Coleção pessoal de Lulena
PENSAMENTO RETRÓGADO...
Acordei com saudade de um tempo que ficou pra trás, saudade do que não fiz por medo de errar… Saudade de achar que podia ter feito e não ter acertado… Saudade de ter feito achando ter acertado e no fim ver que deu tudo errado… saudade do tudo e do nada…saudade de gritar e ao mesmo tempo ficar calada… Saudade da pureza da infância e também da menina que agora dentro de mim dança e sorri… Saudade de tudo que ganhei…
Mas também de tudo que perdi. Saudade dessa ausência de mim… saudade até do que deixei, do que vivi. Saudade de ti em tudo que escrevi…
PENSAMENTO ALADO...
O meu pensamento é livre quando cria asas e vai de encontro ao teu.
E ele encontra?
Fugiu agora e em ti se perdeu!
VISÃO DE UM ANJO...
Ali estava fulgente e ele a contemplar
no clarão violáceo, fada? Querubim?
Dentro do seu mundo um altar esboroado
de brilhos opalinos crivados em mim.
Cores em arco íris em luz se formavam
nessa redoma de vidro entre arvores
viajores do tempo vindos de uma região
etérea. E num flash seus olhos vêem
almas errantes que vagueiam na Terra
procurando-se mutuamente sob templos
petrificados e sustenidos…
Que foi registrado através do olhar inglório
de um anjo sorrindo!
E TUDO JÁ ESTAVA ESCRITO...
Quando nascemos trouxemos junto um bloquinho de notas, lápis e uma borracha.
E vamos anotando nossa história, algumas vezes corrigimos, outras vezes apagamos e muitas vezes arrancamos uma folhinha e refazemos novamente e assim o bloquinho vai terminando. Então, decidimos comprar um caderno bonito e bem encadernado e com bastante folhas para passar tudo a limpo, mas aí a gente se dá conta que o lápis já está sem ponta e gasto (de tanto usar e apontar) e a borracha já nem existe mais…
Por que?
- Tudo já estava escrito!
Se uma pessoa é capaz de enxergar através do teu olhar e captar o silêncio e os ruídos conflitantes que gritam em tua alma, pode ter certeza que ela te ama!
AUSÊNCIA
Hoje acordei ausente e sentindo um vazio sem fim…
Como assim?
- Meu corpo dormiu e minha alma teima em voltar pra mim…
FENDA DO TEMPO
Fui parar num porão empoeirado de emoções e sentimentos lacrados em baús pesados… onde vejo um redemoinho de pássaros rompendo os grilhões em busca da liberdade…
no meu pensamento que foge por entre a fenda do tempo e do espaço compactado…
sobrevoando um coração que bate condescendente, cansado, mas com saudade…
cheirando mofo e decompondo-se em lembranças mortas sepultadas na vida que ri e chora da minha sina ególatra que serve de farol numa luz que ofusca meu olhar nublado…
ALMA QUE FALA
Vi o holocausto e a natureza morta entre pedregulhos
nasceram erva daninhas e me alimentei do ar, da água, da terra…
Sombras do tempo envoltas num mistério obscuro, sem presente, passado ou futuro
Fui rastejando nesse filete de luz letal que vai delineando os córregos como lanterna que clareia a minha escuridão… Mergulhei em lágrimas e naufraguei no fundo do estuário e nesse cenário inglório onde me sinto fraca e fugidia, pálida e sem vida ouço anjos tocando harpa num inferno sem calvário, completamente atordoada, louca e sem noção, vejo minha alma levitando no espaço e meu corpo decompondo-se no chão nessa caótica alucinação… Me liberto e falo com você então!
INSANIDADE
Meu coração mandou e através dele estou direcionando o leme do meu barco que estava à deriva em alto mar e como açoite raios, trovões e tempestades intrépidas me tirando a força para que meu corpo fosse sugado pela fúria avassaladora dos ventos e naufragasse minha alma no fundo do mar. Viajores e seres disformes do tempo e fantasiados de anjos incólumes com asas quebradas e coladas pela sombra da escuridão, onde estão vocês? Pois eu estou aqui!
