Coleção pessoal de marinhoguzman
Não importa quanto seu passado tenha sido glorioso, nem o que te espera no futuro se o presente não der alegria de viver.
Os que vão e os que ficam.
Ninguém fica velho antes do tempo e ninguém deveria morrer antes dessa hora.
Ficar velho é algo que não se ensina porque não dá para aprender.
E nesse caso, os conselhos valem pouco, porque de verdade, para pouco servem.
Quem faz como os outros dizem, faz o dos outros, não o seu próprio.
É nessa caminhada sem volta, onde é possível olhar para trás mas impossível refazer qualquer coisa, ou fazer o que deixou de ser feito que mora o arrependimento.
Alguns se arrependem muito, uns poucos não se arrependem de nada e a maioria vive demais os últimos anos com essas lembranças imutáveis.
Quem parte leva tudo dele consigo, deixa um pouco de lembrança, e aquilo que um dia possa ter sido seu tesouro de nada valerá porque só há uma certeza, do pó viemos e ao pó retornaremos.
Férias de mim
Não sei como, mas sei bem porquê, estou precisando claramente tirar férias de mim.
É… uns dias longe… fora da rotina diária… se possível sem falar ou pensar nas coisas que vivo todos os dias ininterruptamente há tantos anos, tão iguais ou parecidas a cada dia, nessas últimas 3.500 semanas.
Não pense que eu estou ficando louco, pois já estou faz tempo.
A vida é assim, depois de umas horas a gente deita, dorme e descansa, depois de uns dias de trabalho a gente tem um fim de semana, de vez em quando a gente até tira férias, sai de parte da rotina, viaja, vê e conhece gente, coisas e lugares novos, mas estamos atrelados a pensamentos que teimam em ir e vir conosco, dia e noite a todos os lugares.
Se a gente pudesse tirar férias da gente por algum tempo, viveríamos uns dias sendo outra pessoa e ainda que não se pudesse escolher quem, esses dias serviriam para que a gente visse como somos felizes nas nossas vidas, em sermos quem nós somos, ou quão miserável é a existência para quem não é dono do próprio destino.
Estou precisando de férias… férias de mim.
Você muda, mas a tatuagem não.
Muitas garotas estão aderindo à moda da tatuagem.
Acho legal, esteticamente a maioria agrada e a qualidade dos profissionais tem melhorado consideravelmente.
Quem é ruim não consegue clientela boa, apesar de estragar umas peles e deixar amargas recordações nas incautas.
Tirando umas imagens de péssimo gosto, a última moda é gravar frases. É aí que reside o perigo! De erros de grafia e concordância, a um gosto literário duvidoso, certas mensagens ocupam um espaço que poderia ser bem melhor aproveitado se não tivessem nada.
No passado marinheiros usavam muito a frase “Amor só de mãe” e
as prostitutas voluntariamente ou não estampavam o nome dos seus cafetões.
Você muda, mas a tatuagem não.
Estou perdendo a faculdade de indignar-me.
O som alto num quiosque da Enseada às sete horas da manhã dá para ser ouvido no meu apartamento na Praia de Pitangueiras.
Uns jovens e outros nem tanto, balançam visivelmente embriagados os corpos, as latas de cerveja e copos de bebida mais forte ao som estridente e de má qualidade que profere frases de apologia às drogas e ao crime.
Antigamente eu me indignava pela cidade, pela degradação que apresentávamos aos cidadãos e visitantes, pela falta de educação do povo.
Hoje não mais.
Incomodado busco meu quarto, protegido por janelas à prova de ruídos, ligo a televisão e em poucos minutos estou novamente dormindo, imune à agressão ao meu direito e à minha cidadania, deixando para quem ainda não esteja empedernido, a árdua tarefa da qual não sou mais capaz.
Exercitar a indignação.
A hora certa e o lugar errado...
Às vezes a gente é pego, quase sempre de surpresa, no lugar errado e na hora errada, mas é certo, já estivemos todos no lugar certo, na hora certa.
E já que é brutal a diferença nas consequências, costumo me perguntar várias vezes, se estou no lugar certo, já que a hora é agora e não dá para mudar e cheguei à conclusão, que está muito difícil mudar de lugar a qualquer hora e que a variável possível, quase sempre, é estar com as pessoas certas, todas as horas, em qualquer lugar.
Inspiração também tem crise.
Trafego numa maré de falta total de inspiração.
Antes a leitura do jornal ou da falecida VEJA, de um comercial qualquer de TV, ou uma simples frase afloravam a inspiração em ligação direta com meus comunicativos dedos.
Hoje nada!
As notícias políticas mudaram para as páginas policiais e têm mais comentaristas do que “comadres em salão de beleza da periferia”. As notícias do futebol pouco me interessam, uma vez que o meu São Paulo Futebol Clube perde mais do que ganha
O espaço restante é tomado pelos chamados crimes hediondos, já que na impossibilidade de conter a criminalidade,”inspirados” aumentaram as penas proporcionalmente à diminuição das vagas nas cadeias.
É tempo das tornozeleiras eletrônicas, já em falta, uma vez que são importadas, e há temor que as nacionais já venham com a senha para o bandido torná-la inoperante.
E assim caminha o domingo, eu sem inspiração e a televisão cheia de idiotas “inspirados”.
A vida é um grande aprendizado.
Nos primeiros anos tudo é novo e não é muito fácil aceitar princípios concebidos por gente mais velha como os pais, e até de gente que nunca se ouviu falar.
Não há prioridades, há imediatidades, que pouco levam em conta as consequências.
