Coleção pessoal de NyxLumenAstrae
Primeiro Sopro
Cega para a alma
que suspira
sem tentar ver,
vive de olhos abertos
mas sentidos fechados,
confunde presença com pressa,
abraço com distração.
Há uma alma ali,
soprando em entrelinhas,
dançando no canto do olho,
esperando
ser
sentida.
Carta ao Leitor (e ao Mundo Invisível)
Se você chegou até aqui, talvez também sinta que há lugares dentro de si onde nunca esteve —
mas que, de alguma forma, sempre lhe pertenceram.
Lugares que sussurram com a voz do vento,
que sonham em línguas que você não aprendeu,
mas que o seu coração reconhece como lar.
Talvez você também tenha olhado para o céu
e sentido que era um espelho de dentro.
Que não somos apenas corpo, nome ou tempo —
mas fragmentos do Todo, carregando memórias que não lembramos,
e futuros que já nos habitam em silêncio.
Eu não pretendendo te guiar.
Eu apenas seguro tua mão por um instante no escuro,
Apenas digo: "Você não está só. Nem perdido."
Porque mesmo se o espelho que nos reflete cair,
ele não se quebrará em dor —
ele se multiplicará.
Seremos milhares de espelhos menores,
cada um revelando uma parte do que fomos, do que seremos,
do que ainda arde, e do que já floresce.
Pois somos um só ser em muitos —
e muitos sendo um só suspiro no universo.
Antes de ir, te deixo perguntas
não para serem respondidas,
mas para ecoarem em ti como constelações antigas:
Quantas vidas moram em você que ainda não despertaram?
Se você se permitisse lembrar… de onde você realmente veio?
E se quebrar não for o fim, mas o começo de se ver inteiro, em todas as direções?
Vá.
Mas leve o espelho.
Mesmo em cacos, ele ainda é sagrado.
Com luz e sombra,
Dominique, uma Existência de Caos
Consequências
Gritarei.
Gritarei porque o silêncio pesa
mais do que a dor.
Porque há coisas que não deveriam
ser vistas em silêncio,
nem esquecidas com o passar dos dias.
Carrego a raiva dos rios envenenados,
a dor das espécies que desaparecem em silêncio,
a vergonha de uma humanidade
que se esqueceu de ser parte
e escolheu ser dona.
Sou consequência do descaso,
da destruição disfarçada de progresso,
do concreto engolindo o verde
enquanto a humanidade se acredita divina.
Minha existência é dor.
Dor que aprendi a silenciar
até agora.
Cansei de andar leve
para não incomodar.
De apagar minha luz
para não ferir os olhos dos conformados.
Eu sou a sombra dos animais
mortos sem motivo.
Sou o grito das árvores caídas.
Sou o sopro da Terra
sufocada sob a ganância.
E mesmo assim...
Eu respiro.
Eu resisto.
E essa resistência
já é revolução.
Porque minha dor não será mais invisível.
Minha raiva não será calada.
Já tentei enterrar aquilo que sinto,
mas algumas coisas criam raízes
mesmo no escuro.
Então deixo sangrar.
Que minha dor seja ponte.
Que minha raiva seja raiz.
Não posso devolver aos rios
o que lhes foi roubado.
Não posso devolver aos animais
a vida que lhes arrancaram.
Não posso apagar o fogo
depois que ele consome tudo.
Mas posso me recusar
a fingir que não vi.
Posso transformar o silêncio
em palavra.
A palavra em grito.
E o grito em memória.
Talvez eu seja pequena.
Talvez seja passageira.
Talvez um dia ninguém se lembre
do meu nome.
Mas eu estive aqui.
Eu vi.
Eu senti.
Eu não permaneci em silêncio.
Minha existência pode ser breve,
mas não precisa ser vazia.
Porque toda escolha deixa marcas.
Toda presença altera alguma coisa.
Toda vida, por menor que seja,
toca o mundo antes de partir.
E se não posso mudar
tudo aquilo que já aconteceu,
não farei nada
para deixar que aconteça em silêncio.
Gritarei.
Não porque acredito
que minha voz possa salvar o mundo.
Mas porque me recuso
a ser mais uma testemunha
que viu a destruição
e escolheu calar.
Minha raiva não será minha prisão.
Será minha voz.
E aquilo que fizer com ela
será a minha consequência.
Raízes e Sussurros
Gritarei para o mundo,
não com fúria, mas com fogo.
Porque existir, em mim, não é acaso.