-Estou pronta para sepultar os demônios e fantasmas que me impediam nessa insanidade de prosseguir. Me liberto agora da camisa de forças que prendiam meus braços e sufocavam meu grito me impedindo de gritar. Pois eu grito pro mundo inteiro ouvir:
- Ninguém vai mais me deter. Estou livre e liberta de ti!
SOLIDÃO INTERNA
É quando a gente imergi dentro de si mesmo
e enxerga um corredor longilíneo e afunilado
Nas paredes rebocadas de cal esmaecido…
Sonhos crivados em retratos amarelados
em nossa memória em forma de mosaico.
Em sintonia com ruídos de nossos passos
Seguimos em atos como uma peça de teatro…
DEVANEIO TRISTE
Nas lágrimas que borram o céu altivo
vejo a lua que chora triste e sombria
as estrelas já espremidas e sem brilho
na trágica sina dessa minha melancolia
No vão oco obscuro de minha incoerência
busco-te num coração flagelado e de luto
perambulando em busca de minha existência
sou uma peregrina enclausurada num reduto
Teu sorriso disperso na luz do luar eu vi…
sigo nesse destino que congela e paralisa
nesse meu arrebatamento transfigurado em ti
Saudade enegrecida que causa tanto tormento
Círculo vicioso que entorpece e me agoniza…
para mais uma vez não te ter nesse momento!
A ESPERA
Horas infindáveis… estacionam no relógio do tempo
fico a espera de ti, num semblante opaco e oprimido
lágrimas e acenos em lenços brancos cintilam ao vento
despedidas e chegadas, cada qual seguindo seu destino…
nessa espera crucial fico estática sem teto e sem chão
ao longe o apito do trem que se aproxima da ferrovia…
vazio de mim, esculpido por ti, como ânfora o meu coração
recordações do passado, guardadas na bagagem da minha vida
gelando todos os meus sonhos em ópios e ócios de meu viver
Passam-se noites e dias, meus pés não conseguem se mover
vagueio e arranco as ervas daninhas que nasceram nos trilhos
enfeito com flores silvestres perfumando nossos caminhos…
na esperança de te ver desembarcando dessa viagem pra mim
e no meu último suspiro, dizer:- AMO-TE, até que enfim!
Quando tuas lágrimas secarem é hora de atravessar o mar vermelho,
pegue a estrada na direção Daquele que te deu a vida e não olhe mais para trás te joga e vai…
Quando adormeço, me liberto e saio desse mundo…
Tem pesadelos?
- Não tenho. Meu livre arbítrio me faz companhia nas noites de insônia e quando acordo eu finjo que durm
PÁGINA VIRADA
Sou alma que vaga sozinha na noite
vejo o dia que reflete na tua lágrima
que albumina…
procurando o corpo que deixei…
nessa tua ânsia que me plasma
Nas sombras fugazes de sonhos
mortos que reavivam nessa luz
que mortiça teu olhar nublado…
Sou sol na nascente que acorda
e que causa o teu cansaço…
nas lembranças borradas de
nuvens densas de mormaço…
Sou o pensamento que te faz
chorar e também sorrir…
Sou a boneca de pano feita
de estrelas e costurada com o
filete de luz da lua cheia…
sou o que tu escreve com os
pedacinhos de giz…
flutuando nas cordas vocais
gárrulos de riso solto numa
vida que contigo fui feliz…
sou a luz que transcende
no escuro de tua alma!
vulto lúrido que esvoaça…
sou a tua alegria fechada
nessa vida que teimas em
dizer que é página virada…
Pelo sim ou pelo não, vou fazendo um zigue zague com uma cordinha chamada “talvez” e nessa linha imaginária e pueril ela fica flutuante como pipa conforme o vento sopra…
Onde?
- No meu coração!
"Me cobram coisas que não posso oferecer, também sou incompleta e preciso de coisas para me preencher..."
