Carta ao Leitor (e ao Mundo Invisível)... Dominique Dias Santos
Carta ao Leitor (e ao Mundo Invisível)
Se você chegou até aqui, talvez também sinta que há lugares dentro de si onde nunca esteve —
mas que, de alguma forma, sempre lhe pertenceram.
Lugares que sussurram com a voz do vento,
que sonham em línguas que você não aprendeu,
mas que o seu coração reconhece como lar.
Talvez você também tenha olhado para o céu
e sentido que era um espelho de dentro.
Que não somos apenas corpo, nome ou tempo —
mas fragmentos do Todo, carregando memórias que não lembramos,
e futuros que já nos habitam em silêncio.
Eu não pretendendo te guiar.
Eu apenas seguro tua mão por um instante no escuro,
Apenas digo: "Você não está só. Nem perdido."
Porque mesmo se o espelho que nos reflete cair,
ele não se quebrará em dor —
ele se multiplicará.
Seremos milhares de espelhos menores,
cada um revelando uma parte do que fomos, do que seremos,
do que ainda arde, e do que já floresce.
Pois somos um só ser em muitos —
e muitos sendo um só suspiro no universo.
Antes de ir, te deixo perguntas
não para serem respondidas,
mas para ecoarem em ti como constelações antigas:
Quantas vidas moram em você que ainda não despertaram?
Se você se permitisse lembrar… de onde você realmente veio?
E se quebrar não for o fim, mas o começo de se ver inteiro, em todas as direções?
Vá.
Mas leve o espelho.
Mesmo em cacos, ele ainda é sagrado.
Com luz e sombra,
Dominique, uma Existência de Caos