O mais importante é viver intensamente o tempo que passa lerdo na época das aulas e voa nos fins de semana, férias e feriados.
Para os jovens a noite nunca é escura, no máximo tem sombras e elas dão realce, mais cor e mais temperatura a certos mistérios que parecem encantados.
Pouco importa o que possa esconder alguns perigos, o que importa é viver a aventura da vez.
Mais velhos, a gente começa a perceber que as responsabilidades ocupam mais e mais o nosso tempo.
Trabalho, casamento, filhos, algumas doenças, os pais que envelhecem.
É a gente aprendendo que a vida pode ser doce, mas também tem o seu lado amargo.
A gente envelhece mais e aprende mais, percebe que aprendeu por todo o tempo mas ainda é surpreendido por descobertas incríveis, como sorrir e sofrer pelos filhos e pelos filhos dos filhos, sentir pelos amigos que nos deixam, pelo companheiro ou companheira que parte.
Nessa hora a gente ainda aprende que a vida termina sempre desastrosamente com a morte.
Mas a jornada segue para quem fica, aprendemos a controlar a saudade para seguir em frente, aprendendo com os outros que passaram pelo que passamos e deixaram escrito, que dessa partiremos para uma melhor.
Deixa rolar.
As águas vão rolar.
Para falar a verdade, a maior parte já rolou.
Como numa cascata os anos se jogaram frenética, desordenadamente independentes, rebeldes e indomados, desobedecendo a minha vontade, sem que eu pudesse de fato organizar a maior parte desse aguaceiro.
Assim é, água morro abaixo e fogo morro acima, ninguém segura.
Deixa rolar.
Quando você não tem uma boa explicação para gostar ou desgostar de alguém, é hora de procurar conhecer melhor você mesmo.
A insônia como inspiração.
Para muitos a insônia pode parecer uma coisa ruim, que aparece sem que a gente procure. Para mim é tudo de bom como se diz modernamente.
Acordo, tomo um gole d´água, olho para o relógio e sempre é cedo para quem foi dormir tarde e sempre tarde para quem como eu dorme cedo.
O que importa de verdade é que as três, quatro ou cinco horas da madrugada não há absolutamente nada para fazer, restando a providencial oportunidade de ler e escrever, coisa que tem gente que já esqueceu quanto é bom, se é que um dia soube.
O computador sempre ligado, basta um toque e a tela acende, mostrando o mundo todo bem na frente do nosso nariz.
Antigamente para saber o que é uma coisa a gente tinha que ter uma enciclopédia atualizada com trocentos volumes. Nos dias de hoje ela estaria sempre desatualizada, porque a informação que sempre foi dinâmica hoje em dia tem velocidade astronômica.
Na internet a gente escolhe o assunto, compara as opiniões, manifesta a própria, esteja ela certa ou errada, ouve a opinião dos outros tenha ou não pedido, corrige, completa e deleta com alguns toques que parecem mágicas.
Não é preciso ser escritor para escrever de madrugada, nem é preciso ser acadêmico para contar para os outros o que se pensa.
Depois de algum tempo, o tempo certo, o texto aparece, o sono vem, a gente deseja boa noite a todos e nem desliga o computador, fica torcendo para dormir logo, acordar de novo e poder escrever alguma coisa que vai chegar aos outros, se perpetuando na internet ainda que a gente durma para sempre.
Salve insônia! Viva o Google! Fora Jorge!
Boa noite!
Prefiro ser um pessimista que às vezes errando sai no lucro, do que um otimista que vive levando ferro.
Ler livro de autoajuda é como ler um monte de bulas de remédios ao mesmo tempo.
Você vai saber mais dos problemas dos outros do que do seu, vai saber o que os outros fizeram, o que você deveria ter feito e o que você vai tentar mas nem sempre vai conseguir fazer.
Pirâmides, correntes e outras bobagens.
Você que como eu já chutou macumba, quebrou correntes e participou de, pelo menos, uma pirâmide está convidado(a) a provar que lê as bobagens que eu escrevo colocando qualquer palavra nos comentários.
Se você não fizer isso, pode ter dor de barriga, perder a chave do carro ou da sua casa, ou ter que assistir pelo menos quinze minutos de um programa do Datena.
Poste aqui um comentário, vou saber que você leu mais esse texto e vou ter ânimo para escrever qualquer coisa que preste um dia desses.
Seu amigo Marinho
Tanto faz, de tanto que a gente já fez.
Antigamente eu andava com papel e caneta e corria escrever possíveis ideias boas.
Hoje acho que na hora de escrever, se a ideia era boa, estará mais na ponta dos dedos que no papelucho quase sempre perdido.
Parece que eu já vi tanto e já fiz tanto que será difícil vivenciar novidades, melhor mesmo é trazer da memória, do passado, umas ideias e adaptá-las ao presente, que daqui a pouco já será futuro.
Estava pensando na situação em que está Dilma Roussef, em quem foi Eike Batista e o que o destino reservou para Schumacher, sete vezes campeão mundial de Fórmula um, ele único, de uma lista que tem menos de cem pessoas vivas e nem o dobro disso em todos os tempos.
Graça e desgraça andam juntas e o sobe e desce faz parte da vida de todo mundo, com umas quedas vertiginosas e sem volta para muitos.
Ter feito muito só é vantagem para quem fez e não adianta exibir as próprias conquistas porque, para quem fez pouco ou nada, tanto faz.
A Democracia é uma forma de governo onde poucos escolhidos pela maioria ignara administram, a maioria deles rouba todo mundo, e a chefe da quadrilha se arvora no direito de considerar golpe, a legítima tentativa de uma minoria consciente em fazer valer a lei.