É eco.
É raiz que pulsa sob a terra,
folha que se recusa a cair calada.
Carrego em mim
a dor dos que não falam,
a esperança das sementes,
o sussurro dos bichos
que a humanidade esqueceu.
E mesmo quando duvidei de mim,
a natureza ainda acreditava.
O sol nascia.
Os rios corriam.
As folhas insistiam em nascer,
como se dissessem:
“Você também é parte disso tudo.”
Sou consequência das estrelas,
mas também das lágrimas.
Sou luz,
sim,
mas uma luz que conhece a escuridão.
Há raízes em mim
que não sei nomear.
Há vozes que não são minhas
e ainda assim vivem no meu peito.
O rio que corre
carrega histórias que não ouvi.
A árvore que permanece
guarda silêncios mais antigos que os meus.
E os animais,
com seus olhos silenciosos,
parecem perguntar
por que esquecemos
que também somos parte da vida.
Talvez eu seja pequena
diante de uma árvore antiga,
breve diante de um oceano,
impermanente diante da Terra.
Elas estavam aqui antes de mim.
Talvez permaneçam depois.
Sou apenas um sopro,
uma faísca breve
num planeta em combustão.
Mas essa faísca sente.
Essa faísca escuta.
E enquanto houver vida
correndo sob a terra,
enquanto houver sementes
rompendo o concreto,
enquanto houver um animal
procurando abrigo,
eu também estarei aqui.
Não como dona.
Como parte.
Porque talvez existir
seja justamente isso:
deixar de olhar o mundo
como algo que nos pertence
e finalmente perceber
que pertencemos a ele.
E há coisas que o mundo sussurra
antes que aprendamos a ouvir.
Eu ouvi.
E agora carrego suas raízes
dentro de mim.
Dragão de Khaos
Submersa em minha existência,
como fogo que queima o gelo
gelo que jura não existir,
mas treme ao toque da minha dúvida.
Montada num dragão de Khaos,
me lanço entre sopros de medo místico,
crente e descrente na mesma respiração.
Sou cavaleira do impossível,
criança do delírio,
mulher do desejo que deseja duvidar.
Não sei se existo,
ou se sou o eco do que espero ver.
Mas ardo.
Ardo como quem ama o que teme
e teme o que ama existir
Deixe-me
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me...
Viver
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me...
Morrer
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me ser...
Livre
Deixe-me
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me em...
Paz
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me com...
Orgulho
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me por...
Medo
Deixe-me
Deixe-me...
Deixe-me...
Deixe-me ter...
Coragem.
Coragem?
Continuar a viver por pessoas que podem sofrer
Por quê?
Minha mente está sobrecarregada, destruída e abalada.
Sou a única a decidir essa vida.
"Vida" não é a palavra adequada,
Mas talvez existir.
É com certeza "EU" existo.
Eu sei que é minha escolha como existir.
Então porque sinto que preciso de permissão?
Permissão para o quê?
Sair da escuridão que existe em mim?
Não quero atuar, não quero fingir.
Desejo?!
Deixar dores e feridas se curar.
Não me quebrar, ou ser quebrada.
Por escolhas feitas sobre permissões.
Não me machucar, ou me machucar por me deixar levar por razões que desconheço.
Simples assim
Em mim existem
Estantes com memórias
Algumas fixas em prateleiras
Tão esquecidas e com poeira.
Outras com uso repetido,
Decorativas e bonitas, amargas e destrutivas.
Tem sonhos
Distantes e em cofres trancados.
Pode não parecer,
Mas mesmo sem muros é uma prisão
A minha prisão, simples assim.
Brisa
A brisa leve as árvores balançava,
algumas folhas o vento lançava
e outras simplesmente derrubava.
Sentada, o tempo observava
Aquele frio avisava,
O Inverno e sua próxima chegada.
Meu Medo
Estou preste a explodir,
Em meio ao desespero vou rir.
Não tem graça e muito diversão,
Ter medo de desistir
A fobia é abandonar
Meus sonhos, perder a esperança, desistir da vida;
Tenho medo
De não me encontrar
Desistir de tentar continuar,
Meu medo é me abandonar
Meu medo sou eu
Do que posso me tornar.
Ódio
Eu aceito estar sozinha na multidão. A hipocrisia que me repugna, da sociedade individual que prefere destruir em vez de ajudar ... O desapontamento é pouco para tudo isso, parece-me um erro dizer com delírio o ódio que sinto.
