Coleção pessoal de pensador
Podemos nos sentir nostálgicos por algo que aconteceu há dois anos, porque o mundo inteiro mudou nesse período.
Quando me sinto confuso com alguma coisa, escrevo sobre ela até me tornar a pessoa que aparece no papel: uma pessoa que é confiável, intuitiva e clara.
A noção de “Isso é o que eu penso e não posso pensar de forma diferente” é a receita para a morte intelectual e social. Se temos fortes convicções, a questão é como as relacionaremos com pessoas que possuem convicções tão fortes quanto as nossas.
Na essência, um ambiente de trabalho deveria ser um lugar onde as pessoas aos poucos desenvolvem habilidades específicas e se tornam mais competentes. Mas isso exige um tipo de ambiente de trabalho que está desaparecendo. Hoje, as organizações já não empregam trabalhadores, elas compram trabalho.
O pensamento “nós-contra-eles” sempre existiu, mas o que há de novo é uma espécie de indiferença pelo que é diferente. Não há mais o medo de violência entre "tribos", o que acontece é mais sutil, é um recuo em relação ao outro, como se o outro simplesmente não existisse.
A ideia da experiência como ofício contesta o tipo de subjetividade que prospera no puro e simples processo de sentir.
Fazendo alguma coisa acontecer mais de uma vez, temos um objeto de reflexão; as variações nesse ato propiciador permitem explorar a uniformidade e a diferença; a prática deixa de ser mera repetição digital para se transformar numa narrativa; movimentos adquiridos com dificuldade ficam cada vez mais impregnados no corpo; o instrumentista avança em direção a maior habilidade.
Debaixo desse verniz de uma consciência moral conservadora há um claro sentido de superioridade medrosa.
O mundo está cheio de novos desenvolvimentos e o amor também deve ser algo que se inova. O risco e a aventura devem ser reinventados contra a segurança e o conforto.
O amor só pode consistir em fracasso... na suposição falaciosa de que é um relacionamento. Mas não é. É uma produção da verdade.
O escritor da aventura não teme a aprovação ou a renovação dos leitores. É-lhe indiferente que haja ou não, da parte dos críticos, uma compreensão suficiente. O que lhe importa é abrir novos caminhos à arte, é enriquecer a literatura com germens que venham a fecundar a literatura dos próximos cem anos.
