caçavam pokemon
na 2ª maior reserva de mata atlântica do estado
acabaram os pedacinhos do céu
no carrinho do picolé de caicó
e uma família de flamingos
dançou sapateado na BR 101
até ficar com calos
Um dia estive na estrada esperando o futuro
E descobri que o amor se acaba aos poucos
como o derradeiro farelo da Terra na boca de um jacaré
E isso dói como dói uma cascata
direto nas costas castigadas de um povo
Mas é assim que caminha o mundo: numa corrida
Em uma hora alguém chega e há uma reviravolta de 360 graus
e sua pele 40, 50, mais que o Rio de Janeiro
E nunca se sabe de onde vem aquela pessoa com quem nunca você sonhou
mas estará ao seu lado daqui a 5, 10
ou mil anos num túmulo de pedra
Também não se sabe a porcentagem de tempo
em que caminharão juntos
Nem se você estará ao lado de um assassino, poeta ou vendedor de salgado
desses que ficam horas na cozinha e quando se deitam na rede
têm cheiro de empada de camarão e você cheira e que delícia
Mas o amor se acaba aos poucos
E é preciso sempre esquecer isso
para que haja amor,
para que haja começo
mais uma vez
acordo e ouço alguém no escuro
respirando, uma mulher
viva
é uma luta mas descubro
sou eu
Penso no primeiro dia em que entrei em casa e senti o perfume dela — flores e especiarias — e como foi estranho ter a fragrância de alguém no apartamento. Agora nunca é estranho. Seria estranho voltar para casa e não sentir nada.
