Coleção pessoal de Lulena
ALMA NA JANELA...
A cada suspiro o sangue respinga…
no abismo de dor onde se encarcerou…
tingindo de flores rubras a cortina…
numa saudade lúgubre nessa sua sina
ouve risadas estridentes de vultos por estar só…
que rodopiam em zumbidos formando um nó
ela fica debruçada na janela escura como breu
até que um anjo apareça e a leve para o céu…
PAIXÃO NO FORNO...
Acabou em pizza porque a borda foi feita de vento.
Que borda é essa?
- Uma paixão que ficou no forno do esquecimento!
PENSAMENTO OFF...
Não é que a gente esquece e sim o nosso pensamento que dá um tempo e adormece, porque também cansa de esperar aquilo que nunca acontece…
TEMPO ESVOAÇANTE...
O passado é uma porta fechada. O presente uma janela aberta.
E o futuro?
- É o vento que traz a chave da porta fechada e deixa esvoaçando a cortina que ficou parada na janela aberta…
O AMOR NUNCA MORRE...
Se nossa vida interna está como uma árvore desnuda sem o colorido das flores e frutos ainda bem que temos um coração que germina e floresce amor vibrante e rubro nesses galhos secos (sentimentos e emoções).
ECOS DO SILÊNCIO...
São sons inaudíveis confusos e dispersos gerando pensamentos confusos e abstratos…
FAÇA UMA MURALHA...
Se alguém te atirar pedras, use-as como alicerces para fazer tua muralha…
Assim chegará o dia em que as pedras arremessadas sofrerão o impacto
e voltarão com mais força para quem as atirou…
Toque todos os dias o sino do amor, quem sabe numa capela
distante alguém esteja esperando ouvir os ecos que gritam
de seu coração…
SONHOS INTERNOS...
A gente sonha e fica dando círculos e não sabe onde está…
Mas quando acorda descobre que nunca saiu do lugar.
AMORES FLUTUANTES...
Quando nosso pensamento foge e não conseguimos racionar, é que nossa alma voa nesse instante para algum lugar distante, onde corações se encontram para ver se conseguem encontrar seus amores flutuantes…
DEUSA DO VENTO...
Trovões e raios rasgando o céu, tambores, danças, transe. E ela chega com com o vestido bordado em fitas coloridas. Incorpora no meu pensamento. Então rodopio exaustiva e sorridente em êxtase por esse mundo que vivencio só na minha imaginação. Solidão? Sorriso solto. Coração pisado no chão. Vida perdida que fica e volta pela saudade do tempo de outrora que se esvaiu. Arrepio. Olho pra essa realidade será verdade? Desacoplo desse contentamento e o que vejo? – Uma alma fadigada e triste mas que para a Deusa do Vento não existe.
PAIXÃO PETRIFICADA...
Insana nessa aventura fugaz e transitória sigo nessa trilha desventurada…
Vejo revérberos de tua imagem desfragmentando toda nossa história já sepultada…
Lágrimas que borbulham dessa alucinação caótica e sinto que vai se deteriorando essa minha capa tormentória carnal… e febril ouço murmúrios deletérios e sussurros inaudíveis em minha memória…desfigurada sinto frio…
Minha alma por segundos levita ébria perene manchada em gotículas no sangue rubro que corta e congela… Num transe anímico é feito o registro e o coração intangível e ao mesmo sinistro pulsa descompassado uno em nossos corpos pesados como pedra.
ECOS DO TEU NOME...
Grito à ti que existo mas no abismo desse silêncio entre nós dois só escuto os ecos ensurdecedor do teu nome…
SAINDO DO CASULO...
Agora, sou apenas um casulo de mim mesma onde borboletas se debatem querendo voar, e quem sabe nesse desencontro entre atalhos e reversos eu possa me encontrar.
ALMAS PLANGENTES...
Dão gritos de dor e só que ouve são corações anestesiados em almas plangentes em corpos doentes, sombras extraídas em delírio, pois nem a morte seria um martírio e vão tropeçando e tateando por entre escombros procurando amores que imploram pelo perdão, mas já estão fragmentados pelo chão… E entre um gole de absinto eu vejo e sinto que uma anjo vem ao meu encontro na total escuridão…
BARQUINHO DE PAPEL...
Desilusões e emoções subalternas que vem e vão.
Como ondas?
– Sim! E navegam em pensamentos loucos e oscilantes…
Onde?
- Em alto mar onde meu coração é o barquinho de papel sem comandante…
E se naufragar?
- Não vai! Minha alma é o leme dessa minha vida errante…
VAZIO...
A vida brinca lá fora, e aqui dentro um corpo sem alma que chora….
E quando ela cansar de brincar?
- Virá esbaforida com um sorriso!
E aí?
- Entre as lágrimas que agonizo, irei embora num último suspiro!
