Coleção pessoal de pensador

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⁠– Por que fica do meu lado?
– Porque você é um sonhador. Meu sonhador. Quando tenho vontade de desistir, você me dá esperança.

⁠Eu diria que esta cidade está morrendo, e que minha entrada no festival é a última chance de sobrevivermos como cidade.

⁠Quando tento mostrar o que é música, eles riem de mim.

⁠Está na hora de viver sua vida. De superar seus sonhos infantis.

⁠Você é uma artista de verdade, mas a arte não vem daqui de cima. Ela vem daqui de dentro.

⁠Um dia, vencerei o Festival Eurovision da Canção. Aí, nenhum de vocês rirá de mim.

⁠Aqueles que queimam livros, que banem e matam poetas, sabem exatamente o que fazem. Seu poder é incalculável. Precisamente porque o mesmo livro e a mesma página podem ter efeitos totalmente díspares sobre diferentes leitores. Podem exaltar ou aviltar; seduzir ou enojar; estimular a virtude ou a barbárie, acentuar a sensibilidade ou banalizá-la.

⁠a mulher do homem mais triste do mundo
para valter hugo mãe

era a mulher mais triste do mundo
ela quebrava pratos
e engolia os cacos
na tentativa que seu coração
se refizesse num mosaico.

⁠quando eu falo das tuas pintas em voz alta
é para me lembrar o quanto amo tuas pintas
e os caminhos que elas percorrem pelo teu corpo
por falar nisso
tu consegue saber até onde tuas pintas habitam teu corpo?
eu poderia te propor um jogo mas
me obrigaria a ter a mínima noção de geografia
me obrigaria a ter a mínima noção de como manusear compassos
e réguas
e fitas métricas
e pinceis de tinta que saem com água corrente
me obrigaria a ter a mínima noção de descobrir teu corpo de forma imediata
eu não tenho pressa
tu me fez passar a não ter pressa
então, toda semana quando descubro uma pinta nova vasculhando tua pele
anoto em um post-it
a data o mês a cor da tua blusa e
a quantos graus estava a pinta e a quantos com meus olhos estavam dela
claro que faço isso de forma aproximada
a única coisa exata disso tudo seria eu descrever tua cara quando eu falo delas
“tuas pintas são as coisas que eu mais gosto em tu”
eu poderia casar esse poema com o poema que fiz sobre as minhas marcas
desculpa eu não tenho tantas pintas
mas o caso é que eu sonhei esses dias com o jogo que não propus
nem vou te propor
traçar tuas pintinhas de modo que me ajude a seguir de forma linear
sem me atrasar na chegada
traçar tuas pintinhas de modo que eu me acomode com um único trajeto pelo teu corpo
isso não se faz
eu tenho poucos planetas em terra você sabe
mas ao mesmo tempo penso que se eu traçasse não uma
mas tantas rotas para chegar em algum ponto
que eu descobrisse também como preferido pelo teu corpo
me levariam talvez a partes ainda não exploradas pela minha pele

⁠saudade
a saudade
é o móvel da sala
range de dor
me assusta no escuro
e mansinho se cala.

⁠exame
bateu de consultório em consultório,
pensou ser sopro no coração,
arritmia,
mas chegou ao ambulatório
à procura da denominação
descobriu!
sofria de sentimento nômade.

⁠bula

todo dia
sempre que puder
de doze em doze horas
o médico recomendou caminhar
de oito em oito horas
tá doze por oito eu acho
de seis em seis horas
a rezadeira disse que era olhado
de homem e de mulher
de três em três anos
colocar dois dedos no pulso
para lembrar que ainda se está vivo.

⁠A tragédia não fala de dilemas seculares que podem ser resolvidos pela inovação racional, mas do viés inalterável em direção à desumanidade e à destruição na deriva do mundo.

⁠Livros: o melhor antídoto contra o gás metano do tédio e do vazio.

⁠A história, no sentido humano, é uma rede de linguagem arremessada para trás.

⁠Quando uma língua morre, uma maneira de entender o mundo morre com ela, uma maneira de olhar para o mundo.

⁠A dignidade do homo sapiens é precisamente essa: a percepção da sabedoria, a demanda do conhecimento desinteressado, a criação de beleza. Fazer dinheiro e inundar as nossas vidas de bens materiais cada vez mais trivializados é uma paixão profundamente vulgar e inane.

⁠Eu percebi o que é a pureza: significa sentir alguma coisa, com todo o coração, que encobre todas as dúvidas, toda covardia e todas as considerações.

⁠Morrer é tornar-se criança, enfim, nada se sabe, nada da morte e nada da vida, apenas que todas as distâncias são igualmente longas e que todas as palavras são ininteligíveis, mas bonitas.

⁠Admito isto, estou pronto a reconhecer que há muitas espécies diferentes de culpa: uma culpa mais inocente do que a da maioria, e uma mais carregada, uma que transborda do sentimento da falta e outra que corre apenas gota a gota.